(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Linus Torvalds, criador do Linux, é um dos indicados para o prêmio Millenium Technology Prize, um dos mais importantes do segmento. Concedido a cada dois anos, o prêmio já foi recebido por Tim Berners-Lee, um dos criadores da internet. Neste ano, Torvalds concorre com Shinya Yamanaka, médico que vem contribuindo para as pesquisas com células-tronco.

Enquanto o vencedor não é conhecido, uma vez que o resultado será divulgado apenas em 13 de junho, o site TechCrunch entrevistou por email o criador da plataforma Linux. Na conversa, Torvalds abordou diversos assuntos e o resultado é uma ótima oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os seus gostos pessoais e saber o que ele pensa para o futuro do SO. A entrevista foi feita por Scott Merrill.

Scott Merrill: Você usa um MacBook Air porque quer um computador silencioso e de qualidade. Você já pensou em usar a sua fama ou parte da sua fortuna para se lançar nesse mercado?

Linus Torvalds: Eu sou um bom engenheiro de software, mas não sou conhecido por ter um bom senso de estética. Uso meias brancas e sandália e isso não se traduz em um design muito bonito. E, de forma alguma, me imagino no desenvolvimento de hardware.

Entretanto, me deixa surpreso o fato de ninguém mais ter feito o que a Apple fez com o MacBook Air. Já faz um bom tempo desde o lançamento do produto e até hoje os fabricantes continuam empurrando para os consumidores computadores desajeitados e feios. Não acho que um notebook que pese mais de um quilo seja uma coisa boa.

Scott Merrill: Demorou um tempo considerável para os fabricantes de hardware perceberem o Linux como uma plataforma viável, mas hoje é cada vez maior o número de empresas que buscam essa compatibilidade. Não existe aí uma oportunidade para a comunidade Linux, e em especial para você, de influenciar a criação de notebooks melhores para todos?

Linus Torvalds: Acho que uma das coisas que tornou a Apple referência nisso é o foco que eles têm sido capazes de manter. Outros fabricantes tendem a não colocar todos os ovos em uma cesta e por isso preferem apostar em variedade e no design básico. Eu não sou um fã da Apple porque acho que eles realmente fizeram coisas ruins, mas tenho que dar crédito a eles por terem bons designers e, principalmente, muita coragem.

Não acho que hoje valha a pena se preocupar muito com laptops. O MacBook Air foi, e de certa forma ainda é, à frente do seu tempo. A computação doméstica razoavelmente barata foi o que mudou a minha vida. Por isso, acho que uma boa forma seria incorporar máquinas eficientes em meio a brinquedos, ampliando as possibilidades de desenvolvimento.

Scott Merrill: Como a sua família se sente sobre o que você faz para viver?

Linus Torvalds: Eles nunca me viram fazendo outra coisa, então eu não imagino que eles tenham parado para pensar sobre isso. Nenhum dos meus três filhos até agora demonstrou interesse pelos computadores, nada além de serem usuários comuns que usam o Linux para fazer qualquer coisa.

Scott Merrill: O que você gostaria de dizer às pessoas e que ninguém nunca se preocupou em perguntar?

Linus Torvalds: Eu não tenho uma mensagem para as pessoas. Fiz e faço o Linux porque é divertido e interessante e porque gosto de apreciar o desenvolvimento social de coisas abertas, mas realmente não tenho nenhuma mensagem para dizer às pessoas. Eu gosto do processo e de escrever software. Eu gosto de tentar fazer as coisas funcionarem melhor. E estou muito feliz por saber que tenho muitas coisas pela frente para fazer mesmo depois de 20 anos de trabalho.

Scott Merrill: Se você pudesse dar um prêmio para alguém, quem seria o seu homenageado?

Linus Torvalds: Meus heróis ainda são os verdadeiros cientistas. Acho que se eu fosse escolher alguém eu premiaria Richard Dawkins (escritor de divulgação científica conhecido pela sua visão evolucionista).

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