Covid-19: cientistas buscam terapias para quem não pode se vacinar

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Quando o presidente estadunidense Donald Trump foi diagnosticado com covid-19, o tratamento aplicado foi um coquetel de anticorpos monoclonais que serão a base da profilaxia da doença: terapias com células do sistema imune para quem não puder ser vacinado.

Caça ao vírus

Uma das terapias, chamada AZD7442, está na fase 3 de testes clínicos. Desenvolvida pelo University College Hospital (UCLH) com o laboratório AstraZeneca (o mesmo que trabalha com o Instituto Jenner, da Universidade de Oxford, no desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19), a pesquisa foi dividida em dois estudos.

Um deles é chamado de Storm Chaser (Caçador de Tempestades). "Os testes devem comprovar que esse tratamento leva à proteção imediata contra o desenvolvimento de covid-19 naqueles que foram expostos à doença – quando seria tarde demais para serem vacinados", disse a virologista Catherine Houlihan, que lidera a pesquisa.

Os anticorpos introduzidos no corpo atacam as células infectadas, mas o tratamento não induz a uma resposta imune do organismo.Anticorpos introduzidos no corpo atacam as células infectadas, mas tratamento não induz a uma resposta imune do organismo.Fonte:  Shutterstock/Christoph Burgstedt/Reprodução 

A terapia não substituirá a vacina contra o coronavírus: ao contrário dos imunizantes, a profilaxia não ensina o sistema imunológico a produzir anticorpos contra o Sars-CoV-2.

O outro estudo desenvolvido pelo UCLH, chamado Provent, tem como objetivo descobrir se essa mesma terapia pode ser usada por quem for vacinado e não desenvolver anticorpos (por exemplo aqueles com sistema imunológico comprometido, como pacientes com câncer) ou for dos grupos de risco, como idosos e pessoas com comorbidades. Os pesquisadores esperam que a proteção dada pela AZD7442 se estenda de 6 a 12 meses depois de apenas 1 dose.

Exclusividade

Esse tipo de terapia, porém, é caro. Os anticorpos usados são os chamados monoclonais, que somente reconhecem um antígeno, então são específicos para um agente patogênico e são produzidos através de um único clone de um linfócito B parental. A célula é dita imortalizada, reproduzida incontáveis vezes em grandes biorreatores por cerca de 10 dias, gerando uma linhagem de células imunes específicas para um único patógeno.

De um único linfócito B é criada toda uma linhagem de células monoclonais.De um único linfócito B é criada toda uma linhagem de células monoclonais.Fonte:  NIAID/Divulgação 

Os anticorpos são purificados e comercializados a preços que variam de US$ 95 a US$ 200 por grama. Existe um pouco mais de uma centena de tipos de anticorpos monoclonais licenciados; destes, apenas sete são usados na prevenção e no tratamento de doenças infecciosas.

Aprendizado prévio

Do outro lado do Atlântico, um hospital começou seu programa de testes clínicos com uma terapia que também usa anticorpos, mas policlonais, originados de múltiplas células do sistema imune, e não somente dos linfócitos B. Chamada de Covid-19 Human Hyperimmune Globulin (Globulina Humana Hiperimune a covid-19, COVID-HIG), ela foi administrada em voluntários da fase 1 dos testes clínicos.

Desenvolvida pelo Grupo Monte Sinai e pela Emergent BioSolutions, a terapia usa o plasma de doadores que se recuperaram da covid-19. Como no estudo britânico, a pesquisa vai avaliar se a profilaxia com COVID-HIG (uma solução composta de níveis elevados de anticorpos contra a doença) pode proteger aqueles expostos a cargas altas de Sars-CoV-2.

Outras empresas buscam tratamentos profiláticos. Em novembro, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou nos Estados Unidos, para uso emergencial, as terapias com anticorpos monoclonais das farmacêuticas Regeneron (que desenvolveu o coquetel administrado em Trump) e Eli Lilly.

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