A TV já passou por uma série de mudanças desde a sua criação, e uma das mais radicais, sem dúvida, foi no seu visual. Se no início ela era praticamente do tamanho de um armário, hoje é quase tão fina quanto os quadros pendurados na sua parede.

A Philips DesignLine é diferente de tudo o que você já viu em televisores, isso porque o seu formato foge bastante do padrão tradicional. Esqueça os modelos sem bordas: esse não possui nem mesmo pé de apoio.

O objetivo dessa TV é chamar atenção pelo design inovador, mas será que ela impressiona?

Especificações

Design

A parte da frente dessa TV é um painel de vidro que vai do começo ao fim, sem divisões, sem bordas e sem detalhes que chamem mais atenção do que deveriam. Para que isso seja possível, ela não tem nem mesmo base ou pé de apoio, ou seja, é preciso apoiá-la na parede ou pendurá-la.

Mas deixar a TV simplesmente apoiada na parede não é perigoso? Na verdade, sim. Tanto que a Philips recomenda cuidado com o modelo, que é feito de um vidro temperado e bastante resistente, mas que não é completamente inquebrável. Isso faz dessa TV um eletrônico bastante sensível.

O vidro dá um visual bem interessante ao aparelho. A frente única, sem espaços ou frisos, contribui para garantir uma harmonia visual sofisticado. A parte de baixo — que toca o chão — é inteiramente transparente, e vai escurecendo até o início da tela.

Se a parede de fundo for inteira na cor branca, é possível ter a impressão de que a imagem vai se formando no ar, graças ao gradiente. Esse efeito não pode ser visto em TVs simplesmente penduradas na parede, pois quem faz ela se mesclar ao ambiente é justamente o efeito do vidro.

Toda essa experiência se completa com o Ambilight. O recurso desenvolvido pela Philips não é novidade desse aparelho, mas é aqui que ele mais chama atenção. Isso acontece porque o sistema trilateral projeta as luzes na parede a partir das imagens exibidas na TV, ajudando a aumentar o efeito de imersão.

O Ambilight também pode ser controlado de outras formas. É possível deixar a luz com uma cor fixa, por exemplo.

A Philips envia, junto com a TV, um suporte para parede. Contudo, a experiência completa exige que ela seja posicionada no chão, apoiada.

Na parte traseira, o televisor possui uma grande quantidade de conectores de quase todos os tipos. O destaque fica para o sistema de organização dos cabos, que faz um ótimo trabalho ao esconder os fios de forma eficiente. Isso também ajuda a garantir a harmonia visual do ambiente.

Mas nem tudo é perfeito no design desse aparelho. Se a frente de vidro é um detalhe interessante, por outro lado ela também funciona como um grande espelho.

A quantidade de reflexo é grande e em alguns momentos chega a atrapalhar, já que qualquer ponto de luz ou claridade próximo à TV prejudica a visibilidade. E isso é algo que nem sempre pode ser evitado, principalmente porque a TV possui quase um metro e meio de altura do chão.

Controle remoto

O controle remoto é grande e mais pesado que de outras TVs. Contudo, ele combina uma série de funções inteligentes. Além de trazer as teclas de controle, ele também possui um teclado completo na parte de trás: algo que facilita muito na hora de realizar alguma busca.

O teclado é dividido em duas partes, feito para que você o segure na horizontal e digite os textos com os polegares. No geral, é bastante simples e confortável fazer isso.

O controle também possui acelerômetros. Com isso, é possível utilizar um cursor na tela para selecionar as funções e aplicativos smart. É exatamente como um controle de Nintendo Wii: basta apontar e clicar.

Nesse modo, o botão principal fica bem ao alcance do polegar. A parte boa é que para utilizar essa função, não é preciso apontar o controle remoto para a TV, o que facilita o uso do dispositivo. Apesar de ter muitos botões, o formato deles ajuda na sua identificação “por toque”. Há um bom espaço separando as teclas, o que também é positivo.

No geral, é possível ver que a Philips investiu um bom tempo desenvolvendo esse controle remoto, estudando e adaptando as funções para garantir uma experiência satisfatória.

Tela e qualidade de imagem

Esse televisor é capaz de exibir imagens com ótima qualidade. Mesmo vídeos com resolução inferior ao Full HD ficam bem nessa tela de 55 polegadas. Para conseguir esse resultado, a Philips empregou diversas tecnologias especiais de processamento de imagem.

Entre eles está o Perfect Pixel HD, responsável por empregar mais nitidez às imagens. Isso é feito através de um trabalho de aprimoramento pixel por pixel, resultando em uma combinação de mais nitidez, contraste, e movimento.

Outro recurso que essa TV carrega é o Perfect Motion Rate (PMR). Essa ferramenta traz uma taxa de atualização de 1.400 Hz para garantir mais rapidez na atualização das imagens da tela, separando melhor os quadros e tornando a movimentação mais fluente em qualquer tipo de cena exibida na TV.

Essa TV também oferece suporte a imagens em 3D. O padrão é o ativo, ou seja, o óculos precisa estar em sincronia com a tela para alternar as imagens e apresentar os resultados desejados. A vantagem dessa tecnologia em relação à passiva — presente em outros televisores — é que as imagens não perdem definição. Por outro lado, os óculos são mais caros e o efeito de flickering pode incomodar alguns espectadores mais sensíveis.

O resultado, na prática, é bastante satisfatório, tanto para imagens nativamente em três dimensões quanto para imagens convertidas em “tempo real”. Nesse quesito, mais um ponto para a fabricante.

O sistema de som é outro destaque positivo do aparelho. A Philips sempre foi referência nesse ponto e continua fazendo um bom trabalho, oferecendo alto-falantes capazes de proporcionar uma boa experiência sonora.

A TV carrega apenas dois alto-falantes na parte traseira, mas cada um é capaz de oferecer até 15 W RMS de potência — suficiente para garantir uma boa experiência na sua sala.

Para completar, existe uma série de recursos especiais e efeitos sonoros prontos para simular surround e outras variações.

Conectividade

A Philips tratou de inserir nesse aparelho uma série de portas de comunicação. São 4 portas HDMI, 1 vídeo componente (YPbPr) e 3 portas USB. Para a internet existe suporte a cabo Ethernet (RJ-45) e WiFi.

O HDMI é compatível com o EasyLink, capaz de transferir para o controle remoto o comando de outros aparelhos conectados à TV. O WiFi é compatível com o Miracast, que permite a conexão de telas à TV sem a necessidade de fios.

Nós testamos esse recurso com diversos aparelhos. A conexão é descomplicada, bastando ativar o sistema no seu smartphone ou tablet e selecionar a TV. Tudo deve ser ativado imediatamente.

Para isso funcionar é preciso ter uma rede de dados bastante sólida. Porém, mesmo que o padrão da TV seja o Wi-Fi 11n, tivemos alguns problemas, como uma latência mais alta que o normal e a falha de conexão depois de alguns momentos. No geral, funciona, mas não da melhor maneira possível.

Sistema operacional

A interface de qualquer televisor inteligente é um dos pontos principais do aparelho, afinal de contas é por lá que você vai gerenciar todas as funções disponíveis, selecionar os seus programas favoritos e muito mais.

A Philips segue uma linha simples com a interface desse aparelho. Ao pressionar o botão home, você é levado a uma tela com algumas funções principais: ver TV, Smart, entradas e configurações. Tudo é bem organizado, e encontrar as funções desejadas não incomoda muito, desde que você saiba o que está procurando. Mesmo que a interface não seja a melhor já vista, ela é bastante agradável.

Para auxiliar nessa tarefa, a TV possui um diretório de auxílio completo; o manual de instruções está sempre na tela, basta acessá-lo e buscar pelas funções desejadas. Tudo está lá — e muito bem explicado, por sinal.

Os problemas começam quando tentamos acessar a função Smart. Os aplicativos são bem posicionados na tela, mas a interface tem uma aparência que não combina muito com o visual da TV. Algumas imagens são em baixa definição e parecem estar “esticadas” na tela, dando um visual de produto de má qualidade ao aparelho. São momentos isolados, mas estão lá.

A quantidade de aplicativos disponíveis na TV (e na “loja”) não é muito grande, deixando você um pouco limitado quanto às opções de conteúdo. Felizmente, alguns dos mais importantes estão presentes, como Netflix, Facebook, YouTube e vários outros serviços de streaming de vídeo.

A interface seria satisfatória se não fosse lenta. Tudo o que você tenta fazer nessa TV é bastante pesado. Desde o momento em que você liga o aparelho até que a interface surge na tela, a impressão é que o sistema está sempre carregando alguma informação em segundo plano.

Selecionar os ícones, alternar entre os menus e até mesmo coisas simples como aumentar ou diminuir o volume são tarefas sofríveis nesse aparelho. Tudo está o tempo todo se arrastando. Abrir o Netflix, por exemplo, é fácil: basta clicar no ícone com o cursor e aguardar um bom tempo até que o programa seja executado. Caso você bata no botão voltar, mesmo sem querer, precisará esperar até o sistema voltar à interface e abrir o app novamente.

O YouTube é outro exemplo disso. Além dos problemas citados acima, navegar dentro do app é bastante sofrível; você provavelmente vai desistir antes de encontrar o vídeo que procura.

Vale lembrar que esses problemas já foram encontrados pelo TecMundo na análise de outro televisor Philips realizada há algum tempo, mostrando que eles não são de exclusividade desse modelo.

Vale a pena?

Se você procura uma TV com um design único e elegante, pode apostar nesse modelo sem pensar duas vezes. Já se você também quer um televisor com um sistema smart funcional, talvez seja melhor buscar outras opções.

A Philips trouxe um eletrônico cuja ideia principal é o design diferenciado, e nisso ela acertou. O aparelho possui diversos aspectos físicos dignos de nota, como a ousadia em abrir mão da base tradicional, por exemplo. Nisso, a empresa acertou. Todos os pontos externos foram feitos com isso em mente: garantir a harmonia e fazer o televisor se integrar aos demais objetos da sua sala.

A TV também possui uma qualidade de imagem e um sistema de som muito bons — algo que a Philips quase sempre foi capaz de oferecer. O único ponto realmente negativo é a interface exageradamente lenta do aparelho, algo que definitivamente acaba com a experiência de uso.

A faixa de preço desse aparelho é bastante variável. No mercado brasileiro, ela pode ser encontrada por preços que vão de 6 mil a 10 mil reais, portanto, sempre é bom pesquisar antes de fazer a sua compra. Ainda assim é preciso notar que, por esse valor, é possível encontrar aparelhos melhores, caso o design não seja o principal diferencial para você.