Em algumas salas de cinema do mundo, já é possível ter acesso a uma experiência completamente nova na hora de conferir os seus filmes. Trata-se da tecnologia Dolby Atmos, uma plataforma de som que permite aos cineastas explorar ainda mais as nuances sonoras, oferecendo para o espectador uma imersão no conteúdo de maneira muito mais fiel.

A estreia da tecnologia aconteceu em junho deste ano com o lançamento da animação “Valente”, da Disney/Pixar. O grande diferencial da técnica está na maneira como mais caixas de som são utilizadas. Algumas delas são posicionadas em meio à plateia, o que torna mais fácil a simulação de efeitos sonoros específicos.

(Fonte da imagem: Divulgacão/Dolby)

Como funciona?

O sistema Dolby Atmos é considerado o desenvolvimento sonoro mais significante já empregado nas salas de cinemas desde a adoção do som surround. A técnica, na verdade, consiste em um posicionamento mais apurado das caixas, orientando-as de forma que elementos sonoros independentes possam se sobrepor aos canais de áudio tradicionais.

A engenharia é compatível com sistemas de som 5.1 e 7.1, mas no segundo caso a fidelidade na reprodução sonora é maior. As caixas sonoras reproduzem um total de 128 canais de áudio, o que exige um maior nível de detalhamento e investimento durante a produção do filme, mas resulta em um investimento relativamente baixo para as salas de cinema.

Por que ele é melhor?

Imagine a seguinte cena: em meio a uma floresta, uma mulher está perdida e, em volta dela, alguns animais se aproximam escondidos em arbustos. Em um sistema sonoro normal, um canal de áudio precisaria emular de uma só vez os sons de quatro ou cinco animais. Com o Dolby Atmos, os sons podem ser independentes, ou seja, cada um dos animais, nesse caso, tem o próprio canal de áudio.

(Fonte da imagem: Reprodução/Dolby)

Em uma comparação direta com os sistemas existentes na atualidade, os principais diferenciais são os seguintes:

  • Coordenação de som: mais canais independentes permitem simular com mais fidelidade os efeitos sonoros de um ambiente complexo, dando uma sensação maior de imersão no que é visto na tela.
  • Qualidade de som: o resultado final é um som mais poderoso e consistente, sem efeitos “fantasma”. Elementos sonoros independentes não precisam ser emulados em conjunto, mantendo a sua pureza original.
  • Não importa o lugar: como a sensação de envolvimento é maior, não faz diferença o local da sala de cinema em que você esteja sentado. A sua percepção do som será exatamente a mesma, graças ao posicionamento das caixas acústicas.
  • Envolvimento: na maioria dos casos, é como se você fizesse parte da história. Combinando essa característica com os efeitos 3D, o resultado é a melhor experiência possível em termos de qualidade de som e imagem que você pode ter em uma sala de cinema.

Dolby Atmos no mundo

São poucas as salas de cinema no mundo compatíveis com a nova tecnologia. A própria Dolby lista em seu site oficial todos os cinemas que possuem a certificação de compatibilidade com o Dolby Atmos. Hoje são apenas 30 salas com suporte, localizadas nos Estados Unidos (20), Canadá (3), Espanha (2), Índia, Dinamarca, Áustria, Espanha e Noruega (1 cada). Ainda não há previsão da inauguração da primeira sala brasileira com suporte para o recurso.

(Fonte da imagem: Divulgação/Disney/Pixar)

Próximos filmes

Nem todos os filmes produzidos hoje utilizam os recursos do Dobly Atmos. Por conta disso, esse acaba sendo um “luxo tecnológico” acrescentado em algumas produções selecionadas. Para 2013, apenas três títulos tiveram o recurso confirmado: “Star Trek: Além da Escuridão”, “Pacific Rim” e “Gravity”.

Entre as estreias de 2012, os filmes compatíveis foram os seguintes: “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada”, “A Origem dos Guardiões”, “As Aventuras de Pi”, “Busca Implacável 2” e “Valente”.