Corporação (".cor") ou comercial (".com") ao final dos endereços? (Fonte da imagem: Reprodução/BlogAngeloni)

Há quase três décadas, uma dúzia de sujeitos se reunia em uma sala. O tema discutido não tinha, na época, uma importância tão grande e diversas sugestões foram, sem muito compromisso, colocadas sobre a mesa. A pauta? Como, afinal, os domínios registrados na web deveriam ser registrados? Sabemos que a internet quase foi chamada de catenet. Pois agora outra curiosidade acabou vindo à tona: o tradicional “.com” quase se transformou em “.cor” (de corporação).

Em uma reportagem especial sobre as origens da internet para o The Atlantic, a jornalista Monica Hesse reproduz a fala de Craig Partridge, um dos cientistas envolvidos na negociação sobre a forma final que deveria ser adotada pelos domínios na web. “As reuniões não eram formais. Elas aconteciam nos corredores, casualmente”, relembrou Partridge.

A internet seria objeto de quem?

As principais instituições envolvidas em pesquisas nos primórdios da internet eram, por óbvio, as universidades. Dessa forma, cogitou-se colocar ao final de cada endereço a sigla que denomina um ou outro centro de estudos. “.mit” para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, por exemplo. Mas e como a gigantesca rede de computadores poderia atrair investidores e, até mesmo, ser usada por eles se esses tipos de domínios fossem implantados?

Há, hoje, domínios registrados por categorias. (Fonte da imagem: Reprodução/Revistaespiritolivre)

A solução ao tal problema foi apresentada: que tal separar os domínios por categorias? “.edu”, a universidades, e “.cor”, a corporações. Fato é que até o início da década de 1980 esse tema ainda pairava pelo ar, sem encontrar um apoio sólido ou definitivo nos círculos de discussão entre os “pais da internet”.

A votação

Eis que, então, 12 sujeitos levaram a outra das reuniões diversas sugestões de nomes para os domínios. A lista era larga. Continha ideias como “.edu”, “.net”, “.org”, “.ARPA” e, finalmente, “.com” (de comercial). É curioso notar que, hoje, algumas das velhas sugestões encontram-se estampadas em domínios de sites que prestam determinados serviços públicos ou que representam um ou outro setor do governo.

Mas, naquela sala, o “.com” foi o domínio vencedor – “não se sabe bem o porquê”, como escreve a jornalista ao dizer que Partridge pouco se recorda do dia da votação. Os interesses comerciais sobre a recém-nascida internet já se mostravam presentes? Quem diria que uma decisão leviana tomada nos idos de 1980 iria fundamentar a existência de milhões de sites registrados algumas poucas décadas depois?

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