Existe uma responsabilidade e uma expectativa diretamente atrelada aos filmes biográficos. O fato deles tratarem sobre pessoas reais já assusta, agora, quando essa pessoa real é Michael Jackson, é de se pensar que essa pressão sobe até o teto. Antoine Fuqua entendeu exatamente o que estava em suas mãos.
Depois de Bohemian Rhapsody, Rocketman e Elvis, que dividiram opiniões, chegou a hora do Rei do Pop ter sua vida adaptada. O filme tem o envolvimento de parte da família de Michael na produção e também de John Branca, que era empresário do cantor e atual presidente da The Michael Jackson Company. Mas afinal, Michael faz jus à história do ícone pop? Confira a crítica do Minha Série, sem spoilers, a seguir!
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Elenco impecável
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Antes de falar sobre o enredo, preciso falar sobre as duas estrelas responsáveis por fazer o filme brilhar: Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, interpreta o Michael mais velho e Juliano Valdi interpreta o cantor criança. Ambos os atores são extremamente carismáticos e feitos para o papel.
A voz e o profissionalismo do pequeno Michael encantam, com uma cena no estúdio de gravação tirando risadas do cinema inteiro, além de ter me emocionado profundamente em seguida. Jaafar fez jus ao sobrenome ao dar vida a Michael em sua juventude. O ator realmente se transformou em seu tio e entregou uma performance extremamente próxima dos registros que temos do cantor.
História já conhecida, mas sem cansar
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A história de Michael Jackson já é interessante por si só. Sem dar tantos detalhes para não estragar a experiência, o filme começa nos anos 60 e termina nos anos 80, e toda a evolução do artista é muito interessante nesse período.
O grande destaque aqui fica na imersão que o filme provoca. Combinado aos figurinos, cenários, direção de arte e atores de alto nível, a história de Michael segue sendo fascinante. O talento inegável do jovem nos Jackson 5 e o seu crescimento quase que inevitável na carreira solo são retratados de maneira emocionante.
Em momento algum o ritmo te deixa na mão. Acompanhar a jornada do artista interpretado por uma pessoa tão talentosa quanto Jaafar se torna um prazer e a trilha sonora de peso (obviamente) não deixa o corpo desligar. Em diversos momentos era possível ver o público se segurando para não cantar e dançar durante o filme.
Uma apresentação de Michael para os mais jovens
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Caso você não esteja familiarizado com o Rei do Pop ou queira que alguém próximo o conheça mais, assistir Michael é uma ótima pedida. Se ele não o conquistar por seu carisma e bondade, irá te conquistar pela músicas. A consciência do próprio cantor sobre seu valor inspira. Em tempos de banalização de pautas importantes por conta do excesso de militância, a forma como Michael reagia ao racismo era prática e até inspiradora.
Porém, se estiver buscando uma grande imersão nos detalhes da vida de Michael, você não vai encontrá-los aqui. Apesar de bem construído e com um bom ritmo, o filme não se aprofunda nas questões mais complexas do cantor.
O filme é isentão?
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A resposta rápida é: sim. Mas já era de se esperar. Como mencionado anteriormente, Michael tem o envolvimento de muitos parentes do cantor e também os envolve diretamente na narrativa. Tratar sobre as polêmicas do cantor de forma imparcial seria uma escolha bem surpreendente. Ainda assim, a ideia inicial era mostrar como elas afetaram a vida do astro, mas então os produtores descobriram uma cláusula no acordo feito com um dos acusadores de Jackson, Jordan Chandler, que impedia a menção de sua história.
Outra questão é que o filme acaba nos anos 80, antes das maiores polêmicas virem à tona. Se a produção tiver uma sequência, vai ser mais difícil desviar das acusações de outras vítimas que marcaram os anos finais do artista. As acusações contra o cantor não devem ser desconsideradas, mas já era previsto que Michael evitaria tocar nesse assunto, pelo menos nesse primeiro momento. Agora é esperar para ver se as críticas influenciarão na história de uma possível sequência.
Vale a pena assistir Michael?
O filme de Antoine Fuqua é completo, inspirador e um sinal de respeito enorme a um dos maiores artistas que já existiu. Mesmo que existam pessoas que não apoiem o filme, (como a própria filha do cantor, Paris Jackson) é reconfortante saber que sua memória não foi prejudicada nesta produção. Porém, é importante também ter em mente que essa é uma obra feita para os fãs e que, por enquanto, deixou de lado acusações sérias que marcaram o período retratado no final do filme.
Se você se interessa pelo ícone pop, Michael é indispensável. Caso não conheça muito, o filme também é uma ótima introdução ao mundo do cantor. Uma coisa eu garanto: é impossível sair da sala de cinema sem se apegar a pelo menos uma música da trilha sonora. Aliás, acho difícil sair da sala de cinema sem virar, nem que seja um pouquinho, mais fã da lenda.
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