Enquanto filmes nacionais como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto vêm chamando a atenção do público em anos recentes, as produções feitas no país se destacam há muito mais tempo do que isso. Um bom exemplo disso é Deus e o Diabo na Terra do Sol, dirigido por Glauber Rocha e lançado em 1964.
Estrelado por Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães e Othon Bastos, o longa recebeu aclamação já em sua estreia, quando foi indicado à Palma de Ouro de Cannes. Mais de 60 anos depois, ele continua muito relevante e agora pode ser assistido em alta qualidade e sem nenhum custo no streaming Tela Brasil.
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Por que Deus e o Diabo na Terra do Sol continua relevante?
Deus e o Diabo na Terra do Sol acompanha a história do sertanejo Manoel (Geraldo Del Rey) que, durante os anos 1940, pretende usar o dinheiro obtido com a venda de gado para comprar um pedaço de terra. No entanto, o acordo que tem com o coronel Moraes dá errado e, se sentindo traído, ele mata seu parceiro traiçoeiro.
- Ciente de que decretou a própria morte ao fazer isso, Manoel decide fugir com sua esposa, Rosa (Yoná Magalhães) e eles se juntam a um grupo religioso que luta conta grandes latifundiários;
- O longa acompanha o casal em seu encontro com grupos de cangaceiros e diversas figuras carismáticas;
- Eles sempre são caçados por Antônio das Mortes (Maurício do Vale), um matador de cangaceiros que é contratado para eliminar quem desafia as elites da região;
- Deus e o Diabo nas Terra do Sol chamou a atenção por seu teor politicamente engajado que vai na contramão de estúdios consagrados da época, como a Vera Cruz;
- O filme também mostra os traços clássicos do cineasta, que usa uma linguagem audiovisual própria e adequada às limitações técnicas do cinema brasileiro dos anos 1960.
Deus e o Diabo na Terra do Sol foi gravado na época em que Glauber tinha 24 anos de idade e já havia realizado anteriormente o longa Barravento. A obra é particularmente influente por usar a falta de recursos como solução criativa que conversa diretamente com a miséria e a opressão que fazem parte de sua história — sem que a narrativa siga um caminho didático ou professoral.
Deus e o Diabo na Terra do Sol é um dos filmes nacionais mais influentes da história
A versão do filme que chegou à Tela Brasil só foi possível graças aos esforços contínuos para preservar e tornar acessível a filmografia de Glauber Braga. Após o fim da instituição Tempo Glauber, em 2017, 200 caixas de material relacionado ao diretor foram destruídas no incêndio da Cinemateca Brasileira, ocorrido em 2021.
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Ao Itaú Cultura, Paloma Rocha, que luta para preservar a memória de seu pai, Glauber, explicou que o filme continua forte porque lida com temas que continuam atuais. Entre eles estão “a luta de classes, a exploração do homem pelo homem, os abusos, os assassinatos, a violência e a loucura do messianismo que mais à frente se encontra com a loucura revolucionária”, nas palavras dela.
Deus e o Diabo na Terra do Sol foi eleito como o segundo melhor filme brasileiro da história por uma votação da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) realizada em 2016. Ele compartilha uma posição de destaque com outros clássicos nacionais como Vidas Secas (Nelson Pereira dos Santos) e Cabra Marcado para Morrer (Eduardo Coutinho) e só perdeu na votação para Limite, de Mario Peixoto, lançado em 1931.
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