Houve um tempo em que usar cartão de crédito era "coisa de rico" — e, nessa mesma época, era igualmente raro ver lojistas de pequeno e médio porte aceitando tal forma de pagamento. Porém, as coisas mudaram, e, hoje em dia, quase ninguém mais sai na rua carregando cédulas na carteira. Com isso, os empreendedores são obrigados a se adequar e ter uma maquininha que possibilite transações via cartão virou um requisito na hora de iniciar seu próprio negócio.

Para a sorte daqueles indivíduos que não têm capital suficiente para adquirir uma máquina tradicional (daquelas que imprimem a nota fiscal e tudo mais), o mercado brasileiro já oferece uma variedade absurda de Mobile Points of Sale (mPOS ou Pontos de Venda Móvel, traduzindo para o português). Estamos falando daqueles dispositivos portáteis que, para realizar uma venda por cartão de crédito ou débito, se conecta ao seu smartphone via Bluetooth e usa sua rede de dados móveis para contatar a operadora financeira.

As mPOS também costumam ser relativamente baratas e fáceis de usar, portanto a escolha certeira para profissionais que estão em constante deslocamento (como taxistas). O único problema é que, com a popularização desses gadgets, temos tantas opções disponíveis na internet — com diferentes preços, tamanhos e recursos — que chega a ser difícil saber qual modelo é o mais apropriado para as suas necessidades.

Não é fácil encontrar a mPOS perfeita para o seu negócio

Diferentes perfis, diferentes necessidades

Antes de prosseguirmos com esta matéria, vale deixar bastante claro que é praticamente impossível definir qual é a melhor maquininha de cartões disponível para empreendedores brasileiros. Cada modelo possui características que o tornam mais apropriado para determinado perfil, e, dessa forma, a opção que melhor se enquadra ao seu negócio pode não ser tão boa assim caso seja aplicada no empreendimento de outro indivíduo.

Resolvi escrever este artigo após passar pela experiência de ficar dias comparando mPOS diferentes até encontrar uma que atendesse às minhas necessidades. Eu não sou lojista e não realizo vendas constantemente — na verdade, sou apenas um escritor, e, no fim deste ano, terei que organizar o lançamento de minha segunda obra literária. A editora, por não ter representação na minha cidade, pouco pode me dar suporte técnico durante o evento.

Durante o planejamento, percebi que seria indispensável aceitar cartões de crédito e de débito como forma de pagamento aos meus eventuais clientes. Como minha necessidade por uma mPOS é específica e sazonal (provavelmente não vou usá-la mais depois do lançamento), logo comecei minha infindável busca de um aparelho pouco burocrático, que tivesse um custo de aquisição baixíssimo e taxas razoáveis para transações.

É preciso avaliar suas necessidades antes de fazer sua escolha

Custos iniciais

Isto posto, o primeiro passo para escolher qual seria a minha maquininha foi filtrar as opções disponíveis e selecionar aquelas que demandavam o menor investimento. Quando o assunto são as mPOS, é possível encontrar tanto dispositivos que são oferecidos em contrato de locação (ou seja, é necessário pagar um aluguel mensal para utilizar a máquina e devolvê-la caso desista de usá-la) quanto aparelhos que são efetivamente vendidos ao consumidor.

A Cielo Mobile e a Mobile Rede impressionam pela variedade de bandeiras aceitas

Embora muita gente não goste da ideia de usar um gadget alugado, esse método de contrato foi o primeiro a chamar minha atenção — afinal, valeria muito mais a pena eu pagar uma única mensalidade para usar o aparelho durante o lançamento do livro e cancelar a minha conta no mês seguinte. Com isso em mente, minhas opções iniciais eram a Cielo Mobile (da Cielo), a Mobile Rede (da REDE) a Bin Mobile (da Bin) e a desconhecida StarPay.

A StarPay não demorou muito para ser retirada da lista: além de aceitar um número baixo de bandeiras, ela não é compatível com parcelamento, e eu queria que meus clientes tivessem a escolha de pagar pelo livro de forma parcelada. O cadastro burocrático da Bin Mobile me desanimou, sobrando assim somente a Cielo Mobile e a Mobile Rede, que impressionam pela variedade de bandeiras aceitas.

Comparativo: as mPOS disponíveis no Brasil

Taxas de repasse e outros detalhes

O próximo passo foi comparar as taxas para transações. A mPOS da REDE foi descartada nesse quesito: eu não queria lidar com um juros de 8,50% por transação e mais 1,89% por cada parcela da venda. Seria então a Cielo Mobile a melhor escolha para o meu negócio? Prestes a contratá-la, percebi que a máquina cobra de uma só vez o valor de R$ 370,80 no cartão de crédito do interessado, parcelando essa assinatura anual em R$ 30,90 mensais.

Perdi o pique. Se for para investir quase R$ 400 em uma maquininha (cuja taxa de parcelamento é alta: 6,99% para vendas em até 6x e 7,99% para 7x a 12x, valeria muito mais a pena eu procurar um modelo que pudesse comprar e que seria meu para sempre. Pesquisando as opções, excluí da lista os gadgets que custassem mais do que R$ 250 — e com isso foram embora a maioria das mPOS oferecidas pelo PagSeguro e pelo Mercado Pago.

Dentre as mais baratas, a PagSeguro Leitor de Crédito (R$ 118,80) é eliminada por não aceitar cartões de débito, somente de crédito. A SumUp Chip me pareceu bastante confusa e demorada, obrigando o vendedor a escolher entre dois planos de repasse dos lucros (Econômico, no qual suas vendas são pagas em parcelas, ou Acelerado, que repassa o dinheiro em até cinco dias úteis).

A disputa final seria entre a iZettle Pro (cujo preço promocional é de R$ 229; costuma ser de R$ 449) e a payleven MAIS (R$ 118,90 — 10 centavos mais cara do que a Leitor de Crédito da PagSeguro, mas aceita débito e possui um visual bastante profissional). As taxas da iZettle são levemente menores, mas, ainda assim, a minha escolha como mPOS de melhor custo-benefício para meu perfil acabou sendo a solução da payleven.

Comparativo: mPOS disponíveis no mercado brasileiro

A minha escolha

A payleven MAIS chamou minha atenção pelo baixo investimento e pelo design atraente — é a única mPOS nessa faixa de preço que possui um visor LCD pelo qual o cliente pode confirmar o valor da compra e ver os dígitos de sua senha sendo registrados. Além disso, as transações geram recibos eletrônicos que podem ser encaminhados ao email do comprador e as taxas de repasse são razoáveis (2,69% para débito, 4,39% para crédito e 2,49% por parcela no Plano Acelerado, no qual você recebe tudo em dois dias úteis).

Ela só lê cartões com chip, não é compatível com tarjas magnéticas

Porém, como nada é perfeito, vale a pena citar alguns pontos negativos da MAIS. Primeiramente, ela só lê cartões com chip, não é compatível com tarjas magnéticas. Como a maioria dos brasileiros não usa mais essa segunda tecnologia (que é um tanto datada), essa característica não tem muito peso na avaliação final. Ela também não oferece suporte para iOS; detalhe pouco importante no meu caso, que uso um celular Android.

Por fim, a MAIS também peca por trabalhar exclusivamente com MasterCard e Visa, não permitindo vendas com bandeiras menos famosas (Diners Club, American Express, Hipercard etc.). Trata-se de uma falha crítica para quem possui um estabelecimento próprio e precisa ser o mais flexível possível com a clientela; mas, novamente, para o meu perfil de uso esporádico, trata-se apenas de um detalhe que não fará tanta diferença no fim das contas.

A payleven MAIS foi a minha escolha final

Como escolher a melhor maquininha para meu negócio?

Ao escolher uma mPOS para o seu negócio, é necessário estar atento para uma série de fatores. Pesquisar bem para não gastar muito na taxa de aquisição é essencial — porém, é importante ficar atento para economizar também nas taxas de repasse. Como dissemos anteriormente, há máquinas que cobram quase 9% de juros para transações parceladas, enquanto outras trabalham com menos de 5%.

A variedade de bandeiras compatíveis também é um aspecto importante. Se você vende alimentos e bebidas, por exemplo, é essencial Vale Alimentação e/ou Refeição. Sendo assim, suas melhores escolhas seriam a Cielo Mobile, a Mobile Rede ou as mPOS da PagSeguro (Moderninha Mini, Moderninha WiFi e Moderninha Pro), que trabalham com Ticket, Sodexo, Verocheque, Green Card etc.

Por fim, certifique-se sempre de que o modelo escolhido funciona com o modelo de seu dispositivo móvel (Android ou iOS) e confira aspectos como duração da bateria, tipos de cartões aceitos (tarja magnética ou chip) e modos de conexão (WiFi, Bluetooth, cabo USB, conector 3,5 mm etc.). A busca pela mPOS perfeita vai demorar, mas acredite: vale a pena oferecer essa facilidade para os seus clientes.