Pesquisadores da Universidade de Iowa (EUA) e da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, estão desenvolvendo um dispositivo capaz de produzir vinho de forma contínua. Segundo Daniel Attinger, professor de Engenharia da universidade estadunidense, o novo método consiste na aceleração dos processos de fermentação, o que pode abrir horizontes também a produtores da venerada bebida.

O equipamento é capaz de produzir continuamente cerca de 1 milímetro de vinho a cada hora – para fermentar essa mesma quantidade, os processos tradicionais consumem em torno de duas semanas. Conforme explica o professor, o aparelho é formado por um tubo principal pelo qual passa o suco de uva. A levedura é então colocada em compartimentos adjacentes, alimentando o canal através de uma membrana porosa, extremamente fina, chamada de nanoporo.

O "vinho rápido", porém, não é tão saboroso quanto o tradicional

“É quase como se [as leveduras] estivesse em pequenos sacos de chá”, diz Attinger. No momento em que o suco de uva passa pelas leveduras, o açúcar é então absorvido, o que resulta na liberação de álcool e de CO2 por meio da membrana. “Esse processo acontece muito rapidamente, uma vez que o açúcar e a levedura estão confinados em um espaço muito pequeno”, pontua o pesquisador.

Quem não abre mão da bebida fermentada a partir dos barris de madeira deverá notar diferenças substanciais de sabor, pois, como admite Phillippe Renaud, chefe do laboratório de microssistemas do instituto suíço, “o resultado, atualmente, não é tão bom quanto o vinho normal”.

Os pesquisadores afirmam que o mesmo dispositivo pode ser usado para a produção de cerveja – e até mesmo a indústria farmacêutica teria interesse no novo método de fermentação. O projeto está ainda em fase de desenvolvimento, e não há previsão de lançamento do dispositivo para o consumidor final.

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