A indústria automotiva e da tecnologia está levando a cabo a máxima de que, quando se trata de veículos autônomos, várias cabeças pensam melhor do que uma só. É justamente por isso que está havendo uma enxurrada de notícias falando sobre parcerias firmadas entre empresas – geralmente uma montadora e outra gigante do segmento tech.

No caso do trio BMW, Intel e Mobileye, não poderia ser diferente. Diga-se de passagem, o trio acaba de virar um quarteto, com a Delphi, fornecedora de componentes de hardware e software para veículos autônomos.

A Delphi já vinha trabalhando com a Mobileye, especializada em sensores da parte de captação de imagem e que foi adquirida recentemente pela Intel, e sua chegada ao time é um reforço importante no planejamento da BMW em ter carros autônomos rodando até 2021.

Richard Rau, responsável pela parte de sensores, unidades de controle e software do departamento de direção autônoma da montadora alemã, explicou que o resultado da parceria não será necessariamente um veículo novo, mas sim uma plataforma completa que permitirá a criação de um.

Os papéis nesse grupo são de que, enquanto a BMW oferece a expertise da indústria automotiva, a Mobileye colabora com a parte de processamento visual, e a Intel arranja uma forma de processar a quantidade astronômica de dados que são necessários para fazer tudo funcionar com fluidez.

A Delphi, como uma “integradora”, tem como função justamente amarrar todas essas pontas e contribuir com a parte de sensores e arquitetura elétrica, além dos softwares que vão fazer a coisa toda rodar de forma harmônica.

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Um protótipo já foi criado pela Delphi e entregue à BMW para uso em alguns modelos atuais como forma de teste – e, caso dê certo, a empresa está autorizada a criar um produto comum que poderá ser adquirido por outras montadoras.

Intel segue investindo forte no segmento automotivo

Ainda nessa onda dos carros autônomos, a Intel especificamente é uma das empresas que vêm investindo pesado nesse segmento. A companhia recentemente abriu a chamada “Autonomous Driving Garage” (“Garagem da Direção Autônoma”), na cidade de San Jose, com a finalidade de acelerar suas pesquisas de otimização da direção autônoma.

Basicamente, trata-se da criação de formas para lidar com o altíssimo fluxo de dados que são gerados por carros que dirigem sozinhos. Isso inclui estruturas robustas, baseadas em conectividade 5G para a transmissão das informações sem fio e inteligência artificial para o processamento mais eficiente.

Jack Weast, arquiteto-chefe das soluções de direção autônoma da Intel, apontou que cada veículo autônomo gera 4 TB de dados por dia, baseado em uma hora e meia de rodagem, entre imagens das câmeras e informações de radares e sensores LiDAR.

Em veículos de teste, o upload desses dados pode ser feito de forma manual, mas a expectativa é que, quando a produção em massa começar, todo o tráfego de informações aconteça através de nuvem.