Se você conhece Tóquio de alguma maneira, seja por ter visitado a cidade ou através de reportagens, filmes ou outros meios, sabe que a capital japonesa se destaca por parecer um centro urbano tirado de alguma história futurista de ficção científica. Grande parte dessa impressão se dá pela grande movimentação de pessoas, pelos prédios modernos e, principalmente, pelas luzes hipnotizantes das fachadas de lojas e outros estabelecimentos.

Se existe um local mais preciso que simboliza essa imagem estereotipada de Tóquio, é o distrito de Akihabara, o paraíso dos eletrônicos e afins, conhecido mundialmente como Akihabara Denki Gai, ou “Cidade Elétrica de Akihabara”. O lugar é parte do bairro de Chiyoda, na capital japonesa, onde também se localiza o Palácio Imperial de Tóquio, residência do Imperador do Japão. O nome vem de Akiba, em homenagem a um templo de uma entidade ligada ao fogo que foi construído lá após um incêndio que destruiu a região em 1869.

A Meca dos eletrônicos

Passear em Akihabara é como andar em uma Rua Santa Ifigênia – logradouro referência em eletroeletrônica na cidade de São Paulo –, mas com muito mais “glamour”, beleza e variedade de produtos infinitamente maior.  Logo após a Segunda Guerra Mundial, que devastou duas cidades japonesas com bombas atômicas, o local virou o centro de um mercado paralelo de peças de rádio e outros eletrônicos.

Imagine uma grande loja de magazine como as que temos no Brasil, porém especializada em todo tipo possível de eletroeletrônicos

Após os anos 1960 e 1970, o distrito se tornou um local de referência para se comprar produtos baratos ligados à tecnologia no Japão. Com a mudança da grande produção dessa área para a China na virada do século 20 para o 21, Akihabara se tornou apenas mais um lugar para se comprar gadgets na cidade de Tóquio.

Tudo mudou quando a gigante dos eletrônicos Yodobashi Camera se instalou no distrito da capital japonesa. Imagine uma grande loja de magazine como as que temos no Brasil, porém especializada em todo tipo possível de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, componentes elétricos e tudo que envolva esse tipo de tecnologia.

A Yodobashi Camera é sem dúvida o ponto de referência de Akihabara, sendo uma rede famosa no Japão por suas lojas enormes que vendem produtos eletrônicos com grande variedade e preços populares. A loja de Akihabara possui oito andares e é provavelmente a maior da categoria no mundo todo.

Se existe, você encontra lá

Qualquer produto eletrônico – ou mesmo componentes individuais – pode ser encontrado na Yodobashi, onde a grande maioria das marcas famosas comercializa seus lançamentos. É uma infinidade de modelos de televisores, smartphones, computadores, notebooks, periféricos de todos os tipos, caixas de som e eletrodomésticos, como aspiradores, cafeteiras, micro-ondas e coisas que a gente sequer ousa acreditar que existem, mas que já são usadas no Japão.

Qualquer produto eletrônico – ou mesmo componentes individuais – pode ser encontrado na Yodobashi

Andar pelos corredores da Yodobashi Camera é como passear entre as prateleiras de um gigantesco almoxarifado de produtos eletroeletrônicos a ponto de quase nos perdermos. E além do natural som das pessoas conversando e de equipamentos que emitem som de todos os tipos, a loja utiliza como música ambiente seu grudento jingle, inspirado no “Hino de Batalha da República”, canção composta nos Estados Unidos durante a Guerra de Secessão que ganhou uma letra religiosa no Brasil que todo mundo conhece (“Glória, glória, aleluia... Louvemos ao Senhor!”). Confira:

Muito além de apenas uma loja

Além da gigante Yodobashi, o distrito de Akihabara é tomado por lojas menores, geralmente mais especializadas em certos segmentos eletrônicos. Além de estabelecimentos conhecidos pelos ocidentais, como a Sega e a Nintendo, você vai encontrar uma infinidade de lojas das quais nunca ouvimos falar e que oferecem produtos dos mais diversos tipos. Se um aparelho eletrônico existe, ele certamente pode ser encontrado em Akihabara.

Você pode encontrar desde os smartphones mais modernos e futuristas até aquela pecinha que quebrou em seu nostálgico videocassete

As ruas do distrito seguem por pequenos becos que levam a corredores de galerias recheadas de pequenos estabelecimentos onde você pode encontrar desde os smartphones mais modernos e futuristas até aquela pecinha que quebrou em seu nostálgico videocassete, passando por componentes como LEDs, transistores, fusíveis e cabos para seu projeto pessoal de eletrônica.

Cidade-Luz

Uma das coisas que mais chama a atenção no visual de Akihabara são as luzes das fachadas das lojas, que criaram um dos estereótipos mais famosos do mundo quando pensamos na cidade de Tóquio.

É uma vista que, mesmo de noite, não tornaria absurdo o uso de óculos escuros diante do espetáculo de neon apresentado pelas lojas, quase que deixando o famoso cruzamento da Times Square, em Nova York, parecendo um lugar tedioso e desanimado.

Some isso aos pisos polidos e brilhantes, às fachadas de vidro e espelhos e aos detalhes cromados e temos uma explosão de luzes de dar inveja a qualquer outra cidade que tenha o apelido de Cidade-Luz.

Cultura Otaku

Em tempos mais recentes, as tradicionais lojas de produtos eletroeletrônicos do distrito de Akihabara acabaram sendo obrigadas a dar lugar a um tipo um pouco diferente de comércio e, por consequência, a uma cultura típica do Japão que se espalhou, inclusive, para outros países com forte presença nipônica, caso do Brasil.

Akihabara se tornou o maior ponto de referência da cultura Otaku em Tóquio

É a cultura Otaku, que significa literalmente “fanboy”, uma pessoa muito aficionada em qualquer coisa. Pela origem japonesa, o termo passou a ser mais especificamente usado no Ocidente para os fãs de animes, mangás e outros tipos de entretenimentos populares nipônicos.

Se você já esteve no bairro paulistano da Liberdade nos finais de semana, já deve ter visto jovens com um estilo bastante peculiar reunidos próximo à estação de metrô, ostentando cabelos coloridos e roupas inspiradas nos desenhos japoneses. É disso que estamos falando.

Personagens ganham vida nas ruas de Akihabara

Akihabara se tornou recentemente o maior ponto de referência dessa cultura em Tóquio e lá é possível encontrar lojas especializadas em produtos que giram em torno dessa estética. Não há lugar melhor no mundo para se comprar animes, mangás, roupas e outros itens de consumo inspirados nesse complexo mundo.

O movimento no distrito é muito intenso, e as ruas estão sempre tomadas por pessoas de todos os lugares

Estabelecimentos de todos os tipos, incluindo bares e restaurantes, utilizam decorações e possuem menus temáticos inspirados na cultura Otaku. Não é raro ver funcionários desses estabelecimentos vestidos como personagens populares de mangás e animes distribuindo panfletos com promoções e divulgando seus produtos nas ruas do distrito mais colorido do planeta. Lá existem os famosos "maid cafes", onde as garçonetes parecem ter saído das páginas dos gibis japoneses.

Formigueiro humano

O movimento no distrito é muito intenso, e as ruas estão sempre tomadas por pessoas de todos os lugares, desde turistas do mundo inteiro (geralmente deslumbrados com o lugar) até os próprios japoneses em busca de algum item eletrônico barato. Durante os domingos, a rua principal de Akihabara, Chuo Dori, permanece fechada para o tráfego de carros das 13h às 18h, horário de maior movimento.

Akihabara é um dos destinos mais interessantes do mundo para os aficionados por equipamentos eletrônicos e pela cultura japonesa em geral

Akihabara é, sem dúvida, um dos destinos mais interessantes do mundo para os aficionados por equipamentos eletrônicos e pela cultura japonesa em geral. Um paraíso para os nerds de plantão, o local é recheado de história e de pontos que valem ser visitados. Quando der um pulinho no Japão, não deixe de conhecer esse que é um dos distritos mais famosos do mundo: você não vai se arrepender!

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