O começo do ano de 2015 trouxe um momento histórico bastante crítico para quem se preocupa com o futuro do planeta: o famoso Relógio do Juízo Final, pela primeira vez desde 1984, passou a marcar apenas três minutos para a meia-noite. Então veio o início de 2016, e muitos pensaram que o relógio mudaria novamente, agora para melhor. Isso, no entanto, não foi o que aconteceu; de fato, ele não deve mudar de posição tão cedo.

A decisão de manter o relógio nos três minutos foi revelada oficialmente na última sexta-feira (22) pelo Bulletin of the Atomic Scientists (BAS). Entre os motivos que os levaram a isso estão a atual situação de tensão entre EUA e Rússia, bem como o suposto teste de uma bomba de hidrogênio feito recentemente pela Coreia do Norte e um aumento geral no arsenal nuclear dos países.

Para quem não conhece, o Relógio do Juízo Final foi um relógio simbólico criado pelo BAS em 1945, após os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, com o objetivo de informar as pessoas sobre as probabilidades de uma nova guerra nuclear. Com o passar dos anos, porém, ele passou a incluir outros problemas, como o aquecimento global e a segurança do mundo, se movendo um total de 22 vezes em sua existência – sendo as últimas em 2012 e 2015.

Acima, um gráfico com a posição do relógio desde sua criação

Esses fatores, vale notar, também tiveram envolvimento na decisão de manter o relógio na posição atual. As altas temperaturas por todo o mundo, que chegaram a quebrar recordes de calor em várias regiões do planeta, foram motivo de preocupação para o BAS, mesmo com as tentativas dos países de diminuir o aquecimento global.

Da mesma maneira, o grupo pede maiores estudos e regulamentações para as tecnologias emergentes pelo mundo. Isso teria como objetivo evitar que novas descobertas acabem se mostrando perigosas pela pura falta de vigilância da sociedade.

Um problema com solução

É claro que, a esse ponto, muitos podem pensar que a decisão de não mudar o relógio de posição ao menos quer dizer que a situação não está pior. Mas não é bem assim, segundo Lawrence Krauss, chefe do Quadro de Patrocinadores do BAS: “A decisão de não mover a mão dos minutos do Relógio do Juízo Final não são boas notícias”, avisou ele.

O fato é que, segundo eles, há sim progresso positivo por parte dos países em melhorar a situação do planeta, mas o avanço ainda é muito pequeno para ser considerado significativo. Ao mesmo tempo, a possibilidade de uma nova Guerra Fria e a modernização dos programas nucleares contrabalanceiam o que foi alcançado pelos países.

A decisão de não mover a mão dos minutos do Relógio do Juízo Final não são boas notícias

Nem tudo está perdido, contudo. Como de costume, o BAS também sugere maneiras de “voltar o relógio”, como a redução de armamentos nucleares e a criação de melhores sistemas de descarte de lixo nuclear. Não menos importante é a tarefa de encontrar uma forma de dialogar com a Coreia do Norte – e não de isolá-la –, bem como de continuar com os planos para reduzir mundialmente o aquecimento global.

Resta agora esperar mais um ano para sabermos se vamos alcançar tudo isso e recuperar alguns minutos de nosso relógio.

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