Ajit Pai ganhou destaque nos últimos meses não apenas por presidir a FCC, a agência governamental responsável por regulamentar as telecomunicações nos Estados Unidos, mas também por assumir papel central na revogação da neutralidade da rede no país. Agora, ele volta aos holofotes por ser alvo de uma investigação conduzida pela própria FCC.

No inquérito iniciado no final do ano passado, Pai é suspeito de acelerar a remoção de barreiras que impediam a concentração no mercado de transmissões de TV nos EUA. As suspeitas são de que o presidente da FCC teria agido diretamente no processo a fim de favorecer a aquisição do Tribune Media pelo Sinclair Broadcast Group.

Segundo uma reportagem do jornal The New York Times (NYT), o processo pode levar Pai a ter que falar publicamente sobre temas dos quais ele tenta se esquivar nos últimos meses. A própria publicação informou em outra reportagem que o líder da FCC e sua equipe realizaram diversas reuniões com executivos da Sinclair durante o ano passado.

Ativistas da liberdade de imprensa e políticos do Partido Democrata afirmam que a aquisição da Tribune Media pelo grupo Sinclair reduz a diversidade de opiniões na mídia, além de reduzir o aspecto regional da cobertura de notícias. Se concluída, a união entre Sinclair e Tribune formaria a maior rede de TV dos EUA, atingindo 70% de todos os domicílios no país norte-americano.

Quando vieram à tona as primeiras suspeitas de que Pai poderia ter favorecido a movimentação que facilitou a negociação entre Sinclair e Tribune, um representante da equipe do chefe da FCC apenas afirmou que elas “não têm base”. Desta vez, nem Pai nem o grupo Sinclair se pronunciaram sobre as novas acusações.