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Embora o som seja 50% de um filme, Hollywood parece ignorar o árduo trabalho

schedule23/02/2018, às 21:03

As pessoas envolvidas na indústria cinematográfica hollywoodiana vagamente entendem o trabalho de um editor, de um diretor de fotografia ou até mesmo de um designer de produção, mas até mesmo os mais experientes veteranos do ramo têm se confundido com a atuação dos produtores de áudio.

E isso é algo bastante irônico, porque alguns filmes lançados em 2017 foram responsáveis por detalhes sonoros inesquecíveis, como o tintilar de uma xícara de chá em Corra! ou os hologramas em Blade Runner 2049, a intensidade exagerada de Alma raspando sua torrada em Trama Fantasma, os barulhos das batalhas ouvidos pelos soltados amontoados abaixo do convés em Dunkirk, e até mesmo o silêncio dramático em momentos-chave de Star Wars: Os Últimos Jedi.

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Preferências errôneas

No entanto, os críticos de cinema raramente destacam o trabalho detalhado dos produtores de som, e quem ganha o crédito geralmente é a Dolby; ou seja, esses especialistas acabam valorizando mais os instrumentos em vez dos artesãos.

A indústria cinematográfica inteira parece se fazer de surda quanto a esse assunto: diversos produtores recebem destaque nos créditos, mas quem realiza o trabalho sonoro dos filmes, não. Segundo a Variety, George Lucas disse uma vez que o som é 50% da experiência no cinema, mas, muitas vezes, um leigo ignora as contribuições porque não fica claro quem é responsável pela escolha sonora.

Por exemplo: em Blade Runner 2049, há um diretor de fotografia (Roger Deakins), um editor (Joe Walker) e nada menos que 33 pessoas listadas no segmento de efeitos sonoros, incluindo nomeados ao Oscar por edição de som, como Mark Mangini (Supervisor de Edição Sonora) e Theo Green (Designer de Som).

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Trabalho complexo

Nada do que você ouve em um filme é acidental: o som distante de um trem, o murmúrio de pessoas em outras mesas no restaurante — todos são cuidadosamente inseridos por algum motivo. Mangini diz que criou 2.850 sons exclusivamente para Blade Runner. Alguns eram destinados a coisas que nem existem, como osspinners (veículos), os sons de um nascimento de replicantes, entre outros.

Para fazer jus a tanto empenho, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas talvez tenha que repensar as categorias de som da premiação. Por exemplo, a “Mixagem de som”, que incorpora diversos aspectos, poderia ser desmembrada em vários outros prêmios para dar destaque a tantos trabalhos complexos e preciosos em uma obra do cinema.

Este texto foi escrito por Roberto Hammerschmidt via n-Experts.

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