O mercado de jogos passa atualmente pelo seu maior momento na história, contando com opções para todos os gostos, de máquinas a jogos. Mas assim como para tudo nesse mundo, este movimento de gamers da era eletrônica teve origem em algum ponto na história, mais precisamente no fim da década de 1950, quando foram patenteadas as telas de tubos de raios catódicos.

Alguns anos depois, surgiram as primeiras demonstrações interativas de imagens. Posteriormente, por volta de 1972, é que apareceu a primeira geração de videogames, em uma época que seria chamada “era de ouro” dos jogos. Muitos de nós nem tiveram contato com ela, mas em 1977 surgiu o “caixote de jogos” que ficaria na lembrança de muitos: o Atari 2600.

Este vídeo game teve um início bem lento, vendendo abaixo do esperado e dando prejuízo para todas as companhias envolvidas, mas pouco tempo depois se tornou a única alternativa do ramo e viu um salto enorme na quantia de jogos disponíveis, com vendas que acompanharam de perto o crescimento. Aqui pelo Brasil, a popularidade veio na década de 1980 e permaneceu até que a companhia encerrou oficialmente o suporte para o produto.

 

Uma longa história até aqui

Depois dele tivemos muitos outros consoles, tais como o NES e o SNES (ambos da fabricante Nintendo, que se consagraria como um símbolo da indústria emergente), o Master System e o Mega Drive — vendido nos Estados Unidos como Genesis —, ambos fabricados pela SEGA e o Xbox, da Microsoft.

Com todo este percurso que durou mais de vinte anos, chegamos finalmente à sétima geração de consoles, com o lançamento do Nintendo Wii, do Xbox 360 e do terceiro PlayStation. E para colocarmos parte da evolução em perspectiva, além de resgatarmos boas lembranças, nada melhor que um duelo entre dois ícones, um recente e um antigo.

Pronto para ver as diferenças entre PlayStation 3 e Atari 2600? Então vamos lá!

tabela de dados

 

Processamento de dados

Acostumado com o seu processador de 2,0GHz Dual-Core? Saiba que as coisas nem sempre foram tão rápidas. O processador de dados do Atari era um MOS Technology 6507, uma versão diminuta e mais barata de outro processador popular na época, o 6502. Contando com treze pinos para conexão com as memórias, ele rodava na velocidade de 1.19MHz e processava 8 bits por vez! Você não leu errado não, amigo...

Já o processador Cell (do PlayStation 3) roda a 3,2GHz, contendo uma unidade de processamento geral (chamada de PPE) e outras sete menores (ativas), chamadas de elementos sinérgicos de processamento. Apesar de realmente poderoso para tarefas sequenciais, ele impõe um desafio muito grande aos programadores que não estão acostumados com estruturas de programação que envolvem paralelismo dos dados.

Processamento gráfico

Atari 2600

No tempo deste colosso, um chipset gráfico dedicado não era nem mesmo imaginado. O resultado disso é que o processador deveria se encarregar de todas as tarefas que envolvessem imagens. Ao invés de polígonos e shaders, o programador tinha que se virar com o número máximo de cinco objetos simultâneos na tela, sendo dois destes variantes avançadas, com suporte para animação e os três restantes objetos simples, compostos por apenas um pixel.

Outra visão

Imagem retirada da Wikipedia.

Embora a este ponto a estrutura de programação do Atari pareça um inferno, tenha em mente que os desenvolvedores que realmente a conheciam eram capazes de fazer verdadeiros milagres. Não é a toa que tivemos games como PitFall e River Raid, em que objetos são duplicados várias vezes e personagens correm permeando florestas com criaturas letais!

PlayStation 3

Na outra ponta da nossa comparação, com o PS3, temos uma unidade de processamento gráfico desenvolvida pela nVidia, que muitos citam como equivalente a uma placa de vídeo GeForce 7800 GT. Aliado ao Cell, é no mínimo natural que o resultado seja o gráfico espetacular apresentado por games como God of War III (que ainda será lançado) ou ainda Gran Turismo 5: Prologue.

 

Memória: um problema de custo, não de espaço

Atari 2600

Se hoje nós entramos nas lojas e nos deparamos com pentes de mais de 1 GB de memória RAM por menos de R$ 100, na época em que o Atari foi lançado no mercado nem mesmo Mega Bytes eram concebíveis. Aliás, para RAM quantias acima de 1kB já eram caras. Desta forma, o console chegou até os consumidores com a assustadora quantia de 128 bytes de memória RAM.

Complementando todo esse espaço de memória dinâmica, foram inseridos também mais 4kB de memória ROM (memória que funciona apenas para leitura, não podendo ser modificada), mantendo o tamanho dos componentes dentro do esperado para que os custos de produção não fossem tão elevados.

PlayStation 3

Com os preços mais baixos para os componentes, hoje você pode comprar a oferta da Sony por cerca de US$ 300, recebendo 256MB de memória RAM dedicadas ao processamento gráfico e 256MB de memória RAM para uso geral. A quantia não é assustadora, mas se considerarmos o orçamento apertado no qual os consoles devem se enquadrar, podemos perceber porque ela ainda não é maior.

 

Saída de vídeo

Atari 2600

Atualmente, a maior parte dos equipamentos já vem de fábrica com suporte para os três formatos de cor (neste caso NTSC, PAL e PAL-M), mas até pouco tempo atrás a situação era bem diferente. E com o Atari, pior ainda! Existia uma versão do console específica para cada região, sendo que cada uma contava com números diferentes de cores na saída.

Atari

Imagem retirada da Wikipedia.

Para o nosso padrão, NTSC, estavam disponíveis 128 delas (quatro por linha, sem artimanhas na programação e no código) para um máximo de resolução de 160x192 pixels.

PlayStation 3

Desde o lançamento do vídeo game, a Sony fez questão de realçar que a máquina é capaz de muitas tarefas além dos jogos, tais como reprodução de filmes Blu-ray em resolução Full HD, isto é, 1920x1080 pixels. Se multiplicarmos os valores obtemos 2.073.600 pixels. Em comparação, o valor obtido com a resolução do Atari é de 30720, aproximadamente setenta vezes menor.

 

Saída de áudio

Se você quer o máximo de qualidade com áudio e muitas opções, o console da Sony é a escolha certa para você, afinal, ele conta com saída em oito canais de alta definição, além de conectores nos formatos:
•    Ótico.
•    Componente.
•    Composto.
•    HDMI.

Em contraste, o Atari (embora robusto neste quesito para a época) trazia suporte para dois canais de áudio sintetizado, cada um com seu próprio chip de processamento. O resultado pode ser bem eletrônico, mas era certamente definido, tanto que algumas das melodias inspiraram artistas e Djs modernos, que as utilizam em shows ou em composições modificadas para embalarem milhões de fãs ao redor do mundo.

 

Fita, cartucho ou Blu-ray?

DiscoO PS3 traz de fábrica um drive leitor de Blu-rays, que são utilizados como a mídia padrão para os jogos e filmes, oferecendo um total de 25 GB de espaço para armazenamento de dados em camadas simples ou 50 GB em dupla camada. Além disso, o jogador pode se conectar a internet e baixar jogos diretamente no disco rígido.

Espaço de sobra não? Já no tempo do Atari nem o CD existia ainda. O jeito era recorrer aos famosos cartuchos (que muitos jogadores chamam também de “fita”), que como já mencionamos contavam com apenas 4kB de memória ROM.

Entretanto, muitos games mais recentes superaram estas limitações do console, carregando em seus próprios circuitos quantias adicionais de memória de armazenamento ou de memória RAM. Alguns dos maiores exemplos são Asteroid, HomestarRunner e DragonStomper.

E pode ser difícil de acreditar, mas esta abordagem com componentes em conexão direta ganha do PlayStation 3 em um ponto: tempo que os jogos levam para carregar. Na época dos cartuchos, tudo era instantâneo!

 

Controles e botões

Parece regra para a maioria dos consoles atuais passar de quinze botões para os controles, mas houve uma época em que o necessário era apenas dois botões e um manche para controle de direções, similar aos encontrados das máquinas de fliperama. Muito mais simples e acessível, sem dúvidas! Veja a imagem abaixo:

Joystick

Imagem retirada da Wikipedia.

O único problema com ele era na hora da adrenalina: o jogador, sem ter tempo para pensar durante aquela bela partida de Enduro, virava com força exagerada o manche para tentar evitar a colisão na tela. Entretanto, o pobre controle muitas vezes não agüentava a pressão e acabava quebrando ou deixando de funcionar adequadamente.

 

Relembrando alguns dos clássicos

Como o vídeo game da Sony é o terceiro da família PlayStation, é no mínimo natural que as principais franquias tenham raízes em outras gerações, a exemplo de Devil May Cry, Gran Turismo ou ainda Hot Shots Golf. Para conferir mais deles, veja o nosso artigo oficial ou consulte o Baixaki Jogos, a melhor fonte para informações a respeito do tema. E aos fãs de God of War: fiquem ligados, pois ano que vem Kratos estará de volta, com mais sangue e carnificina do que nunca!

O deus da guerra!

E para matar as saudades do querido Atari, vamos assistir a alguns vídeos dos maiores clássicos, começando com River Raid, um jogo de avião que estava à frente de seu tempo, inserindo fatores como reabastecimento:

Para os fãs das corridas de Fórmula Indy ou Fórmula 1, nada como Enduro e suas corridas infinitas por gelo, noites...

Para finalizarmos, PitFall, um dos maiores clássicos da história dos jogos! Nele, o jogador tinha que atravessar a perigosa floresta, saltando barris, escorpiões venenosos, jacarés e lagos profundos. Confira: