Coringa: filme com Joaquin Phoenix investiga violência (crítica)

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Coringa, o filme “de origem” do Palhaço do Crime da DC, chega aos cinemas em meio a muitas expectativas, elogios por parte da crítica e certa polêmica pelo retrato brutal da violência psicológica e social de seu protagonista.

O famoso vilão do Batman ganha, pelas mãos do diretor Todd Phillips, um profundo e incrível estudo de personalidade, investigando os acontecimentos que transformam um sujeito menosprezado pela sociedade em um anarquista insano e perigoso.

Interpretado magistralmente por Joaquin Phoenix, Coringa reimagina a origem do supervilão – com a devida liberdade artística em relação às HQs – através da história de Arthur Fleck, um coitado que trabalha como palhaço de aluguel e sonha em ter uma carreira como comediante de stand-up.

Fleck, porém, sofre de uma rara condição psicológica que o faz rir em momentos inapropriados (resultado de uma dissociação entre o sentimento e a expressão), o que acaba isolando-o do convívio social. Aliado ao contexto de pobreza de uma Gotham City dos anos 80, o personagem se torna um símbolo de como o ser humano pode ser corrompido pela sociedade.

Coringa(Fonte da imagem: Warner Bros./Divulgação)

Dessa forma, o vilão dos quadrinhos – e uma das figuras pop mais conhecidas do público – é utilizado para debater temas espinhosos sobre a sociedade capitalista e a “origem” da violência nos centros urbanos. Diferente de outras adaptações de HQs, que apostam na ação escapista ou no humor descompromissado, Coringa se apresenta como uma obra intimista, intensa e provocativa – sobre a qual é difícil ficar indiferente.

O discurso sobre a violência

Parte da polêmica em torno da produção, e que vem dividindo a opinião da crítica, está na interpretação do discurso do filme, em sua suposta glorificação da violência como resposta a uma sociedade opressora e pela transformação do supervilão em um anti-herói: afinal, passamos a entender e a “torcer” pelo Coringa em seu mergulho no mundo do crime e da loucura?

O debate em relação à representação da violência na obra se ampliou, na semana de lançamento, com a decisão de cadeias de cinema norte-americanas de reforçar o policiamento nas sessões devido à preocupação de que o longa incite ações radicais; ou seja, pelo temor de que o Palhaço do Crime sirva realmente de símbolo e inspiração para atos de anarquismo ou terrorismo.

A questão é que o Coringa de Joaquin Phoenix tem mesmo essa densidade discursiva sobre o quanto um sujeito pode suportar antes de quebrar (esse é o “ponto de virada” do personagem), mas a obra de Todd Phillips não encoraja a violência nem apresenta explicitamente muitas cenas violentas. O terror está na jornada de transformação do protagonista até um estado psicológico digno de um supervilão.

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