Dias mais curtos do inverno alteram emissão de melatonina (Fonte da imagem: iStock)

O transtorno afetivo sazonal, popularmente conhecido em inglês como SAD (seasonal affective disorder), é uma espécie de depressão que costuma afetar algumas pessoas durante o inverno e, em especial, os moradores de países que ficam mais ao norte do planeta, já que enfrentam noites muito longas e dias bem mais curtos nessa estação.

A primeira descrição médica desse caso surgiu apenas em 1984, mas é possível perceber que esse mal assolava algumas pessoas há muito mais tempo, como indicado na obra de escritores e poetas de antigamente. Apesar de os sintomas desse transtorno serem notados anualmente em diversas pessoas, esse diagnóstico sempre foi visto com um pouco de ceticismo pelos especialistas. Agora, novas pesquisas começam a mudar a percepção da comunidade científica sobre esse assunto e a mobilizar pesquisas em torno das possíveis causas desse transtorno.

Melatonina, a vilã da noite

A maior parte das pessoas identifica a mudança na duração de dias e noites como sendo a principal causa do SAD. Na Flórida, por exemplo, cerca de 1,4% da população adulta apresenta sintomas do transtorno afetivo sazonal, enquanto o número sobe para 10% em locais como o Alasca e New Hampshire. Mas, recentemente, estudos demonstraram que a melatonina, um hormônio emitido pelo cérebro durante a noite, tem maior emissão nas pessoas diagnosticadas com SAD.

A melatonina possui um papel fundamental no ciclo circadiano de mamíferos, ou seja, ela mantém o relógio biológico que ajuda a controlar uma série de funções do corpo humano executadas diariamente. Segundo o biólogo Bora Zivkovic, da Scientific American, “é importante ter em mente que o total de luz recebida, sua quantidade ou qualidade, não importa para a reação fotoperiódica dos mamíferos. O importante é o tempo de duração da noite percebido pelo núcleo supraquiasmático (SNC), a principal peça do cérebro no controle do ritmo cicardiano”.

Durante o dia, o SNC inibe a secreção de metalonina— e essa secreção é o sinal que o corpo entende como sendo a duração da noite. Isso acaba sendo lido e interpretado por outras partes do cérebro e disparando mudanças fisiológicas, psicológicas, morfológicas, reprodutivas e até mesmo de comportamento de maneira mais adequada ao período em que a pessoa se encontra.

Em alguns animais, essas mudanças são percebidas com mais intensidade. Alguns mamíferos, por exemplo, acabam hibernando ou entrando em períodos de acasalamento. Nos humanos, essas alterações sazonais se manifestam na forma de SAD, e a intensidade dos sintomas sentidos varia de acordo com a emissão de melatonina.

A influência da luz artificial

Apesar dos estudos citados acima, existe um fator importante e que nos diferencia dos demais animais: nós usamos a luz artificial diariamente e isso também afeta o nível de melatonina em nosso corpo e, por extensão, o nosso bem-estar físico e emocional.

(Fonte da imagem: ThinkStock)

Um estudo publicado no Jornal de Fisionlogia Aplicada, por exemplo, demonstrou que a luz emitida por telas de computadores suprime a secreção de melatonina e a sensação de sonolência, causando um impacto significativo no ciclo cicardiano e nas performances de alerta e cognição. Isso explicaria, por exemplo, a razão pela qual muitos “viciados” em internet e computadores têm dificuldade para dormir.

A parte boa de tudo isso é que, ao mesmo tempo em que a luz artificial afeta nosso ciclo do sono negativamente, ela também pode ser usada ao nosso favor, ou seja, basta controlar melhor a exposição de alguém à luz para que o ritmo corporal dela volte ao normal, junto com uma melhor percepção corporal da duração da noite e, consequentemente, normalizando a emissão de melatonina.

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