Pânico 6: continuação faz jus ao legado da franquia? (crítica)

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Imagem: Divulgação

Um ano desde o retorno de Ghostface aos cinemas, após o hiato de 11 anos, Pânico 6 prometia nos tirar da cidadezinha de Woodsboro e ser o maior e mais bárbaro até então, com trailers que apresentavam um novo assassino extremamente violento e implacável. O novo filme se passa em Nova York e, assim como a cidade, é frenético, perigoso e tenso.

Os lançamentos de Pânico, desde o primeiro filme em 1996, sempre foram queridinhos de público e crítica por misturar uma boa história, gore e comédia – os famosos filmes “terrir”. Mais que isso, a consistência na qualidade da obra, que trouxe um novo ar ao gênero slasher após um período de lançamentos recheados de clichês e falta de originalidade, e continuou o fazendo com suas sequências, consolidou a franquia no patamar de “clássicos do horror”.

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Assim, quando anunciaram Pânico 5 (2022), sendo o primeiro filme da franquia após a morte de seu criador, Wes Craven, a expectativa era altíssima e o medo de estragarem o legado intocado da obra, também. Como todos sabemos, esse não foi o caso. O quinto filme, dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, agradou aos fãs mais rigorosos: foi certeiro na metalinguagem típica do universo, trouxe de volta o trio principal, apresentou novos e interessantes personagens que justificam o reinício da franquia, e tudo isso com uma história cativante aos novos e antigos amantes da franquia.

Mas será que o sexto filme, apesar de ter sido muito aguardado e contar com a mesma equipe responsável pelo sucesso do seu antecessor, não cai no perigoso território das sequências infundadas mais focadas no desempenho monetário do que em qualidade, que já era preocupação lá no primeiro filme, em 1996? Cinco filmes depois, Pânico 6 ainda consegue criticar o universo do horror e se manter relevante ao gênero, ou está caindo no clichê que nasceu para combater e sempre criticou? Vamos analisar ao longo do texto!

Análise de Pânico 6 sem spoilers

Um ano após os assassinatos que aconteceram em Woodsboro, a trama do novo filme acompanha os sobreviventes Sam (Melissa Barrera), Tara (Jenna Ortega), Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding), agora em Nova York. Enquanto Sam tenta processar os traumas de matar seu ex-namorado assassino, Richie Kirsch (Jack Quaid), e manter a segurança de sua irmã, os três jovens estão na universidade tentando se adaptar à rotina após serem perseguidos por um serial killer. Tudo está indo bem, irmãs estão se desentendendo, escolhas questionáveis em festas estão sendo feitas: nada fora do habitual.

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Mas é claro que isso teria um fim, o que nos leva para a tão aguardada e clássica cena de abertura, momento pelo qual a franquia é famosa. Para não perder a graça, basta dizer que Pânico ainda não decepcionou seus fãs aqui: ela continua provocativa, subversiva e extremamente divertida e, principalmente, apresenta um novo Ghostface amedrontador.

Com sua paz tendo acabado, os sobreviventes de Woodsboro, ou “quarteto top”, passam a ser perseguidos e atormentados pelo assassino. Os novos personagens, Anika (Devyn Nekoda), namorada de Mindy, Quinn (Liana Liberato), colega de quarto de Sam e Tara, Ethan (Jack Champion), amigo de Chad, e Frankie (Andre Anthony), ajudam o quarteto na missão de derrotar o Ghostface da vez ou, pelo menos, sobreviver a ele.

Além disso, temos o retorno de Gale Weathers (Courtney Cox) para ajudar Kirby, a cinéfila fissurada por filmes de terror que Charlie ataca no quarto filme, que sobreviveu, e o detetive Bailey (Dermot Mulroney) na investigação. Deixadas como souvenir ao lado dos corpos, as máscaras dos Ghostfaces passados servem como recado, e um aviso, para seu alvo principal: Sam.

O novo capítulo da franquia é bem dirigido, possui sequências de ação tensas e inovativas para o universo, e desenvolve razoavelmente seu quarteto principal em relação ao primeiro filme. Coescrito por James Vanderbilt e Guy Busick, o roteiro, que parece só enfeitar a mesma fórmula já conhecida e atualizada por Kevin Williamson a cada lançamento, pode se tornar cansativo em filmes seguintes.

O retorno de Ghostface - Análise com spoilers

Pânico 6 é, de fato, muito mais brutal que qualquer outro filme da franquia. Se no anterior os diretores quiseram trazer uma atmosfera familiar, aqui eles esbanjam uma luz diferente para o novo capítulo da história, como quem diz “ainda é Pânico, mas vamos fazer do nosso jeito”.

Enquanto o quinto filme fazia uma ode aos personagens legado e ao original de 1996, mas ainda sendo marcante e diferente, Pânico 6 segue praticamente os mesmos passos do segundo, de 1997. Desde o cenário de fundo (a universidade), passando pelos traumas dos personagens, até a revelação do assassino, a trama toda parece derivada de algo já visto antes, mesmo com novos personagens a conduzindo.

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Mesmo assim, se você é fã da franquia, provavelmente vai ser uma ótima experiência. O filme continua com a atmosfera intrínseca ao universo: engraçada e aterrorizante. Destaque para o “aterrorizante”, pois algumas sequências de “gato e rato” entre a vítima e o assassino são eletrizantes e extremamente tensas o que foi a cena da escada????

Em determinado momento do longa (que deixaria o Randy orgulhosíssimo!), Mindy explica que, nas novas sequências de franquias adoradas do cinema, as regras pré-estabelecidas pelo gênero são inválidas, como a garantia de segurança dos personagens-legado (sobreviventes do “original”). Informação esta que, no final das contas, é irrelevante, já que Gale e Kirby só não foram mortas em seus ataques porque o roteiro não queria sério que o serial killer descontrolado vai enrolar justo agora?

Além disso, tudo é maior: a cidade, a contagem de corpos, a violência, as decapitações, o sangue. Isso é bom? Você decide. Os assassinatos, aqui, são os mais gráficos, sanguinários e brutais do que vimos até então bem parecido com o gore de Casamento Sangrento (2019), dos mesmos diretores. Por outro lado, as famosas conversas ao telefone desse Ghostface são repletas de frases de efeito que, por vezes, soam cômicas quando deveriam dar medo.

Até o momento, os filmes da franquia justificavam a razão de sua existência, por meio de muita metalinguagem sobre o momento atual do cinema de horror em que o filme está sendo produzido. Pânico quebrava a expectativa, engajava, surpreendia até o momento final e criticava acidamente seu próprio público. Mais do que isso: tentava prever como as pessoas reagiriam àquele momento da indústria e baseava sua história nisso.

Discussões como os efeitos da brutalidade do terror em adolescentes no primeiro filme; a ambição da fama a qualquer custo no segundo e quarto; e até a justificativa de Pânico 5 sobre a toxicidade por parte dos fãs, que foi chamada de “boba” pelo público, trouxeram apontamentos pertinentes ao gênero. Aqui, infelizmente, a franquia derrapa e oferece uma motivação fraca e decepcionante – apesar de tentar te convencer que é genial.

Chegamos à revelação dos assassinos. Eu disse anteriormente que esse roteiro bebe muito da fonte do segundo filme: a sede por vingança de uma família que culpa a vítima (no caso, Sam) por seu filho ter se tornado um assassino (Richie) – assim como a Sra. Loomis buscava vingar Billy. Não achei necessariamente ruim, e até existe uma tentativa de uma pista falsa para chocar os fãs durante o ato final, mas também não é um plot twist daqueles. 

A sensação que tive foi que o carisma do quarteto principal, a volta de Gale e Kirby (que se transforma em um personagem clichê e raso), e as grandiosas cenas de ação e fuga em Nova York, serviram para mascarar um roteiro feito às pressas, não tão polido quanto seus antecessores. Vale a pena ver? Com certeza. Como fã, no final das contas, fiquei ansiosa para o futuro da franquia e me diverti pra caramba!

Respondendo à pergunta da introdução: não, não acho que Pânico tenha se tornado irrelevante, mas que a fórmula está, senão gasta, pelo menos um tanto previsível, isso está. A régua para comparação desses filmes é altíssima, o que faz com que Pânico 6 seja, apesar de não o melhor da franquia, um bom e divertisíssimo slasher.

Pânico 6 pode ser assistido nos cinemas brasileiros atualmente. Confira aqui onde ver os outros longas da franquia, já disponíveis via streaming. 

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