Matrix 4: nostalgia e muito deboche marcam retorno da franquia (crítica)

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Imagem: Divulgação/Warner Bros.
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Em um mar de revivals, remakes, adaptações e live-actions de qualidade duvidosa, está cada vez mais difícil se deparar com títulos que conseguem fazer isso com originalidade, mas sem perder a essência amada pelos fãs. A boa notícia é que a continuação de uma das maiores produções sci-fi da história do cinema estreia nesta quarta-feira (22) nos cinemas e tem tudo para te deixar satisfeito.

Matrix Resurrections, quarto filme da franquia de sucesso criada por Lilly e Lana Wachowski, é uma continuação poderosa e um final justo para a história de Neo (Keanu Reeves) e toda a sua trajetória incansável para libertar a humanidade da Matrix. O TecMundo já assistiu ao filme e confirmamos: Matrix Resurrections é um prato cheio de nostalgia, mas deve dividir opiniões dos fãs.

É metalinguagem que você quer, @?

Ainda que se apoie nas clássicas, e disruptivas para a época, cenas de luta em câmera lenta, as “bullet time”, e nos visuais “sobretudo-gel-couro”, o roteiro se propõe a trazer uma trama renovada e, principalmente, totalmente desinibida.

O ponto alto da produção é que Matrix Resurrections consegue se reinventar de forma despreocupada. Usa e abusa da metalinguagem para ironizar da própria existência — incluindo todas as teorias, especulações e filosofias envolvendo a trama que foram criadas pelos fãs ao longo dos anos.

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Em uma das cenas iniciais, Neo (que agora é um famoso designer de games e que não lembra de toda a sua saga como O Escolhido), conversa com o sócio sobre o rumo de sua franquia de jogos, focado, é claro, na Matrix. Na reunião, o executivo explica que eles deverão criar um quarto jogo para a franquia. "Não temos escolha, a Warner Bros., vai fazer uma continuação com ou sem a gente", diz.

Repleto de cutucadas como esta, o filme debocha da falta de criatividade da indústria, que tem investido agressivamente em revivals e remakes de grandes e rentáveis franquias nos últimos anos, sem deixar de refletir de maneira quase cômica sobre a própria trama.

Existe amor na Matrix

Não há como negar, a trilogia conquistou uma fama invejável desde o seu lançamento. A estreia de Matrix foi marcada pela virada do século, quando a sociedade se questionava quais seriam as consequências da evolução tecnológica.

Pode-se dizer que o filme conseguiu surfar no hype da época em que inteligencia artificial e realidade virtual ainda não eram temas amplamente discutidos em sociedade. Mas em pleno 2021, a trama parece dar um passo para trás e apostar em outra fórmula mais antiga: romance.

Além das questões tecnológicas e, principalmente, filosóficas abordadas na trilogia, os filmes desenvolveram também a história de amor, e sofrimento do final não-feliz, entre Neo e Trinity (Carrie-Anne Moss).

O quarto filme retoma com tudo o drama do casal, que, desta vez, é o ponto central da trama. Na história, a dupla não possui mais memórias um do outro, como já revelado no trailer, então resta esperar que O Escolhido faça as honras — e saia da Matrix — com a amada novamente.

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Ainda que o plot possa parecer sentimental demais para alguns — para aqueles que preferem assistir as lutas em câmera lenta, por exemplo —, a química entre Reeves e Moss continua a todo o vapor e compensa qualquer nariz torto na sala de cinema. Isso porque, passados quase vinte anos desde a estreia do terceiro filme, as motivações do casal ainda convencem com um desenrolar nada cansativo na tela.

Por falar em Carrie-Anne Moss, Trinity finalmente ganha seu merecido momento de glória na franquia, que sempre guardou a principal cadeira para Neo. Desta vez, Lana Wachowski ‘acertou a mão’ na narrativa da personagem, que termina a franquia com um arco ainda mais importante e empoderado.

Outro ponto forte do filme é a volta do Agente Smith, aqui interpretado por Jonathan Groff. A dinâmica entre Neo e o vilão continua fresca e garante uma das melhores cenas do longa.

MatrixJonathan Groff dá vida ao vilão Agente Smith (Reprodução/Warner)

O primeiro plot consegue segurar e amarrar a trama com os três primeiros filmes no melhor estilo Matrix. Algumas informações primordiais, no entanto, são explicadas mais rápido do que deveriam ao longo do filme, o que pode exigir uma segunda ida ao cinema — ou ao streaming — para entender e conectar todas as explicações. Mas nada que os fãs da franquia já não estejam acostumados, não é?

Após vinte anos, Lana Wachowski prova que ainda consegue entregar um filme original com uma trama já bastante conhecida do público. Mais do que um simples revival, Matrix Resurrections cumpre o que se propõe a fazer: uma homenagem de si mesmo com altas doses de crítica satírica e nostalgia para os fãs.