Troco em Dobro traz ação policial genérica (CRÍTICA)

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Filmes de ação e aventura baseados em casos policiais formam um gênero canonizado há décadas no universo cinematográfico. Que atire a primeira pedra (ou granada) quem nunca assistiu a produções protagonizadas por Bruce Willis, Steven Seagal, Arnold Schwarzenegger, entre outros brucutus que até hoje estrelam sessões noturnas da Tela Quente ou Domingo Maior.

Ainda com fôlego, a vertente continua firme e forte, e astros como The Rock e Vin Diesel encabeçam grandes blockbusters que arrecadam montanhas de dinheiro anualmente. Mark Wahlberg também faz parte dessa “nova” leva de atores parrudos e, agora, chega detonando tudo no original da Netflix Troco em Dobro, baseado no romance Wonderland, de Ace Atkins, que traz algum vislumbre de tiro, porrada e humor.

Spenser é um policial destemperado e problemático, embora incorruptível, que acaba sendo expulso da academia após quase matar seu superior à base da porrada. Depois de passar 5 anos preso, o ex-detetive busca recomeçar sua vida, mas não sem antes resolver problemas do passado com ajuda de seus parceiros. Quem assina a direção é o experiente Peter Berg, diretor de HancockBem-Vindo à Selva22 Milhas e O Dia do Atentado. Berg tem uma boa noção de intensidade e sabe como equilibrar a ação. Na sua nova obra, no entanto, desperdiça potencial com uma concepção genérica e efêmera.

Troco em Dobro traz o arquétipo de dupla dinâmica porradeira e boa de tiro, que tão logo forma aliança com demais figuras culminando em uma grande sequência final de ação ao melhor estilo Velozes e Furiosos. Há um esboço disso aqui, mas só um esboço mesmo, pois é tudo muito superficial: o roteiro é pobre e confuso – tem dificuldades para trafegar do dramático ao cômico –, as relações pessoais são ligeiras e mal exploradas, a pancadaria é ok, as resoluções são previsíveis, o humor não se sobrepõe... pode-se resumir em um amontoado de elementos já utilizados paulatinamente em obras semelhantes do passado, sem inspiração alguma aqui, todavia.

Wahlberg, interpretando ele mesmo, dá vida a um Spenser justiceiro de humor ríspido e temperamento quente, estando acomodado em sua zona de conforto artística. Não oferece nada muito além do que pôde ser visto em Sem Dor, Sem Ganho O Grande Herói, por exemplo, e sabe-se que ele é melhor do que isso.

Falando em ser melhor, Winston Duke vem surpreendendo ano após ano com excelentes interpretações, vistas em NósPantera NegraVingadores Modern Family. Em Troco em Dobro, infelizmente, seu personagem é subjacente e abstrato, bem como praticamente todos os outros rostos da trama: Alan Arkin, Iliza Shlesinger, Bokeem Woodbine, e até mesmo o rapper Post Malone… atirados a um pastiche de tramas de ação.

Troco em Dobro tem a capacidade de rememorar filmes que assistíamos toda santa segunda-feira naquela emissora que você está pensando, porém peca por trazer uma trama excessivamente genérica em todo o seu escopo. Pouco funciona na ação, pouco funciona no humor, contabilizando mais um filme caça-níquel disponível no extenso catálogo da Netflix.

Texto escrito por Fabrício Calixto de Oliveira via Nexperts.

Troco em Dobro traz ação policial genérica (CRÍTICA)