Há quinze anos, surgiu o primeiro esboço do que seria uma conexão de rede sem fio. De lá para cá, passamos por diversas modificações de padrão. Mudanças de velocidade, ampliação no alcance do sinal e melhorias em segurança foram algumas das principais novidades que tornaram as tecnologias Wi-Fi tão populares e essenciais.

Hoje, o padrão 802.11n impera na grande maioria dos dispositivos. Mas claro que não paramos no tempo, fato comprovado pelo lançamento dos primeiros dispositivos com a tecnologia 802.11ac. São as redes Gigabit que agora ganham a liberdade do wireless. Neste artigo, vamos explorar as principais mudanças que a quinta geração sem fio vai oferecer.

Aumento substancial em velocidade

Como em toda mudança de padrão, a primeira alteração diz respeito à taxa de transferência. Segundo informação da Netgear, a nova tecnologia wireless garante “velocidade” de até 1.300 Mbps na frequência de 5 GHz, ou seja, mais do que o dobro da atual especificação que garante produtos operando a até 600 Mbps.

As redes Wi-Fi capacitadas para trabalhar com o padrão 802.11ac não operam na frequência de 2,4 GHz. Contudo, os dispositivos com a nova tecnologia são compatíveis com redes 802.11n, possibilitando transferências de dados de até 450 Mbps.

Com tais melhorias, os novos aparelhos roteadores e receptores podem trocar dados para a transmissão de vídeos em Full HD e com tecnologia 3D. Segundo o site da Netgear, os primeiros aparelhos com a nova especificação podem realizar múltiplas conexões de alta velocidade para transferir esse tipo de conteúdo.

Sinal amplificado e inteligente

As fabricantes que já anunciaram roteadores com o novo padrão garantem que um dos principais diferenciais da tecnologia é o alcance do sinal. Em teoria, os novos aparelhos podem realizar transmissões para computadores ou outros aparelhos que estejam a até 200 metros de distância. Veja um gráfico proposto pelo site 5G Wi-Fi que compara as velocidades e os alcances dos padrões:

(Fonte da imagem: Reprodução/5G Wi-Fi)

Todavia, o destaque não é a cobertura do sinal, mas a qualidade com que ele é transmitido. Segundo a informação do site 5G Wi-Fi, uma pessoa que esteja a 30 metros distância do roteador receberá dados da mesma forma que alguém que esteja próximo ao aparelho transmissor.

Além disso, o padrão 802.11ac tem uma forma de transmissão inteligente. Em vez de propagar as ondas de modo uniforme para todas as direções, os roteadores wireless reforçam o sinal para os locais onde há computadores conectados. É a tecnologia Beamforming, desenvolvida pela Wavion, que garante comunicação direta entre os dispositivos da rede.

(Fonte da imagem: Reprodução/Netgear)

Vale lembrar ainda que a nova especificação deve reduzir os problemas de pontos mortos, ou seja, locais que antes não recebiam sinal devido ao grande número de barreiras, agora, podem servir como lugares para acesso à web. Não há muitos detalhes quanto ao funcionamento nesse aspecto, mas tudo indica que o reforço de sinal será responsável pela melhoria.

A evolução do padrão

Quando consultamos os sites da Buffalo Tech, da Netgear, da D-Link e da Belkin, encontramos informações sobre suporte total para transmissão a 1,3 Gbps. Portanto, não deve haver nada de Draft (compatibilidade razoável com a especificação) no lançamento.

Os primeiros roteadores compatíveis com a especificação 802.11ac devem chegar ainda este ano. A Netgear, por exemplo, promete que o roteador R6300 vai ser lançado até o fim de maio. Contudo, assim como ocorreu em ocasiões anteriores, os primeiros dispositivos podem não oferecer todos os recursos prometidos ou oferecer redução de qualidade do sinal.

Quanto aos preços, não há como esperar dispositivos de baixo custo. O modelo da Netgear, citado acima, chega às prateleiras custando US$ 199,99. Outros aparelhos devem seguir a mesma faixa de preço. Por ora, não há previsões de lançamento no Brasil.

O upgrade é válido?

Como o novo padrão ainda não está disponível, não é simples definir se a aquisição da nova tecnologia é algo necessário. Todavia, considerando os recursos oferecidos, podemos dizer que um upgrade às pressas pode ser uma péssima jogada.

Ainda que os roteadores 802.11ac ampliem a qualidade do sinal, a velocidade e eliminem alguns defeitos, a velocidade oferecida não oferece benefícios concretos, visto que a internet brasileira opera com velocidades bem abaixo do que os novos roteadores conseguem transmitir.

Ampliar (Fonte da imagem: Reprodução/AnandTech)

Além disso, é preciso considerar que somente os aparelhos que vão surgir no segundo semestre serão compatíveis com a nova especificação. Portanto, de nada adianta investir desesperadamente em uma tecnologia que pode não trazer benefícios imediatos. De qualquer forma, vale ficar de olho nos testes e na evolução de mercado para compras futuras.

Fontes de pesquisa: Netgear, 5G Wi-Fi, Buffalo Tech, Belkin, D-Link, AnandTech