Como a maioria das pessoas sabe, o tanque de guerra é um veículo blindado que se movimenta utilizando esteiras e possui algum tipo de armamento embutido, feito para combates de linha de frente em uma guerra. A ideia de um veículo fortificado para ser utilizado em batalhas é bastante antiga, sendo possível encontrar rascunhos de um projeto desse tipo entre os trabalhos de Leonardo da Vinci, no final do século 15.

O escritor H. G. Wells, famoso por sua obra “A Guerra dos Mundos”, também teria “previsto” veículos dessa maneira em um conto de 1903 chamado “The Land Ironclads”. A grande estreia dos tanques de guerra em uma batalha real foi na Primeira Guerra Mundial, tendo sido desenvolvidos simultaneamente pelo Reino Unido e pela França na tentativa de superar os obstáculos da guerra de trincheiras, novidade no confronto iniciado em 1914.

A primeira batalha de que se tem registro com o uso de tanques de guerra foi a famosa Batalha de Somme, envolvendo forças do Império Britânico e Francês contra o Império Alemão. Essa batalha contou com a presença de ilustres conhecidos como os escritores J. R. R. Tolkien, autor da trilogia “O Senhor dos Anéis”, e C. S. Lewis, criador de “As Crônicas de Nárnia”, no exército inglês, e de ninguém menos que Adolf Hitler, ainda um soldado alemão, que acabou saindo ferido desse combate.

Confira a seguir uma lista com as 10 maiores batalhas envolvendo tanques de guerra através das guerras do século 20.

1) Batalha de Cambrai (França, 1917)

Cambrai é uma comuna no departamento norte da França onde ocorreu a Batalha de Cambrai, entre 20 de novembro e 7 de dezembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. A comuna era um ponto estratégico para o abastecimento da retaguarda germânica e foi disputada pelos impérios Alemão e Britânico.

Essa batalha é considerada o primeiro grande combate entre tanques na história das guerras e marcou uma mudança profunda no jeito de lutar: pela primeira vez, os envolvidos dependiam mais da capacidade de suas armas e veículos do que da habilidade de sua infantaria.

No dia 20 de novembro de 1917, o Império Britânico atacou Cambrai com 476 tanques, dos quais 378 eram veículos de combate. Os alemães foram pegos de surpresa e sofreram uma retração de quase quatro quilômetros em um fronte de mais de nove quilômetros. Apesar de os alemães terem conseguido recuperar parte desse território, a ofensiva mostrou o poder dos tanques de guerra em uma batalha como essa.

2) Batalha de Khalkhin Gol (Mongólia, 1939)

Esse combate ficou marcado como a primeira batalha envolvendo tanques na Segunda Guerra Mundial. Aconteceu na fronteira entre a Sibéria, na Rússia, e a Mongólia, dentro do contexto da guerra Sino-Japonesa, com os exércitos soviético e mongol enfrentando o Império do Japão.

Os japoneses afirmavam que o rio Khalkhin Gol marcava a fronteira entre a Mongólia e a Manchúria, território chinês ocupado pelo Japão. Já os soviéticos e mongóis discordavam, considerando a fronteira um ponto mais ao leste. Em maio de 1939 os confrontos começaram com a ocupação do território pela União Soviética com uma força de 58 mil homens, quase 500 tanques e 250 aeronaves.

Os tanques soviéticos T-26 superaram os veículos japoneses antiquados, que não possuíam munição capaz de perfurar a blindagem dos inimigos. O primeiro-tenente Sadakaji, desesperado, chegou a atacar um tanque com sua espada samurai antes de ser morto pela ofensiva. O conflito acabou com mais de 61 mil vítimas, com apenas 8 mil mortos e 15 mil feridos do lado do Exército Vermelho e a grande maioria do lado japonês.

3) Batalha de Arras (França, 1940)

A Batalha de Arras aconteceu em 21 de maio de 1940 na cidade de Arras, na França, e não deve ser confundida com outra Batalha de Arras que ocorreu no mesmo local em 1917 como parte da Primeira Guerra Mundial. O combate do qual tratamos aqui aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial e foi um contra-ataque dos Aliados, mais precisamente a Força Expedicionária Britânica, sobre o flanco da blitzkrieg alemã em território francês.

O contra-ataque, batizado de “Frankforce”, envolveu dois batalhões de infantaria de 2 mil homens e apenas 74 tanques. Mesmo assim, as forças aliadas capturaram mais de 400 prisioneiros alemães e fizeram com que a 7ª Divisão Panzer alemã pensasse que o ataque havia sido realizado por cerca de cinco infantarias em vez de duas, tamanha a ferocidade do avanço britânico.

4) Batalha de Brody (Polônia, 1941)

A Batalha de Brody foi, até então, o maior confronto de tanques da Segunda Mundial e aconteceu no começo da Operação Barbarossa para impedir o avanço rápido das tropas alemãs no fronte oriental. A luta ocorreu no triângulo formado pelas cidades de Brody, Dubno e Lutsk, na época parte da Polônia ocupada. Hoje em dia, as três cidades ficam em território ucraniano.

O confronto envolveu cerca de 800 tanques do Eixo contra cerca de 3,5 mil veículos soviéticos. Com início no dia 27 de junho de 1941, o confronto durou quatro dias e acabou com uma amarga derrota do Exército Vermelho, vítima de uma tática errada e do ataque avassalador da Luftwaffe, a força aérea alemã.

Pela primeira vez os famosos tanques T-34 soviéticos apareceram em um campo de batalha e já mostraram que seriam páreo duro para os alemães, apesar da derrota inicial. Nesse confronto, os russos perderam mais de 800 tanques, enquanto as perdas da Alemanha não passaram de 200.

5) Segunda Batalha de El Alamein (Egito, 1942)

Essa batalha aconteceu entre 23 de outubro e 11 de novembro de 1942 próximo à estação ferroviária de El Alamein, cidade no norte do Egito. Foi o único combate de tanques vencido pelas forças britânicas sem a ajuda direta do exército americano na Segunda Guerra Mundial, apesar dos 300 tanques Sherman yankees no total de 547 tanques.

Foi um marco nas disputas do norte da África e um evento de extremo azar para o exército alemão. Lideradas pela “Raposa do Deserto”, o general Erwin Rommel, as forças germânicas ficaram ser líder quando Rommel teve que ser internado com uma febre altíssima. Seu substituto, o também general Georg von Stumme, morreu de ataque cardíaco fulminante durante o confronto, deixando a Alemanha sem rumo.

Tanto os ingleses quanto os germânicos perderam cerca de 500 tanques cada, mas a falta de iniciativa do lado aliado permitiu que o exército do Eixo recuasse a tempo de evitar mais casualidades.

6) Batalha de Kursk (União Soviética, 1943)

A Batalha de Kursk é considerada o mais longo combate de armas pesadas de toda a Segunda Guerra Mundial. Aconteceu logo após a derrota do exército alemão em Stalingrado, quando os germânicos recuavam para terras mais ocidentais e decidiram tentar recuperar a operação parando na cidade de Kursk. Com duração de quase dois meses, o conflito envolveu mais de 3 mil tanques alemães contra praticamente o dobro dessa quantidade no lado soviético.

A batalha foi terrível e contou com feitos inacreditáveis em ambos os lados, incluindo um comandante de tanque da SS – a organização paramilitar a serviço de Hitler – que destruiu nada menos que 22 tanques soviéticos em menos de uma hora. Os combates eram insanos, com soldados russos que se aproximavam de maneira suicida dos tanques alemães para atirar minas terrestres debaixo de suas esteiras.

O conflito também teve apoio aéreo nos dois frontes, com bombas chovendo do céu em cima do campo de guerra. Apesar da vitória soviética, eles perderam 3,8 mil tanques, e os germânicos, apenas 760, uma quantidade absurda de 5 veículos Aliados para um do Eixo. Enquanto a Alemanha teve 54 mil mortos, a União Soviética perdeu 178 mil soldados. Eis um perfeito exemplo de uma vitória que tem muito mais cara de derrota.

7) Batalha de Arracourt (França, 1944)

Essa foi, até então, a maior batalha de tanques travada pelo exército americano e aconteceu no território da Lorena, área em disputa entre franceses e alemães, entre os meses de setembro e outubro de 1944. Os tanques Sherman dos Estados Unidos foram capazes de derrotar uma tropa completa de Panzers alemães, permitindo que o 21º Exército atacasse as forças germânicas pelo Norte.

Para efeito de comparação, enquanto os alemães tiveram 86 de seus 262 tanques destruídos, além de 114 danificados, os americanos perderam apenas 25 veículos. Isso impediu que houvesse um contra-ataque por parte da Alemanha, liberando a Lorena da ocupação e permitindo a futura ofensiva de inverno dos Aliados sobre o território germânico.

8) Batalha de Chawinda (Paquistão, 1965)

Saindo da era da Segunda Guerra Mundial, pulamos direto para o ano de 1965, na Guerra Indo-Paquistanesa – também conhecida como Segunda Guerra na Caxemira –, na qual 132 tanques paquistaneses e mais 150 reforços enfrentaram 225 veículos blindados indianos.

A batalha durou de 6 a 22 de setembro de 1965 no corredor de Ravi-Chenab, que liga a província de Jammu e Caxemira ao território indiano. As tropas da Índia dirigiram-se para a cidade de Chawinda na tentativa de cortar suprimentos dos paquistaneses. A batalha principal entre tanques aconteceu no dia 11, com a perda de 40 veículos do Paquistão e 120 da Índia.

9) Batalha do Vale das Lágrimas (Egito, 1973)

Durante a Guerra do Yom Kippur, uma coalisão que incluía o Egito, a Síria, a Jordânia e o Iraque enfrentou Israel para removê-los de uma ocupação ilegal na península do Sinai. A brigada israelense já havia sido reduzida de 150 tanques para apenas 7 quando a Síria preparava mais um ataque. Para a sorte dos semitas, um reforço formado por mais 13 tanques levemente danificados e pilotados por soldados feridos pôde proteger a força principal.

No fim das contas, a Guerra do Yom Kippur foi o maior conflito de tanques após o fim da Segunda Guerra Mundial, tendo participado dela mais de 1,7 mil tanques israelenses (dos quais 63% foram destruídos) e quase 3,5 mil veículos blindados da coalisão, com cerca de 2,3 mil deles aniquilados.

10) Batalha de 73 Easting (Iraque, 1991)

O mais recente dos grandes conflitos de tanques de guerra aconteceu no dia 26 de fevereiro de 1991 durante a Guerra do Golfo, entre as forças de blindados britânico-americanas e os veículos de combate da Guarda Republicana Iraquiana. A última grande batalha de tanques do século 20 envolveu mais de 12 veículos M3 Bradley e nove M1A1 Abrams contra mais de 85 tanques iraquianos, entre eles alguns T-55 e T-72 russos.

A batalha teve coo cenário o deserto do Iraque e foi uma catástrofe completa para o exército de Saddam Hussein. As vantagens tecnológicas dos veículos americanos superaram facilmente a força iraquiana, resultando na morte de 600 soldados da Guarda Republicana e 85 tanques destruídos. Apenas um veículo dos Estados Unidos foi aniquilado.

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