Sentenced to Be a Hero pode assustar com seu primeiro episódio de 1 hora logo de cara, mas surpreende ainda mais quando sua história se sustenta por todo esse período. O anime possui um enredo que foge do usual: na realidade dos protagonistas Xylo e Teoritta, ser herói é uma punição. A partir dessa constatação, fica mais difícil entender se nessa história existe o bem e o mal, como de costume nas histórias de ficção.
Um anime com grande potencial, que adapta um mangá já popular, merece uma dublagem de respeito. Em entrevista ao Minha Série, Bruno Sangregorio, dublador de Xylo e diretor de dublagem, e Agatha Paulita, dubladora da deusa Teoritta, destacaram como a obra se distancia do padrão clássico ao apresentar um mundo onde ser herói não é motivo de admiração, mas sim uma condenação.
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Heroísmo como punição
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Para Agatha Paulita, o maior diferencial realmente está no tema central da obra. “Eu sempre me pego questionando muitas coisas, mas eu nunca na minha vida questionei o quanto um super-herói sofre”, afirma. Para ela, esse olhar mais humano e doloroso sobre o heroísmo é o que torna a história tão interessante logo de início.
Nesse contexto, o conceito de heroísmo é invertido: tornar-se herói é considerado o pior dos crimes. “O herói aqui é escória, ninguém gosta dos heróis”, resume Bruno Sangregorio. A trama acompanha um grupo de condenados que, mesmo vistos como criminosos, acabam sendo responsáveis por proteger a população e enfrentar o sistema.
Segundo ele, os personagens são tratados como criminosos, mas acabam sendo os responsáveis por proteger a população. “Eles vão, aos pouquinhos, sendo reconhecidos pela sociedade”, explica.
O dublador também destaca a construção do protagonista: “O Xylo claramente não tem perfil de protagonista, ele tem perfil de antagonista”. Ainda assim, é justamente essa complexidade que sustenta a narrativa. “Vamos ver quem é esse cara, vamos ver a história dele”, completa.
Construção de personagens e desafios na dublagem
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Apesar de ter essa imagem infantil, Teoritta ainda é uma deusa na história. A dualidade da personagem de Agatha foi um dos pontos centrais de sua interpretação. “Ela é uma menininha pequenininha, isso traz a inocência, a curiosidade”, explica. Ao mesmo tempo, há uma camada mais profunda: “Por dentro, ela tem toda essa grandeza de uma deusa”.
A dubladora também ressalta que grande parte desse processo acontece de forma interna. “Essa construção acaba sendo mais interna do que para quem está assistindo”, afirma. Ainda assim, ela acredita que o resultado aparece quando o público se conecta com a obra: “Se o público está curtindo, é porque está rolando”.
Acostumado a interpretar personagens mais contidos, como Levi, de Attack on Titan, e Benimaru Shinmon, de Fire Force, Sangregorio explica que Xylo exige uma abordagem completamente diferente.
“Ele grita o tempo todo. É um grave com energia, muito na contramão desses outros personagens”, afirma.
O ator revela que a gravação do primeiro episódio foi especialmente intensa. “Eu estava sem voz quando gravei”, conta. Mesmo assim, seguiu com o trabalho: “Eu falei: ‘Lascou, porque hoje eu tenho que gravar’”. No fim, a limitação acabou contribuindo para o resultado. “A falta de voz favoreceu esse grave do Xylo”, concluiu.
Direção x atuação na dublagem
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Além de atuar, Bruno também participa da direção da dublagem, o que muda sua relação com o trabalho. “Quando eu dirijo, fico mais seguro. Tenho mais liberdade para brincar com as palavras”, explica. Segundo ele, o acesso prévio ao material ajuda a entender melhor as nuances da obra.
Agatha destaca que, na dublagem, muitas vezes o ator grava sem ter acesso ao contexto completo da história. “Eu nunca assisto o que vem antes ou depois, eu só faço exatamente a minha cena”, afirma. Por isso, a direção tem papel essencial: “O diretor sempre te coloca ali na direção da cena”.
Ambos também ressaltam a importância do público. Bruno chama atenção para o impacto da dublagem na recepção das obras: “A dublagem pode tornar essa obra icônica ou pode acabar com o produto também”.
Ele ainda destaca o cuidado na escolha do elenco: “Eu preciso pintar esse quadro. Não pode ser barulhento demais, mas também não pode ser cinza. Tem que ter equilíbrio”, concluiu o diretor.
Sentenced to be a Hero está disponível na Crunchyroll com lançamento semanal de spisódios.
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