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Crítica: A Noiva! é divertido, mas tem potencial podado pela falta de coragem

Apesar do filme dar a atenção que sua protagonista merece, Maggie Gyllenhaal perde coragem de fazer uma personagem totalmente dissimulada.

Avatar do(a) autor(a): Diana Pordeus

schedule04/03/2026, às 17:17

updateAtualizado em 04/03/2026, às 17:53

Ao longo dos anos, a noiva de Frankenstein já teve diversas versões: de Penny Dreadful, a série que compilou várias figuras da literatura, até A Prometida, onde na verdade o Doutor se apaixona pela mulher que ele mesmo criou. A parceira de um dos monstros mais conhecidos da literatura chegou à telona pela primeira vez em 1935, com o longa A Noiva de Frankenstein, de James Whale. Entretanto, todas essas histórias têm um fato em comum: são baseadas no livro de Mary Shelley, Frankenstein. 

A adaptação escrita e dirigida por Maggie Gyllenhaal não é diferente. Mesmo não sendo de uma fonte literária focada nela, a noiva da criatura já ganhou vida própria. Assim, com Jessie Buckley, Christian Bale e Penélope Cruz no elenco, e prometendo um romance gótico misturado com terror, A Noiva! de Maggie Gyllenhaal traz uma nova visão do universo do monstro. Confira a crítica completa abaixo.

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Jessie Buckley domina tudo

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Jessie Buckley, mais uma vez, mostra para o que veio.

Depois de ganhar inúmeros prêmios por Hamnet e com uma vitória quase certa no Oscar, Jessie Buckley já provou que consegue carregar tranquilamente o protagonismo. Aqui ela interpreta dois papéis, o da escritora Mary Shelley e da noiva de Frankenstein; com uma interpretação intensa e um texto brilhantemente imprevisível, Buckley se destaca em todas as cenas que participa, passando a impressão que isso aconteceria mesmo se ela não fosse a principal.

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O que me agradou bastante é que aqui, tecnicamente, tudo aposta a favor da Noiva. O cabelo, a maquiagem e as falas complementam o trabalho impecável da atriz e a personagem cativa tanto o público que está assistindo quanto às próprias pessoas do filme. O filme seria bem diferente sem a performance de Buckley. Christian Bale e Penélope Cruz segura bem seus personagens, mas no final o destaque merecido fica para a protagonista da obra.

Descontrole controlado

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As partes mais dissimuladas da protagonista dão força ao filme.

A roteirista e diretora Maggie Gyllenhaal começa o filme de maneira atrevida, chutando o pau da barraca, mas essa ousadia vai ser perdendo ao longo da experiência. Ida, nome da protagonista antes de se tornar a noiva, está à beira de um colapso quando a conhecemos. Sua insatisfação fica clara de início e escala de maneira brusca e repentina, mas ainda compreensível.

Como mulher, a revolta de Ida é reconfortante. Ver tudo que ela estava disposta a fazer pelas mulheres e o que lhe foi tirado por conta disso é de partir o coração, porém essa coragem e dissimulação da personagem acaba sendo podada pelo próprio roteiro. O foco dela acaba caindo em um clichê que poderia ser evitado.

Essa não deveria ser uma história de amor

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O apelido “Frank” já causa um leve estranhamento.

Em todas as suas versões, o nascimento da noiva de Frankenstein veio do mesmo lugar. Trazendo uma mulher de volta à vida sem perguntá-la, e pior, apenas para servir a um homem. Enquanto o filme flerta com a ideia de mudar isso, ele nunca de fato muda.

No único momento em que “Frank” percebe que Ida não é sua, ele a questiona de maneira agressiva mostrando que ela realmente é só uma posse pra ele. Na relação dos dois, a roteirista até inclui algumas falas feministas forçadas para indicar que ela quer ser respeitada, mas ao fim falha em suas ações. Ainda assim, o filme questiona estereótipos e faz o público questionar a sua própria misoginia, mas poderia ter se mantido firme até o seu final.

Gótico de forma contemporânea

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O filme complementa suas cenas com um toque gótico agradável.

Quando as primeiras imagens do longa saíram, já ficou claro que se trataria de um filme com referências góticas muito por conta do contexto histórico em que a criatura surgiu. Gyllenhaal acerta em equilibrar essa estética com elementos atuais e com um toque lúdico que casa bem com a ingenuidade da criatura e da noiva — que estão se habituando ao mundo real.

Além disso, a diretora utiliza da figura de Mary Shelley para trazer uma metalinguagem que favorece muito o filme e que nos ajuda até a compreender mais a protagonista. Esse complemento nos deixa mais a par da visão da diretora sobre a obra clássica.

Vale apena assistir A Noiva?

A Noiva! dá a atenção merecida à sua protagonista e acerta em sua direção de arte, mas perde coragem de deixar que sua personagem siga seu próprio caminho. A forma que Maggie Gyllenhaal escolheu contar essa história a deixa interessante e complementa muito bem a atuação de Jessie Buckley, com destaque para os diálogos imprevisíveis da personagem, mas perde a sua maior força: a sua dissimulação motivada.

Como um novo filme da noiva de Frankenstein, a roteirista e diretora não chega a desperdiçar a sua chance, mas faltou ousadia para manter a promessa definida no começo até o final. Ainda assim, o filme prova que tanto Gyllenhaal quanto Buckley dão conta do recado de um filme fantasioso, bastava um empurrão final.

 

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