Sabe quando você abre a Netflix e fica vários minutos sem saber ao que vai assistir? Então, tentaremos te ajudar com isso. Semanalmente, indicaremos uma série ou um filme não tão popular que está no catálogo da plataforma de streaming. Por isso, não há momento mais preciso para falar da excelente Master of None, tão pouco conhecida pelo grande público, mas sempre prestigiada nas premiações de Hollywood.
A série foi criada por Alan Yang e Aziz Ansari com a proposta de contar histórias que outras produções televisivas de humor não costumam fazer. Enquanto há muita comédia escrachada que abusa da claque para tentar tirar o sorriso do espectador em vários programas, a obra da dupla oferece situações reais do cotidiano que te fazem dar risada pela forma como você se identifica ou pela ironia com que eles discutem alguns temas.
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Além de dar esse tom de crônica sobre a vida contemporânea, a série mantém tal aspecto até mesmo nas conversas mais triviais ou íntimas. Pode ser uma música estranha que você e seu amigo cantam para celebrar algo inesperado ou até mesmo discutir o que um ponto específico de uma música do Eminem significa. Essa construção de realismo também permite que você acredite mais no que os personagens passam, seja um momento alegre ou dramático.
Por mais que Dev, interpretado pelo próprio Aziz Ansari, seja o protagonista, os episódios não são tão focados na vida dele. O holofote real está no tema ao qual cada capítulo deseja dar ênfase e esse é o elemento que insere o espectador na obra. Por exemplo, o primeiro episódio — o mais fraco de todos — fala sobre paternidade, logo ele ganha mais força com aqueles que entendem mais sobre isso. Outros temas trabalhados na primeira temporada são: flertes por mensagens, estereótipo, traição, sexismo, terceira idade, cotidiano etc.
Por não desejar fazer graça desesperadamente com qualquer piada escrachada, Master of None torna a própria produção um ótimo exemplo de como fazer humor sem ofender outrem. Eles discutem estereótipo, principalmente de indianos, o assédio sofrido pelas mulheres no dia a dia e até mesmo a forma de se referir a diferentes tipos de pessoas sem ser agressivo. Todos esses pontos retratados não minimizam em nada a qualidade narrativa, pelo contrário: amplia as possibilidades que outras produções não desejam cobrir.

O apelo dramático que tais temas trabalham consegue resultar em episódios muito emocionantes. “Old People” retrata a visão solitária de uma idosa e nos faz refletir sobre o que significa esse período da vida humana; mas o mais conhecido entre eles é “Thanksgiving”, já que aborda as tradições de uma família que ainda não está preparada para a orientação sexual da caçula. Esse capítulo é um dos mais reverenciados pela crítica em 2017, o que já resultou em prêmio no Emmy 2017.
Além de um excelente roteiro, a narrativa da série se torna ainda mais incrível por causa das outras qualidades técnicas, principalmente na segunda temporada. A trilha sonora se encaixa com um toque de leveza que dá o tom necessário ao que a história precisa, enquanto a fotografia aproveita aspectos culturais e do cenário para engrandecer cada capítulo.

Mesmo que o primeiro episódio não seja amor à primeira vista, Master of None é uma das melhores séries da atualidade, se não for a melhor já feita pela Netflix. Com uma produção inteligente, tocante e linda tecnicamente, Alan Yung e Aziz Ansari criaram uma obra-prima televisiva que abraça todos enquanto entretém com seu humor sofisticado. “Nashville”, “Thanksgiving”, “New York, I Love You”, “Old People” e “The Thief” são episódios conquistadores por todos os elementos que fazem uma história realmente dar vontade de ser revista várias vezes.
Master of None tem duas temporadas, cada uma com 10 episódios de 30 minutos.
Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via N-experts.
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