Estudo mostra efeitos do vício em video games no longo prazo

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O vício em video game é real? Essa foi a pergunta feita por pesquisadores da Universidade Brigham Young (BYU), nos Estados Unidos, na mais longa pesquisa já realizada sobre o tema. Os cientistas analisaram os sintomas e as trajetórias da dependência em jogos eletrônicos durante 6 anos, desde a  adolescência até o início da idade adulta.

A pesquisa, publicada no Developmental Psychology Journal, da Associação Americana de Psicologia, determina qual é a proporção de pessoas suscetíveis à dependência em video games. Os cientistas descobriram que, para 90% dos jogadores, os games são apenas um passatempo divertido, não sendo prejudiciais ou representando consequências negativas por muito tempo.

No entanto, 10% podem se tornar realmente viciados, com consequências de longo prazo para saúde mental, social e comportamental. O vício é caracterizado pelo tempo excessivo gasto jogando video game, pela dificuldade em parar de jogar e pela interrupção de outras atividades saudáveis devido aos jogos.

Resultados da pesquisa da BYU

(Fonte: Unsplash/Fredick Tendong)(Fonte: Unsplash/Fredick Tendong)Fonte:  Unsplash/Fredick Tendong 

Durante 6 anos, 385 adolescentes fãs de video game na transição para a vida adulta responderam a vários questionários uma vez por ano. O objetivo das perguntas era medir sintomas como depressão, ansiedade, agressão, delinquência, empatia, sociabilidade e timidez. Os relatórios buscavam identificar níveis de reatividade sensorial, estresse financeiro e uso problemático de telefones celulares.

Foram encontradas duas principais características dos viciados em jogos eletrônicos: ser homem e ter baixos níveis de sociabilidade. Graus mais altos de comportamento pró-social ou voluntário, destinado a beneficiar outra pessoa, tendiam a ser um fator protetor contra os sintomas de dependência.

O estudo ainda encontrou três trajetórias de vício em video games. Um nível baixo apareceu em 72% dos adolescentes pesquisados; 18% apresentaram sintomas moderados ao longo do estudo; e apenas 10% tiveram níveis crescentes e preocupantes de vício.

Desconstrução de estereótipo

(Fonte: Unsplash/Alexander Andrews)(Fonte: Unsplash/Alexander Andrews)Fonte:  Unsplash/Alexander Andrews 

O estudo também desconstruiu o estereótipo de jogadores que moram no porão dos pais e são incapazes de se sustentar financeiramente ou conseguir um emprego por causa da fixação em jogos eletrônicos. Pelo menos no caso das pessoas que participaram do estudo, os viciados em video games pareceram ser tão financeiramente estáveis e ter um desenvolvimento profissional quanto aqueles que não são dependentes.

Consequências do vício em video game

O grupo de 10% de adolescentes com alto grau de dependência apresentou níveis mais altos de depressão, agressão, timidez, uso problemático de telefone celular e ansiedade do que o grupo não patológico, mesmo ao controlar os níveis iniciais de muitos desses sintomas.

No início, os adolescentes pesquisados demonstraram ser iguais em todas as variáveis, o que sugere que o uso de jogos eletrônicos pode ter sido determinante para o desenvolvimento dos resultados negativos durante o período de realização da pesquisa.

Tratamento para dependência

A dependência em jogos eletrônicos já foi classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Alguns países, como o Reino Unido, têm clínicas privadas para o tratamento do distúrbio. Na Coreia do Sul, no Japão e na China, o governo criou dispositivos para limitar o uso excessivo dos games.

Em São Paulo, o Programa de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas já atendeu a 400 pacientes em 11 anos de existência. O tratamento dura 4 meses e meio, tem sessões de psicoterapia e pode incluir medicação contra depressão ou transtorno bipolar.

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