AmpliarImagine a seguinte cena: chegou a hora do almoço e você está fora de casa, precisando de um restaurante. Para não andar à toa, saca seu smartphone para fazer uma busca de estabelecimentos próximos e, para a sua surpresa, o Google já trouxe todos os resultados antes mesmo que você pensasse em acessá-lo. Feitiçaria, dominação mundial ou simplesmente tecnologia?

Pode parecer algo bem absurdo e um prato cheio para os amantes de teorias da conspiração, mas o maior buscador do planeta está realmente trabalhando em um método de apresentar respostas para perguntas ainda não feitas. Porém como isso está sendo feito?

O desenvolvimento dessa tecnologia ainda está em sua etapa inicial, tanto que a empresa reuniu um grupo de voluntários para testar algumas dessas ferramentas a fim de pesquisar comportamentos e possíveis formas de antecipá-los com a ajuda da tecnologia para facilitar a vida do usuário. Ao mesmo tempo em que a ideia parece ser incrivelmente assustadora, ela também se mostra extremamente útil.

De acordo com o chefe da equipe responsável por esses estudos, Jon Wiley, a proposta é identificar as “necessidades escondidas” de cada pessoa a partir daquilo que ela faz tanto no ambiente online quanto fora dele para otimizar não somente o resultado das buscas, mas também o momento em que isso vai ser apresentado e sem que o indivíduo tenha de perder tempo digitando.

Monitoramento total

É claro que tal conveniência não viria sem um preço. Para que essas tais necessidades sejam identificadas e mapeadas, é preciso que a Google colete muitas informações sobre você — e aí é que está o principal problema da novidade. Segundo Wiley, não é preciso muita coisa para traçar esse pequeno perfil, já que basta um único dispositivo móvel para mapear algumas tendências.

Ampliar (Fonte da imagem: Reprodução/CalWatchdog)

No caso de um smartphone, o próprio GPS e os demais sensores pré-instalados servem para a coleta de dados. No exemplo citado, o serviço de geolocalização não vai apenas mostrar o bairro onde você está, mas catalogar todos os restaurantes que você visitou nos últimos meses para saber que tipo de comida você gosta para, então, trazer sugestões relevantes para você. O problema é que, para isso, você precisa ser constantemente monitorado — o que é assustador.

Conforme a empresa explica, a base desse novo sistema é cruzar as informações pessoais coletadas a partir de alguns serviços — seja em sites da própria Google ou naqueles que se aproveitam de algum tipo de ligação com eles — com conteúdo hiperlocal. Esses dados são comparados com o contexto regional em busca de tendências, ou seja, aquilo que outras pessoas com um perfil semelhante ao seu podem estar procurando.

Ampliar (Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros.)

Com isso, a Google pretende fazer com que esse novo sistema ajude as pessoas a encontrarem aquilo que nem elas pensaram em pesquisar, o que pode ser muito promissor e interessante, principalmente para resolver pequenas questões do cotidiano que achamos que não valem o esforço de correr para o computador ou sacar o celular. Por outro lado, também abre margem para uma quantidade absurda de publicidade seja enviada diretamente para o usuário, indiscriminadamente.

O que esperar?

Além das buscas contextuais que aparecerão em nossos aparelhos antes mesmos de solicitarmos tal ação, as pesquisas desenvolvidas podem ajudar outros produtos da empresa. Um deles é o Google Glass, os óculos futuristas apresentados pela companhia neste ano, que pode se aproveitar exatamente dessa praticidade para criar uma experiência autônoma em que o indivíduo não precisa mais das mãos para realizar suas pesquisas e encontrar o que deseja.

Pode parecer algo bem absurdo, mas é algo que, aos poucos, vem tomando forma. Por mais que os estudos e testes ainda estejam engatinhando, os primeiros passos realmente práticos já começaram a ser dados, principalmente com o Google Now, o serviço de informações que traz vários conteúdos úteis ao usuário — como previsão do tempo no local, horários de voos próximos e situação do trânsito na região — sem que ele precise pedir por isso.

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