Depois de nadar em um mar de sucessos durante quase todo o ano de 2015 e, de quebra, ostentar o posto de empresa mais valiosa do mundo de todos os tempos – com valor de mercado de mais de US$ 700 bilhões –, aparentemente a Apple vai ter que se preparar para um 2016 mais complicado. Ao que parece, o aumento nos juros dos EUA aplicado pelo Banco Central norte-americano (The Fed) na última quarta-feira (16) mostrou aos investidores que a Empresa da Maçã pode enfrentar uma certa turbulência e até fechar este ano no vermelho.

Mesmo com a estratégia do Fed, a maioria das companhias de tecnologia viu suas ações subindo na Nasdaq em resposta à mudança econômica. A Apple, porém, não teve o crescimento esperado e preocupa investidores, que já veem os papéis da empresa caindo 18% desde abril, com somente a última semana anotando uma queda de 4,4% no valor dos ativos.

Embora não haja nenhuma perspectiva para o fim do império atualmente comandado por Tim Cook – que ainda tem, no mínimo, centenas de bilhões de dólares em dinheiro vivo em caixa –, a situação também não rende sorrisos. A verdade é que os especialistas dos EUA e do resto do mundo já vem observando esse quadro se desenhar há algum tempo e o momento atual da Apple não é exatamente uma surpresa.

Só nesta semana, por exemplo, três instituições renomadas deram seu parecer sobre o desempenho esperado da fabricante em 2016. O Bank of America revisou sua expectativa para a remessa de iPhones no próximo ano de 230 milhões para 220 milhões de unidades, o Raymond James alterou o mesmo dado de 229 milhões para 224 milhões e o Baird Equity Research ficou com o número de aparelhos previstos para serem comercializados no mesmo período na casa dos 234,7 milhões.

Reflexo dos parceiros

Grande parte desses ajustes foi feita com base em informações fornecidas anteriormente por diversos fornecedores diretos da Apple. Esse é o caso da Imagination Technologies, responsável por produzir os chips gráficos integrados ao SoC dos dispositivos da companhia de Cupertino. A fabricante de processadores fez um corte considerável no seu lucro esperado para os próximos 12 meses, mostrando que os celulares podem realmente chegar em menor número no futuro breve.

Uma ação semelhante foi tomada pela Dialog Semi, que desenvolve semicondutores para celulares e também registrou novas previsões – bem mais humildes – para 2016. Apesar de esses serem indicadores indiretos da situação econômica da Apple, são válidos o suficiente para deixar o mercado de olhos bem abertos para a forma como a empresa vai fechar o ano fiscal de 2015 e como será sua performance daqui em diante. Será que estamos diante de um pequeno “engasgo” ou o segmento mobile está realmente entrando em declínio?

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