Não é segredo para ninguém que a Apple controla sua cadeia de fornecimento com mão de ferro para que seus produtos não vazem antes da hora do lançamento. Mesmo assim, isso não para de acontecer. A novidade nesse departamento é que, com o vazamento de partes dos contratos da Apple coma GT Advanced Technologies, é possível saber o quão dura a Maçã pode ser com seus fornecedores.

Na verdade, “duro” é um adjetivo bastante leve para designar a forma como a empresa lida com suas parceiras. Tanto é que a GT abriu falência nos EUA por não conseguir cumprir as exigências do contrato com a Apple para o fornecimento de telas de safira para os iPhones 6 e 6 Plus. Como a companhia não deu conta do recado, esses aparelhos acabaram sendo produzidos com o tradicional Gorilla Glass.

Multas literalmente milionárias

O contrato de confidencialidade assinado pelas empresas mostra multas altíssimas para prevenir vazamentos. Quaisquer ocorrências de vazamento de informações ou de produtos da Apple pela GT estavam sujeitos a multas de US$ 50 milhões. Ou seja, qualquer foto em um site chinês geraria um grande prejuízo para a companhia.

Atrasos também não seriam tolerados de forma alguma. Com quatro dias de atraso na entrega do material pronto para a Apple, uma multa de US$ 77 milhões seria cobrada. A criadora dos iPhones também controlaria a entrada e a saída de material da fábrica de vidros de safira, inclusive determinando onde tudo deveria ser produzido. Na verdade, as instalações pertenciam à Maçã, que alugava toda a estrutura para a GT.

Pelo contrato, a GT não deveria mencionar publicamente qualquer coisa sobre o que estaria fazendo naquelas instalações e precisaria estar à disposição da Apple a qualquer momento. Ou seja, a fornecedora existia para satisfazer os desejos da contratadora. A GT também não poderia vender nenhum vidro de safira para outras empresas. A multa caso isso acontecesse era de US$ 640 mil por “bloco” ou US$ 650 mil por mês.

Não se sabe exatamente quantas multas astronômicas dessas a GT teve que pagar ou se realmente foi multada em alguma dessas situações, mas a empresa assumidamente faliu por causa do contrato com a Apple, que foi inclusive assinado em 2012. Isso quer dizer que os recém-lançados iPhones já estavam em planejamento há dois anos.

Mesmo com todas essas regras exigentes, não há como dizer que a GT foi forçada a assinar o tal contrato. Portanto, a empresa estava ciente de onde estava se metendo. O problema é que o contrato raramente previa qualquer punição caso a Apple vazasse qualquer segredo industrial da GT. Ou seja, era um documento extremamente punitivo, segundo o Business Insider, que teve acesso aos documentos.

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