Aos olhos de alguns, a tecnologia é o melhor meio de modernizar logísticas e fomentar o avanço de infraestruturas. Aos olhos de outros, ela representa uma complexidade que ainda impõe obstáculos. Independentemente do lado que você tomar, uma coisa é fato: a tecnologia é onipresente, isto é, está em todos os lugares. Até mesmo na agricultura, setor no qual o Brasil se destaca ao fazer uso da chamada “agricultura digital”, que só está aumentando no país e em escala mundial.

Os aparelhos utilizados para coleta e melhor aproveitamento de todas as informações existentes nas lavouras estão contribuindo para um cenário mais ágil, mais proveitoso e, sobretudo, mais acessível. Nesse contexto, os dispositivos móveis – a exemplo de smartphones, tablets e afins – exercem um papel de suma importância.

Para entender melhor os conceitos da agricultura digital, as ferramentas que cercam esse segmento e os mercados mais beneficiados por ela, o TecMundo teve a oportunidade de conversar com Brian Zimmer, vice-presidente de engenharia da Climate Corporation, empresa recentemente comprada pela Monsanto e forte atuante no setor.

Uma nova e promissora área de atuação

A ideia da companhia é combinar ciência agronômica, germoplasma (material genético das sementes), utilização de dados e engenharia de software. Onde alguns veem crise, outros enxergam oportunidades. Esse é um mercado em crescimento no Brasil durante os próximos anos – na verdade, durante todos os anos, pois não podemos ficar sem comida, certo?

“Exatamente. Não existe crise para esse mercado. As pessoas precisam comer, elas precisam sobreviver, e nós precisamos fornecer isso a elas [alimentos]. Existem maneiras e maneiras de lidar com as lavouras, e o Brasil tem uma agricultura riquíssima – até mais desafiadora que a nossa dos Estados Unidos, na verdade”, relata Zimmer.

Brian Zimmer, vice-presidente de engenharia da Climate Corporation

O executivo tem mais de 15 anos de experiência desenvolvendo sistemas de grande escala em diversas indústrias segmentadas. Antes de atuar na Climate Corporation, Brian trabalhou na Orbitz, que também cuida de arquiteturas para essa área, como responsável pelo desenvolvimento da plataforma de serviços deles. O vice-presidente também tem passagem pelo banco de investimento UBS.

Brasil: desafiador, mas “prazeroso”

A agricultura digital é apenas um conceito e pode ser vista como uma combinação de fatores: o uso de tecnologias a favor da coleta e utilização de dados das lavouras; a maneira como os trabalhadores lidam com essa “virtualização” do sistema; o estudo climático que interfere na logística desses profissionais e até mesmo o manuseio dos equipamentos de coleta, cada vez mais modernos.

“Antes, tínhamos poucas opções ao nosso alcance, sabe? Hoje, temos diferentes formas de lidar com isso. E preciso dizer: a agricultura do Brasil é desafiadora. Complexa até mesmo para nós [dos EUA]. Vou tentar explicar em palavras resumidas, mas o que ocorre é que, aqui, existem duas camadas para analisarmos, cada qual com sua complexidade. (...) Eu diria que a fundação [do solo daqui] é muito diferente do solo da fundação dos EUA. Há muito o que estudar nas plantações daqui”, explicou Zimmer.

Fiquei impressionado com o conhecimento dos líderes daqui e os cuidados que eles passam aos agricultores

O especialista contou que ficou “impressionado” com a maneira pela qual os líderes daqui educam seus agricultores – no que tange ao uso de novas tecnologias ou simplesmente na maneira como toda a logística tradicional é conduzida. “Os agricultores daqui têm bastante conhecimento. Em nossos estudos e na rápida visita que fiz por aqui, fiquei impressionado com o conhecimento dos líderes e os cuidados que eles passam a seus funcionários. São pessoas que se educam a usar os sistemas e fazer tudo funcionar”, elogiou o executivo.

O uso de dispositivos móveis na agricultura tem sido cada vez mais aprimorado

Dispositivos móveis: novas possibilidades

Com o advento de mais dispositivos móveis e dos recursos que eles oferecem, o mercado vai dar uma chacoalhada ainda maior – e, conforme mencionado, nunca há crise nesse setor. Basta pensar nas possibilidades do mundo mobile: programação, design, desenvolvimento de novas ferramentas e de softwares aplicáveis na agricultura. Isso já existe, mas a tendência é que a escala aumente substancialmente.

Em termos de infraestrutura, sabe-se que o Brasil ainda carece de recursos quando comparado a sistemas de Primeiro Mundo, mas, em muitos casos, nosso país se equipara a outras indústrias desse porte. “Até porque a indústria de vocês é gigante”, opina Zimmer. “Mas sim, existe a questão da infraestrutura. Melhorou bastante ao longo dos últimos anos. Eu ainda precisaria visitar vários pontos daqui [do Brasil] e quero fazer isso para ver de perto. Mas em muitos locais, por exemplo, tablets já são utilizados para monitorar o solo e fazer um melhor controle da coleta, como se fosse um minigame mesmo”, concluiu.

Conforme mencionado, a Climate se posiciona de forma estratégica nesse mercado e, com a linha Fieldview, traz soluções digitais – concentradas majoritariamente no mundo mobile – que oferecem diversas possibilidades e abrem todo um leque de opções no mercado de trabalho.

Esse é o Fieldview Pro, um dos produtos da linha da Climate

“É um mercado promissor e que nunca tem crise. Com o advento de novas tecnologias e o foco cada vez mais concentrado no mobile, novas opções nascem aos montes, principalmente no Brasil. Os universitários precisam saber disso. Há uma indústria aqui que nunca perde o potencial”, pontuou Zimmer.

Não deixe de conferir outros detalhes sobre a Climate Corporation no site da companhia e fique ligado no TecMundo para mais coberturas sobre agricultura digital, que deve fazer barulho nos próximos anos – e onde a Climate se posiciona de forma pioneira.

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