Dia do Orgulho LGBTQIA+: como as séries ajudam na representatividade

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Imagem: FX/Reprodução

No dia 28 de junho, a comunidade LGBTQIA+ celebra uma data bastante importante:  o Dia do Orgulho LGBTQIA+. A data remete a um evento ocorrido em 1969, na cidade de Nova York. Cerca de 52 anos depois, muitos direitos foram conquistados, mas a luta é constante e quase ininterrupta, tendo em vista que essa minoria social ainda é muito marginalizada em diversas escalas.

As séries televisivas, nesse sentido, são importantes em vários aspectos, sobretudo quando se fala em representatividade. Essa palavra diz respeito à inclusão dessa comunidade — do jeito como ela é na realidade — em produções que refletem seu cotidiano e também algumas vivências importantes. Isso tudo para apresentar aos espectadores questões que podem ajudar a combater o preconceito.

(Netflix/Reprodução)(Fonte: Netflix/Reprodução)Fonte:  Netflix 

É interessante notar também como alguns estereótipos foram sendo abandonados, com o passar dos anos, para ilustrar de maneira contundente como esses personagens podem existir em uma simplicidade crível. Nesse contexto, o elenco escolhido para interpretá-los pode dizer muito sobre a preocupação dos produtores com uma inclusão que vai além das telas.

Evolução e compromisso: roteiristas vêm realizando um bom trabalho nos últimos anos

De acordo com dados estudados, organizados e divulgados pela ONG Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD) em 2019, houve uma evolução significativa no aumento de personagens LGBTQIA+ presentes nas séries feitas para televisão e streaming nos últimos anos.

O relatório do grupo investigou que, na temporada de 2019-2020, havia cerca de 10,2% de personagens da comunidade presentes nos elencos principais das produções. Séries como Sex Education, da Netflix, Pose, do FX, e Batwoman, da The CW, foram citadas como bons exemplos em termos de representatividade, trabalhando com um desenvolvimento comprometido perante às questões sociais da atualidade.

(Netflix/Reprodução)(Fonte: Netflix/Reprodução)Fonte:  Netflix 

“Não é suficiente apenas ter um personagem LGBTQIA+ presente [nas séries] para ganhar a atenção desse público”, afirmou Sarah Kate Ellis, presidente e CEO da GLAAD, em entrevista à CNN publicada na época em que os dados foram divulgados pela primeira vez.

Segundo a ativista, os roteiristas precisam ter consciência em trabalhar os aspectos mais profundos de seus personagens, construindo uma trama plausível no contexto das vivências individuais para que as representatividades realmente aconteçam. “Esses personagens devem refletir toda a diversidade de nossa comunidade”, explicou.

Representatividade nas séries: personagens LGBTQIA+ que fizeram a diferença

A maior parte das críticas feitas às produções seriadas sobre a questão LGBTQIA+ diz respeito a uma inclusão vazia de personagens pertencentes à comunidade.

Com isso em mente, o que Sarah Kate Ellis ressaltou anos atrás é bastante importante para pensar em como muitas pessoas podem se identificar com o que está sendo exibido nas telas, servindo, inclusive, para ajudar essa comunidade em momentos que podem ser tortuosos.

E isso também pode ir muito além dos romances que os personagens podem ou não cultivar ao longo das temporadas, dizendo mais sobre uma questão identitária, algo fundamental atualmente. Podemos citar alguns personagens que são repletos de camadas e trouxeram, de fato, uma verdadeira revolução nas séries.

É o caso de Callie Torres (interpretada por Sara Ramirez), em Grey’s Anatomy — uma das produções de maior audiência da televisão norte-americana. A personagem foi introduzida na 2ª temporada do seriado com nuances bastante comuns e que, até então, não ressoavam com a comunidade LGBTQIA+.

(ABC/Reprodução)(Fonte: ABC/Reprodução)Fonte:  ABC 

Contudo, a partir de seu envolvimento com a cirurgiã cardiotorácica Erica Hahn (Brooke Smith), Callie passou a questionar seus sentimentos e, consequentemente, sua sexualidade. Apesar de seu coração sentir que estava apaixonada por uma mulher, havia outras dúvidas rondando seus pensamentos.

Posteriormente, Callie conheceu a pediatra Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e as duas construíram um dos romances mais celebrados entre os fãs, culminando em um belíssimo matrimônio exibido na 7ª temporada. Mas pode-se dizer que a cirurgiã ortopédica ainda sentia atração por homens, mesmo estando em um relacionamento homossexual.

Callie é bastante importante para a representatividade bissexual, pois mostra, ao longo de seu desenvolvimento na série — indo sempre além desses detalhes pessoais — que sua sexualidade não estava condicionada aos relacionamentos que cultivava e, sim, à sua própria identidade, algo que ela mesma conseguiu compreender com o passar do tempo e sua maturidade.

(Netflix/Reprodução)(Fonte: Netflix/Reprodução)Fonte:  Netflix 

Além dela, poderíamos citar outros exemplos incríveis, como Sophia Burset (Laverne Cox), de Orange is the New Black, Ryan (Ryan O'Connell), de Special, e também Santana Lopez (Naya Rivera), de Glee. Felizmente, personagens que esbanjam diversidade e representatividade são cada vez mais comuns nas telinhas.

Com todos esses aspectos, mais do que nunca, lembremos que: representatividade importa sempre!

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