Já há algum tempo ficou claro que o Telegram está ganhando espaço como um competidor à altura dos maiores nomes no segmento de mensageiros instantâneos. Um anúncio feito pela empresa nesta terça-feira (23), durante o MWC 2016, porém, mostra que o aplicativo realmente não está brincando em serviço, já que chegou à marca impressionante de 100 milhões de usuários ativos mensalmente.

O comunicado foi feito por Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, em seu keynote na feira de tecnologia mobile, em Barcelona. Segundo o executivo, além de atingir um número impressionante de clientes fiéis, o serviço também se prova bastante atrativo para marinheiros de primeira viagem, recebendo uma média de 350 mil novos inscritos diariamente. Nada mal para um app lançado há apenas dois anos e meio e que começou com modestos 100 mil usuários interessados pela ferramenta de comunicação criptografada.

Presente em cerca de 200 países, o Telegram é responsável pela transferência de mais de 15 bilhões de mensagens a cada dia, um crescimento considerável em relação a dezembro de 2014, quando a plataforma – então com 50 milhões de usuários ativos – gerava “apenas” 1 bilhão de postagens ao dia. Por mais impressionante que esses dados sejam, ainda vai ser preciso uma boa dose de empenho da desenvolvedora russa para incomodar seriamente os gigantes da indústria: Messenger e WhatsApp.

Ambos os produtos do Facebook são verdadeiros monstros no mercado mobile, com o primeiro deles chegando recentemente aos 800 milhões de usuários ativos e o segundo ostentando nada menos do que 1 bilhão deles – mantendo sua posição como líder do segmento. A diferença, no entanto, faz sentido, já que o aplicativo criado pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov – fundadores da rede social VK – não contam com um império de tecnologia como o erguido por Mark Zuckerberg.

Outros atrativos

O fato de o Telegram não fazer parte da franquia Facebook, aliás, é o que acaba atraindo uma boa parte do público que segue desconfiado sobre como suas informações e dados pessoais são utilizados na web. Quando o WhatsApp foi comprado pelo Facebook, por exemplo, o mensageiro russo recebeu uma leva robusta de novos internautas. Outro pico de adesão ao app foi o bloqueio da Justiça brasileira ao Whats, que fez o Telegram ganhar nada menos do que 1,5 milhão de novos usuários em apenas cinco horas.

Além disso, o recurso de encriptação de mensagens e as dezenas de ferramentas que são incorporadas periodicamente ao produto tornam o software ainda mais interessante para usuários avançados e entusiastas de segurança nas plataformas mobile. Toda essa privacidade dos clientes, no entanto, tem levado alguns especialistas a acusarem o serviço de facilitar a comunicação entre terroristas por todo o mundo – impedindo que os agentes da lei possam mapear a origem das mensagens.

Isso não parece incomodar o CEO da empresa, que, em uma conversa recente com o site TechCrunch, disse que “a privacidade, por fim, é mais importante que o nosso medo de coisas ruins acontecerem, como o terrorismo”. Ao longo da sua palestra no Mobile World Congress deste ano, Pavel também fez questão de deixar claro o seu apoio a Tim Cook na polêmica briga da Apple contra o FBI.

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