O computador é, sem dúvida alguma, uma ferramenta que veio para ficar. Não importa o tipo de atividade, quando o computador entra em cena nela sua produtividade/eficiência tende a melhorar significativamente. Entretanto, para que essa melhora ocorra é necessário haver pessoas que dominem o uso do computador e atividades envolvidas em sua implementação, pois caso contrário, o investimento feito para adquirir as máquinas não terá valido de nada.

Recentemente o Ministério da Educação (MEC) anunciou sua intenção de levar 356,8 mil computadores a escolas públicas, urbanas e rurais, via seu programa de inclusão digital denominado Proinfo. Na verdade, o MEC não comprará tantos computadores assim, pois ele se valerá do recurso da virtualização e do compartilhamento de computadores. Fato que fará com que o cada computador seja equivalente a dez, bastando ter um monitor, teclado e mouse para cada um.

Com certeza tal medida parece ser bastante barata, pois com três computadores, cada um custando em média 50 dólares (sem contar o custo com os periféricos citados), pode-se manter uma sala de, em média, 30 alunos ocupada.

As vantagens de se ter um laboratório de informática na escola

Hoje, muitas pessoas ainda não sabem digitar rapidamente, acessar sites na Internet, usar editores de texto (como o Word), montar planilhas no Excel e criar apresentações no PowerPoint. Tais pessoas têm uma dificuldade enorme em se qualificar em uma entrevista de emprego que exija tais requisitos.

Mudar essa situação (na teoria) é simples, basta seguir a seguinte “fórmula”: escolas com laboratórios de informática abertas à comunidade + pessoas dispostas a ensinar gratuitamente o que sabem = qualificação solidária de mão-de-obra.

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Além disso, os laboratórios servem para que os alunos dessas escolas possam aprender as referidas habilidades desde cedo, chegando, dessa forma, ao mercado de trabalho com o mínimo daquilo exigido.

A falta de um treinamento específico

Porém, apesar de tudo isso parecer ótimo, deve-se ressaltar o seguinte: uma grande quantidade de professores (assim como alunos) ainda não sabe usar o computador de maneira satisfatória.

Para Paulo Freire, educador brasileiro considerado um dos pensadores mais notáveis da história da pedagogia mundial, o uso da tecnologia não deveria ser realizado de qualquer modo ou sem a devida preparação, no entanto, isso é justamente o que acontece hoje em dia. Para exemplificar isso, será citado um caso ocorrido na década de 1990 envolvendo o Governo do Estado do Paraná.

Do Windows para o Linux do dia para a noite

Naquela época (por volta de 1996) o governo ainda usava o Windows em seus computadores, porém, a versão utilizada já era antiga demais e precisava ser atualizada para que os servidores públicos pudessem trabalhar melhor. Entretanto, aqueles eram tempos não muito propícios para que um gasto tão grande fosse feito e, devido a isso, resolveu-se que o governo passaria a usar o Linux, sistema operacional gratuito, em seus computadores.

Desde então, todo novo funcionário público admitido deve comprovar, mediante concurso público, que sabe usar o Linux. Até aí tudo bem, no entanto, todos aqueles que entraram antes de o Linux ser adotado foram obrigados a aprender a usá-lo por conta própria, pois não receberam treinamento algum do Estado.

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A violência

Um fato “interessante” sobre laboratórios de informática nas escolas é que alguns diretores estão recusando-se a instalá-los devido ao temor de que a escola passe a ser alvo de assaltos. Tal atitude leva em conta a segurança em detrimento do “conhecimento” e da “inclusão digital”, mas com certeza é uma escolha sábia.

A violência, de modo geral, gera um círculo vicioso, pois ela é um fruto da falta de oportunidades e educação das camadas mais baixas da sociedade, assim como, acaba por impedir que a educação seja disseminada, que caso contrário geraria oportunidades para aqueles privados da educação. Ou seja, a máxima “violência gera violência” é real.

Como resolver essa situação

Muitas pessoas, alunos e professores que saibam usar computadores, poderiam se solidarizar com aquelas que ainda não o sabem e ensiná-las. Pois dessa forma, o problema da falta de treinamento poderá ser resolvido sem a intervenção do Estado. Esse exemplo já vem sendo seguido há alguns anos em várias partes do Brasil, mas, com certeza, não é o único modo de ajudar.

Mas e você? O que acha que pode ser feito para incluir mais pessoas no mundo digital?

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