Cloverfield Paradox tenta dar contexto desnecessário à franquia

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Cloverfield é uma das franquias mais misteriosas dos últimos anos. O segundo filme, Rua Cloverfield, 10, teve seu trailer divulgado faltando pouquíssimo tempo para o lançamento, uma tática bastante incomum em Hollywood, principalmente para um longa que seria a sequência de uma produção de sucesso assinada por J.J. Abrams.

O mesmo acontece com Paradox, sendo ainda mais surpreendente por usar o espaço do Super Bowl como momento ideal para o marketing do longa e disponibilizá-lo na Netflix logo após a partida. Entretanto, a genialidade se limita à propaganda dele, já que a história tenta miseravelmente dar um contexto desnecessário para a invasão dos monstros à Terra.

Na trama, a tripulação da espaçonave Cloverfield tem a missão de colocar em prática um experimento capaz de solucionar os problemas de energia existentes na Terra antes que o mundo entre em total colapso. Entretanto, as diferenças entre eles e as reações da experiência espacial começam a criar situações totalmente inesperadas e fora do controle do time de astronautas, causando um efeito dominó que ameaça tanto os próprios quanto o planeta.

Tanto no primeiro quanto no segundo longa da franquia, o mistério é algo que toma conta da atmosfera que envolve os personagens. Enquanto no longa original a grande questão é o que seria aquilo tudo destruindo a cidade, a sequência cria indagações sobre o que existe fora do bunker e nas afirmações conflituosas do personagem do John Goodman. Em Paradox, esse clima também existe, porém em cima das desconfianças entre os membros da tripulação e das reações inesperadas que a experiência cria na espaçonave.

Essa efetividade é um misto de acertos tanto do elenco quanto da direção de Julius Onah, já que em várias cenas a tensão consegue tomar conta da história, mostrando que ele entrega bem o que se espera de um thriller espacial. A produção consegue criar um ótimo cenário com os efeitos práticos do interior da nave, mas que não são de mesma qualidade quando necessita dos efeitos especiais, criando um contraste que empobrece o visual.

Os problemas de Cloverfield Paradox são mais pungentes no que a produção significa para a franquia, já que esse é o longa que tenta criar um contexto plausível para o evento que desencadeia o filme original, mesmo que isso nunca tenha sido necessário ou uma indagação realmente preocupante para os fãs daquele universo. Ao mesmo tempo, ele soa como uma desculpa forçada para criar outras histórias envolvendo os monstros apresentados nos três longas em produções futuras – ainda mais que o quarto já foi filmado por completo e se passa durante a Segunda Guerra Mundial.

Com uma narrativa que é explicativa, pobre no desenvolvimento dos personagens e que só cria questionamentos sobre possíveis pontas soltas, Paradox soa perdido no espaço-tempo da própria franquia ao buscar surpreender com um space thriller nos moldes de Alien, mesmo que no fundo só esteja tentando contextualizar mistérios que nunca foram relevantes para Cloverfield e, assim, criar novas abordagens desse universo em futuras produções.

Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via n-Experts.

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