A Marvel Studios possui sua fórmula narrativa que torna muitos de seus filmes semelhantes em características básicas, mas ainda permite que as produções tenham estilos diferentes, seja por causa da abordagem dada pelo diretor ou do que estrutura o gênero em que se enquadra aquele longa. O exemplo máximo de todos os longas do estúdio é Guardiões da Galáxia, que permitiu a James Gunn, um diretor antes conhecido por projetos menores e roteiro de produções pouco badaladas, ter espaço suficiente para tornar a jornada dos desajustados cósmicos uma mistura colorida, divertida e emotiva inspirada nos anos 80.
Enquanto os filmes anteriores tinham um estilo de humor mais contido ou que soasse mais preciso para momentos específicos, como o soco de Hulk em Thor em Vingadores ou Tony Stark interagindo com os soldados antes de ser capturado pelos Dez Anéis, James Gunn nunca tentou fazer de sua produção algo que se levasse muito a sério. E isso já fica evidente com a dança de abertura de Peter Quill e se intensifica com piadas sexuais, a dificuldade de Drax para compreender o significado das coisas e, principalmente pela forma como o protagonista tira a atenção do vilanesco kree Ronan no terceiro ato.
Nossos vídeos em destaque

O visual colorido e oitentista que James Gunn tanto adora foi abraçado pelo público e ganhou espaço ao inspirar o estilo de Thor: Ragnarok, permitindo que um cineasta tão inexperiente em grandes produções e com um humor bastante característico, como Taika Waititi, também comandasse umblockbuster de heróis. O que antes era improvável de levar ao cinema, como uma árvore falante e um guaxinim badass, mostra o quão efetiva é a construção daquela narrativa, só confirmando que situações mais esdrúxulas poderiam ser levadas às telonas.
Entretanto, nada é mais surpreendente em Guardiões da Galáxia do que o fato de a trilha sonora ser um elemento vivo, tornando-se parte fundamental da narrativa – um dos aspectos mais criticados em outras produções da Marvel Studios. James Gunn convenceu seus superiores na Disney de que elas eram essenciais para sua ideia do grupo cósmico, comprovou sua visão pelo sucesso, repetiu a receita na sequência e viu músicas da cultura pop ganhando mais espaço emtrailers e longas de super-heróis. Anos depois, o estúdio daria um carinho mais especial a esse aspecto em Pantera Negra, permitindo que o consagrado rapper Kendrick Lamar conduzisse um disco exclusivo sobre a adaptação solo do rei de Wakanda.
Ao mesmo tempo que conseguia ser divertido e colorido, Guardiões da Galáxia ainda era o longa mais emocional da Marvel Studios, seja pelo relacionamento que Peter Quill tem com as lembranças deixadas pela sua mãe ou pela autodepreciação que o Rocket Raccoon tem dele mesmo. Mas o ponto principal disso é como há um peso dramático numa morte bem construída, como é a de Groot ao salvar seus amigos e soltar um caloroso “We are Groot”. Aquele ponto cria a emoção instantânea para que você se preocupe com um personagem que nem tem uma história prévia construída para gerar empatia.

James Gunn acreditou na sua versão divertida, colorida e musical para os Guardiões da Galáxia, dando vida a um dos maiores sucessos de crítica e público da Marvel Studios, mesmo que tais personagens nunca tivessem sido relevantes fora dos quadrinhos. Esse estilo narrativo influenciou o próprio estúdio e até mesmo outros blockbusters nos anos seguintes, que tentaram reproduzir a fórmula da equipe liderada por Peter Quill, mas falharam copiosamente por não fazer daquilo algo verdadeiro e coerente em relação à trama.
Anteriormente neste Especial:
- Aquecimento Guerra Infinita: expandindo possibilidades em outras realidades
- Aquecimento Guerra Infinita: Thanos, o vilão da autossabotagem
- Aquecimento Guerra Infinita: a evolução das personagens femininas no MCU
- Aquecimento Guerra Infinita: o futuro da Marvel Studios
- Aquecimento Guerra Infinita: O Visionário, a Divindade e o Soldado
Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via nexperts.
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)