De acordo com um artigo publicado na revista Nature Neuroscience, é possível implantar memórias artificiais em ratos durante o sono. Se for possível aplicar o processo em humanos, o método pode ser usado para tratar o transtorno de stress pós-traumático, dizem os pesquisadores.

No estudo, cientistas usaram implantes elétricos no cérebro dos roedores, que criava uma sensação de "recompensa" toda vez que o animal pensava numa determinada localidade durante o sono. Quando acordados, os ratos rumavam para o local, indicando que a memória foi implantada.

Pesquisas anteriores já demonstraram que a memória pode ser criada e manipulada em ratos, mas os descobrimentos publicados nesta semana mostram que isso pode ser feito durante o sono. "Aprender durante o sono sempre foi um sonho, com o perdão do trocadilho", diz Karim Benchenane, um dos autores do estudo, indicando uma de suas aplicações.

Implantando memória

O experimento foi feito em 12 ratos de laboratório com implantes cerebrais. Os animais foram colocados numa área circular com um metro de diâmetro e os implantes permitiam ao s pesquisadores identificar as células cerebrais que eram ativadas quando o roedor entrava em uma área em particular.

Estudos anteriores já demonstraram que diferentes grupos de células são ativadas quando o animal circula pelas várias áreas. Chamadas de células de lugar , elas funcionam como um GPS natural. Cinco dos ratos foram estimulados com sensação de recompensa toda vez que as células relacionadas a esse local específico eram ativadas durante o sono.

Quando os roedores acordavam, eles ficavam quatro vezes mais tempo nessa localidade do que antes de o experimento começar. O mesmo acontecia com outros cinco ratos que eram estimulados pelo implante em vigília. O grupo de controle, dois animais que não recebiam estímulo nenhum, não mudou seu comportamento.

Cientistas veem que o método pode ser usado, em teoria, para atenuar os efeitos do transtorno de stress pós-traumático, ao associar com sensações positivas toda vez que a lembrança do evento perturbador surgir durante o sono. Os pesquisadores só não sabem como fazer isso sem usar meios tão invasivos como os implantes.

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