Aves de Rapina: o que achamos do filme da Arlequina [crítica]

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Há uma grande atenção e expectativa – e talvez até certa apreensão – da indústria de cinema quanto ao lançamento de Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Trata-se do primeiro grande blockbuster de 2019 sob o comando de uma diretora e do primeiro filme do selo DC Comics a chegar às telonas após o sucesso de Coringa, que abriu o universo de adaptações de quadrinhos para novas possibilidades.

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Apostando no talento e no carisma da atriz Margot Robbie, Aves de Rapina apaga de vez o legado de filmes irregulares da DC (como Batman vs Superman e Esquadrão Suicida) e se apresenta, em sua fantabulosa emancipação, com sua própria personalidade e estilo através da maluquice de sua grande protagonista, a Arlequina, que parte em aventura solo após o rompimento com o Coringa (o de Jared Leto, é bom lembrar).

A diretora Cathy Yan, que tinha apenas o pouco conhecido Dead Pigs como experiência em longas-metragens, entrega um filme de ação digno dos maiores blockbusters do gênero. As cenas de luta são bem estruturadas e editadas, com o devido cuidado na ambientação espacial e sem exagerar nos cortes de edição, equilibrando humor e um bom senso de violência. Essa combinação resulta em sequências absolutamente deliciosas de assistir – como uma invasão decorada de glitter a uma delegacia de polícia.

A personalidade extravagante de Arlequina também se faz presente na estrutura do longa-metragem, seja pelas intervenções da protagonista sobre o storytelling através de olhares para a câmera ou até “justificando” o vai-e-vem do roteiro – como se tudo fizesse parte da mente amalucada da personagem. Nesse sentido, temos, por exemplo, uma ótima sequência de Harley Quinn “delirando” no papel de uma das maiores estrelas do cinema.

ArlequinaFonte da imagem: Warner Bros./Divulgação

Ao mesmo tempo, em sua excentricidade, o “filme da Arlequina” esconde falhas. Há uma escolha óbvia da roteirista Christina Hodson em acreditar na “suspensão da descrença” dos espectadores sobre a sucessão de certos eventos da trama, mas alguns furos de roteiro quebram a lógica do próprio universo ficcional [um pequeno spoiler: as Aves de Rapina simplesmente “esquecem” que ainda precisavam enfrentar o Máscara Negra em um trecho no clímax do filme].

No entanto, há tanto a celebrar nessa emancipação da Arlequina que os pequenos tropeços do produto final parecem irrelevantes. A diretora Cathy Yan faz um trabalho primoroso na construção do longa-metragem em torno dessa personagem irreverente e que se tornou tão popular. Com a parceria inquestionável de Margot Robbie no papel principal, a cineasta revela o verdadeiro girl power nesse filme.

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Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é apenas o primeiro blockbuster dirigido por uma mulher a ser lançado neste ano. Ainda em 2020, teremos: Mulan (de Niki Caro), Viúva Negra (de Cate Shortland) e Os Eternos (de Chloé Zhao). Se esse foi apenas o começo, os executivos de Hollywood podem ficam bem tranquilos. A temporada promete!

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