Indicação da Semana #6: The Midnight Gospel traz aventura filosófica

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As séries animadas ganham públicos, geralmente, de todas as faixas etárias. Entretanto, nos últimos tempos, as animações voltadas especificamente para o público jovem ou adulto têm crescido cada vez mais. 

Em um cenário repleto de produções super elaboradas, novos desenhos animados vêm surgindo para suprir a necessidade de renovação de linguagem, estilo e narrativa.

(Netflix/Reprodução) Netflix/Reprodução

Pensando nisso, a Netflix lançou The Midnight Gospel, que é a nossa indicação da semana. A série apresenta um ambiente inusitado e um tanto quanto psicodélico para narrar sua história. 

Há quem compare a trama com uma mistura do filme The Wall, do Pink Floyd, e com a série britânica Monty Python's Flying Circus — tudo isso com a benção de Douglas Adams, criador do Guia do Mochileiro das Galáxias.

Criada por Pendleton Ward, de Hora de Aventura, e também por Duncan Trussell, a narrativa apresenta uma espécie de podcast filosófico, além de estar repleto de situações non-sense (mas que na verdade fazem todo o sentido).

As dimensões de Ward

Essa é a primeira série animada desenvolvida por Pendleton Ward para a plataforma de streaming, mas com o sucesso atual de The Midnight Gospel, certamente, poderemos esperar novas parcerias entre o roteirista e a Netflix.

Ward, inclusive, se inspirou em um podcast que admirava, ainda enquanto trabalhava em Hora de Aventurapara compor os personagens e as aventuras de seu novo projeto. 

O intitulado Duncan Trussell Family Hour, de Duncan Trussell, um antigo colega de trabalho, discutia filosofia de uma forma bastante irreverente. Ainda segundo ele, a forma como Trussell conseguia lidar com certos assuntos deixava tudo mais divertido, sendo capaz de ouvi-lo falar sobre meditação durante quase 2 horas.

(Netflix/Reprodução) Netflix/Reprodução

Sendo assim, Ward iniciou seus trabalhos com The Midnight Gospel cruzando todas essas discussões repletas de questões filosóficas, mas com uma pitada de psicodelia ligada ao problema da dependência às drogas, à viagem espacial e aos zumbis.

Netflix comprou a ideia e encomendou a 1ª temporada, que começou a ser produzida no ano passado. A série estreou em 20 de abril de 2020 e, desde então, já acumula diversos fãs que gostaram das discussões trazidas pelos personagens.

E do que a série trata?

Em muitos aspectos, a nova série de Ward trata de temas recorrentes em sua carreira como roteirista. A Hora de Aventura traz uma espécie de cenário pós-apocalíptico extravagante, e The Midnight Gospel aposta firmemente em um discurso de que o fim do mundo é algo inevitável. 

A série ainda aborda, com seu protagonista, uma boa reflexão acerca da humanidade e seus desdobramentos ao longo da história. As mensagens, quase que lidas, são pontos fortes do desenho.

Clancy, dublado por Trussell, é um homem no auge da meia idade que passa seus dias fazendo viagens interplanetárias para descobrir o que há de bom e de ruim em mundos desconhecidos.

(Netflix/Reprodução) Netflix/Reprodução

Por meio dessas viagens, ele busca entrevistas que sejam interessantes e colaborem um pouco mais com sua visão curiosa sobre tudo. Nelas, Clancy também obtém objetos colecionáveis e ciladas, que muitas vezes podem ser fatais.

Entretanto, essa rotina um tanto quanto solitária mostra como esses mundos descobertos vão ruindo ao longo do tempo. À medida em que tudo acontece, temos a impressão de que o personagem terá um percurso cíclico ao longo dos episódios; algo bem interessante na construção narrativa.

Um espelho da vida?

Na epígrafe de seu romance O Homem Duplicado, o ganhador do Nobel de Literatura José Saramago já afirmava que o caos era uma ordem por decifrar. Talvez esse pensamento não esteja tão longe da realidade construída por Ward. 

Embora tudo pareça ser extremamente aleatório e confuso — e com o caos sendo lembrado em seu sentido mais puro — há uma certa coerência significativa que dá um tom muito único ao que é apresentado ao espectador.

(Netflix/Reprodução) Netflix/Reprodução

Nesse sentido, os episódios apostam em retratos bem-alegóricos da sociedade e de como o fim do mundo ocorreria nessas circunstâncias. Alguns espectadores afirmam que o seriado deve ser visto chapado, o que talvez seja um erro, já que ele traz muitas reflexões interessantes com relação ao estado, ao capitalismo e à religião.

Para aqueles que gostam apenas de animações com personagens bizarros e aleatoriedades, essa será uma boa pedida. Já para quem gostou de Hora de Aventura ou Rick and MortyThe Midnight Gospel é quase obrigatória e certamente entrará para o hall de animações adultas com grandes temas e discussões!

Que venha a 2º temporada!

Texto escrito por Matheus Rocha da Silva via Nexperts.

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