Desde a sua chegada ao mercado, o design da família iPhone é tido como um dos pontos fortes dessa linha de aparelhos, unindo materiais premium, visual limpo e traços muito bem definidos. No entanto, você sabia que a primeira encarnação do smartphone da Apple quase colocou tudo a perder com uma aparência horrível e interface completamente truncada? E que esse protótipo contou com aprovação total por parte de Steve Jobs? Confira abaixo um pouco da história daquele que quase foi o primeiro iPhone.

É difícil imaginar a Empresa da Maçã errando feio na aparência e na usabilidade de seus dispositivos mobile, mas essa era uma realidade praticamente certa em 2005. Isso porque a companhia estava passando por uma fase de mudanças e seu CEO andava descontente com algumas das parcerias firmadas para a implementação de alguns dos produtos da casa. O estopim da decisão de criar um telefone da marca, por exemplo, veio da insatisfação de Jobs com a Motorola.

Fracasso com parcerias alimentou projeto do iPhone

O motivo? Aparentemente, a distribuição do iTunes através do Motorola Rokr – um dos celulares mais populares para os adeptos da música – foi um fracasso e toda a burocracia do acordo enfureceu o executivo. Decidido a desenvolver seu próprio aparelho, Jobs então teria se baseado no sucesso recente do iPod para projetar um smartphone em cima do player clássico. Pode parecer um causo daqueles contados nos bastidores da indústria, mas, como mostra a figura abaixo, uma patente de 2006 mostra que se trata de um episódio real.

Bonito e prático? Definitivamente não!

Sabendo da inspiração do gadget e dando uma analisada na imagem, fica fácil entender como esse iPhone poderia ser uma derrota massiva para a Apple. Afinal, o design do tocador continuava o mesmo e o aparelho apenas agregava funções extras em sua interface original. Sim, era como se fosse um iPod que podia fazer e receber ligações e no qual a click-wheel era o principal elemento de interação com a diminuta tela do equipamento.

Receita do sucesso? Acho que não...

Claro que o resultado dessa gambiarra não podia ser bonito, já que o brinquedinho mais parecia uma homenagem aos antigos telefones de disco do que uma revolução no mercado de celulares. O pior de tudo é que, nessa época, o alto escalão da Apple estava confiante no novo projeto, contando inclusive com o apoio total de Steve Jobs – que, segundo funcionários da empresa, era um grande fã do dispositivo.

Os designers estavam com um pepino em mãos

A pressão pelo sucesso do aparelho foi tanta que a companhia acabou fabricando algumas centenas de unidades desse iPhone, mesmo com os designers da casa sabendo que estavam com um pepino em mãos. Felizmente, parece que esses protótipos provaram que a experiência com o celular era um pesadelo. “Era óbvio que estávamos sobrecarregando demais a click-wheel. Digitar e discar números era uma verdadeira bagunça”, lembrou Andy Grignon, um dos engenheiros responsáveis pelo iPhone.

Ainda bem que o primeiro iPhone foi esse, não é?

Depois disso, a empresa acabou adotando a tela sensível ao toque, o que mudou radicalmente o design e a interface geral do aparelho, dando origem tanto ao primeiro iPhone como conhecemos e à versão original do iOS. Jobs ainda chegou a pleitear a compra de um espectro de banda para sua própria rede celular – para não depender de terceiros –, mas um acordo com a Cingular fez com que essa ideia fosse deixada de lado em prol de uma parceria de exclusividade com a Maçã.

E aí, você acha que daria certo um iPhone com todas as suas funções concentradas apenas na click-wheel? Será que veríamos uma sequência para esse primeiro modelo? Deixe a sua opinião sobre o gadget mais abaixo, na seção de comentários.