Os notebooks mudaram completamente algumas atitudes de quem não desgruda de um computador. Um ótimo exemplo é a revolução que causaram no meio acadêmico. Antes era preciso elaborar documentos no computador de casa, imprimi-los em folhas transparentes e então usar o retroprojetor da instituição de ensino para apresentar determinado trabalho.

E não é só nesse exemplo que vemos uma grande mudança. Antigamente era preciso passar frio e ficar usando o PC em uma cadeira desconfortável. Agora os laptops possibilitam acessar a web, assistir a filmes e usufruir de todo o potencial da informática no conforto da cama. Basta carregar o notebook para onde desejar, colocá-lo no colo e realizar qualquer atividade.

Tudo seria muito perfeito, se não fosse um pequeno inconveniente: o calor. Diversas pessoas vêm relatando que passaram por situações em que usaram o PC no colo e acabaram notando leves queimaduras na pele. Relatos desse tipo levaram alguns médicos a uma questão: afinal, utilizar o notebook no colo pode causar danos à pele?

Para esclarecer essa dúvida e outras questões relacionadas, entramos em contato com a doutora Kerstin Taniguchi Abagge, integrante do Serviço de Dermatopediatria do Departamento de Pediatria do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Agora você confere na íntegra nossas questões e as respectivas respostas da especialista.

Desvendando o mistério

Existe algum estudo para debater a questão dos danos à pele causados pelo uso do notebook no colo?

Sim. Existem vários relatos de caso acerca de lesões causadas pelo notebook, principalmente aquelas relacionadas ao calor (radiação infravermelha) em contato com a pele, também chamadas de "eritema ab igne".

Há casos que atestem os danos e malefícios do uso do notebook no colo? A partir de qual temperatura há um risco significativo?

Sim, há alguns relatos na literatura sobre a ocorrência de lesões de pele. Geralmente temperaturas acima de 45 ºC.

Qual o tempo máximo recomendado para se utilizar o notebook no colo?

O ideal seria a NÃO UTILIZAÇÃO ou a utilização com equipamentos de resfriamento (como os que contêm uma ventoinha com conexão USB) ou aqueles que proporcionam maior distância entre a CPU e a pele. Tanto pela saúde da pele quanto pelo adequado resfriamento do computador, pois seu superaquecimento pode levar a danos no equipamento.

(Fonte da imagem: Divulgação/Targus)

Quais os piores danos que esse calor pode causar? Existe a possibilidade de desenvolver câncer de pele?

Se a lesão pelo calor for de longa duração, pode haver queimadura, atrofia, alterações de pigmentação, ceratoses e até mesmo o surgimento de carcinoma de pele.

Em caso de danos, como se dá o tratamento?

Afastamento do calor, evitar exposição ao sol, utilização de cremes de corticosteróide na fase aguda e fotoproteção.

Há algum estudo comprovando quais marcas de notebook tendem a gerar problemas desse tipo?

Não que eu saiba. Todos os que eventualmente atinjam temperaturas acima de 45 ºC poderiam causar esse tipo de lesão.

Esse calor excessivo gerado pelo notebook pode causar impotência nos homens?

Há relatos de que o aumento da temperatura testicular poderia levar a uma diminuição na espermatogênese (produção de espermatozoides), ou seja, infertilidade, mas não impotência. Desconheço casos descritos na literatura médica de impotência relacionada ao uso do laptop no colo.

As fabricantes têm consciência dos problemas

Essa polêmica do “superaquecimento” não é nada nova e, inclusive, existem diversas notícias comprovando que muitas fabricantes fazem recalls para consertar centenas de milhares de produtos que aquecem além do comum. A Sony é uma das empresas que teve reclamações, no ano passado, e foi instruída por autoridades americanas a recolher os produtos danificados que estavam causando transtornos a diversos clientes.

E não foi só a fabricante japonesa que teve complicações quanto a isso. A HP também já teve que fazer recalls e sempre acontece de sabermos de alguma outra marca que tem de trocar os notebooks, pois estão com problemas de superaquecimento ou de bateria. Com alguns novos modelos esses inconvenientes estão desaparecendo, graças a novos processadores, como o Intel Atom e os modelos da linha AMD Fusion.

Possíveis causas e como evitar

Aproveitando o tema, nada melhor do que explorarmos todas as questões e garantirmos que você sane suas dúvidas de uma vez por todas. Por isso, elaboramos duas pequenas listas para citar os possíveis problemas que podem fazer o computador aquecer e algumas soluções.

Por que o notebook esquenta?

1. Se você comprou seu laptop há algum tempo, então é possível que o aquecimento seja culpa da poeira (como mostrado na imagem abaixo). Ao contrário de computadores desktop, os notebooks não são abertos com frequência e, consequentemente, a sujeira acumula com facilidade;

(Fonte da imagem: Reprodução/DMahalko)

2. O cooler não está operando na velocidade mínima necessária para refrigerar a CPU;

3. Você possivelmente está utilizando o notebook em uma superfície que não possibilita a passagem de ar;

4. Pode haver um problema na pasta térmica do processador. Se ela não opera da maneira esperada, pode ser que o processador esquente por não estar transmitindo o calor da maneira apropriada para o dissipador;

5. O problema pode ser no hardware. Talvez o processador esteja operando com uma tensão acima do normal ou foi realizado um overclock na CPU.

Como solucionar o problema?

1. Limpe as ventoinhas e todas as saídas de ar do notebook;

2. Use algum aplicativo para verificar se o cooler está trabalhando na velocidade padrão. Certifique-se de que não há nenhuma configuração na BIOS que esteja desregulada;

3. Verifique por onde o ar quente sai. Caso o cooler fique posicionado na parte de baixo, procure usar o computador em superfícies onde a saída não fique obstruída. Evite utilizar almofadas ou cobertores em baixo do computador. Talvez um cooler com conexão USB resolva o problema;

(Fonte da imagem: Divulgação/Targus)

4. Envie o computador para a assistência técnica autorizada para a substituição da pasta térmica;

5. Verifique na BIOS ou com algum software se o processador está operando com os valores de fábrica. Caso nenhuma das soluções resolva, envie o notebook para a assistência técnica.

Leia mais sobre o assunto

Desvendamos mais um mito ou verdade. Agora que você sabe que existe a possibilidade de que o notebook gere danos à pele, procure, sempre que possível, utilizar o notebook sem realizar contato direto com o corpo. Mesas portáteis com coolers podem ser excelentes alternativas para usar o PC no colo sem correr o risco de ter a pele queimada.

Caso você queira buscar mais informações sobre os problemas dermatológicos causados por notebooks, recomendamos a leitura do artigo “Eritema Ab Igne em adolescente induzido por computador laptop”, da doutora Susana Giraldi. Você pode fazer o download do arquivo PDF clicando aqui.

Você já teve problemas com o calor gerado pelo notebook? Tem outras dicas para evitar o superaquecimento e os danos à pele? Deixe seu comentário!