Apesar de já estarmos em 2016, muitas tecnologias consideradas datadas ainda são utilizadas no mundo todo. No finalzinho do ano passado, até listamos alguns produtos que finalmente viram o seu fim. Contudo, apesar de a informação de que aparatos antigos ainda são utilizados no mundo ser senso comum, você sabia que há operações muito importantes sendo executadas por eles?

Nesta lista, vamos elencar 9 tecnologias obsoletas que não só são utilizadas no dia a dia, como desempenham papéis importantes na sociedade. É comum ouvir que fitas ainda são para backups ou que a NASA conta com alguns equipamentos datados, mas, no fim, qual é o impacto disso? Confira abaixo a nossa lista completa.

1 – Computadores antigos da NASA

Esse primeiro exemplo com certeza vai gerar alguns: “Ahhh! Esse eu já sabia”. O termo “computador da NASA” é amplamente utilizado para descrever máquinas potentes, mas a realidade é um pouco diferente em alguns casos. Você também já deve ter ouvido falar que muitos módulos espaciais da agência espacial norte-americana contam com componentes computacionais dos anos 80. E é verdade.

Parte da filosofia do órgão é “não mexer em time que está ganhando”. Até 2011, muitos testes de segurança de foguetes de ônibus espaciais eram realizados em computadores com processadores Intel 8086, desenvolvidos no final dos anos 70 e no início dos anos 80. E esse não é um exemplo único.

O sistema de backup do telescópio Hubble funciona com um chipset de 1989 (Intel 486), o PC mais importante da Estação Espacial Internacional roda em um processador de 1985 (em conjunto com apenas 1,5 GB de espaço em disco), e o veículo Rover Curiosity, lançado para Marte em 2011, conta com componentes de 1997.

Em 2002, a NASA recorreu ao Ebay para comprar computadores antigos e adquirir peças de reposição para os próprios equipamentos e projetos.

2 – Sistemas legados em bancos

A NASA não é a única que gosta de manter coisas antigas na ativa até hoje. Você já ouviu falar dos sistemas legados? São sistemas computacionais antigos e obsoletos, mas que continuam em uso ainda hoje em papéis essenciais, como é o caso dos bancos. A linha principal é a mesma da utilizada pelo programa espacial norte-americano: não se mexe em time que está ganhando. Ou quase isso, já que há alguns pontos negativos.

Os bancos (ou qualquer outro serviço complexo, como controle de tráfego aéreo) não podem parar, e é arriscado demais implementar um novo sistema. Afinal, estamos falando de algo que lida com quantidades astronômicas de dinheiro. Esses sistemas são, geralmente, feitos com linguagens datadas de programação e, às vezes, podem utilizar hardware ultrapassado também (varia de caso para caso).

3 – O Serviço Secreto americano utiliza computadores da década de 80

O Serviço Secreto dos Estados Unidos é responsável pela segurança do presidente americano, do vice-presidente, dos chefes de Estados estrangeiros e na prevenção de falsificação da moeda americana. Para realizar um excelente trabalho, provavelmente eles têm à disposição todos os equipamentos de ponta, certo? Infelizmente, não.

Essa foto não é do Serviço Secreto, pois não é possível gravar imagens do local por motivos de segurança

Por mais incrível que pareça, o mainframe utilizado pela organização é dos anos 80. Você pode perguntar: “Ah, esse caso também é um daqueles de ‘não mexer em time que está ganhando’?”. Dessa vez, a resposta é não. Os dispositivos são datados e cheios de problema, funcionando apenas 60% do tempo – o padrão de qualidade imposto é que eles funcionem em 98% do tempo.

Apesar de ser uma tecnologia obsoleta, há planos de modernizar a infraestrutura do Serviço Secreto, que aos poucos terá a qualidade de ponta necessária.

4 – Fax ainda é utilizado para se comunicar no Japão

Fax? Quem usa isso hoje? Aparentemente, uma boa parcela da população japonesa. Apesar de os nipônicos contarem com tecnologias além da nossa imaginação, como atendentes-robôs, eles também têm certo carinho por aparatos mais antigos.

Em 2013, quase 2 milhões de aparelhos de fax foram vendidos no país, e quase 100% dos escritórios e 45% das residências se comunicam através do dispositivo. Israel também aprecia a forma de comunicação datada e segue a mesma linha do povo japonês.

5 – MS-DOS em sistemas de hospitais

Atualmente, é difícil encontrar pessoas ou negócios que utilizam as versões mais velhas que a do Windows 7. Certamente, algum comércio ou residência mais humilde deve possuir uma versão do Windows XP (afinal, até mesmo a Marinha americana ainda o utiliza). Contudo, alguns lugares usam – pasmem – o MS-DOS, e eles são serviços importantes para a população.

O hospital de veteranos de guerra americano está em dívida com os soldados do país, pois todas as consultas são marcadas em um sistema arcaico, com uma das primeiras versões do sistema operacional da Microsoft, algo que está aumentando em muitas vezes o período para atender os pacientes.

6 – A Força Aérea norte-americana utiliza disquetes de 8 polegadas

Você pode não acreditar que a Força Aérea norte-americana utiliza computadores obsoletos e disquetes de 8 polegadas, mas é verdade. E o pior é que esse sistema não opera funções básicas, mas o lançamento de foguetes.

A explicação para utilizar essa tecnologia datada é que o investimento para modernizar as instalações nunca chegou para grande parte dos edifícios militares utilizados durante a Guerra Fria. Segundo relatos, parte do governo americano também utiliza disquetes para algumas operações.

7 – Programas americanos devem enviar cópias físicas para o escritório de Copyright

Assim que um programa é exibido na TV americana, uma cópia dele deve ser enviada para o escritório de Copyright do país. O objetivo é preservar o conteúdo em um único lugar, criando uma biblioteca de arquivos para o futuro. Contudo, o envio não é bem como você deve imaginar, ou seja, nada de distribuir uma cópia pela nuvem.

O conteúdo é gravado em uma fita Betacam, um formato que perpetua desde 1982. Nada de Blu-ray ou pendrives. Todos os episódios de séries, shows e programas de TV são enviados no formato de fita ou DVD-R. Um tanto estranho que a herança cultural seja armazenada em uma mídia de qualidade tão baixa, não? Afinal, a qualidade de um DVD não se compara à resolução 4K de "House of Cards" no Netflix.

8 – A aposentadoria americana é processada com um sistema dos anos 60

Naturalmente, é comum pensar que qualquer coisa hoje que dependa de um sistema ou de algum tipo de organização utiliza um computador por trás. Afinal, preencher papéis e armazenar fichas físicas são coisas datadas e que não são mais utilizadas. A não ser quando o assunto é o processo de aposentadoria nos Estados Unidos.

Todos os documentos são armazenados em um depósito na Pensilvânia, que costumava ser uma antiga mina de calcário. O local, que é imenso, conta com centenas de milhares de arquivos de papel de aposentados. Apesar de 85% das fichas serem escaneadas e convertidas para o formato digital, ainda há 15% que existem apenas fisicamente.

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Em outras palavras, caso um arquivo não esteja listado no sistema, alguém terá que buscá-lo em alguma prateleira esquecida. Nos últimos 30 anos, existiram muitas tentativas de modernizar a infraestrutura, mas nenhuma delas deu certo, incluindo uma de 2008 que custou US$ 106 milhões (R$ 430 milhões) e foi largada três meses depois. Isso é que é gasto público, hein?