A notícia sobre a "morte" da Motorola, dada por Rick Osterloh – COO da marca – na CES 2016, pegou o mundo de surpresa e fez muito consumidores temerem o que poderia acontecer com a empresa. Afinal, uma infinidade de pessoas apostou em um aparelho Moto para chamar de seu, o que deve ter despertado uma sensação de medo sobre a possibilidade de ficar "órfão" por conta do fim da marca.

A situação ficou ainda pior quando a notícia sobre a possibilidade de a Lenovo, atual dona da Motorola, descontinuar as linhas Moto G e Moto E começou a circular por aí. Chen Xudong, chefe da empresa chinesa, explicou em uma entrevista que a companhia optou por estabelecer um novo foco em aparelhos top de linha, deixando de lado dispositivos mais populares.

Um mal entendido?

No final das contas, tudo não passou de um mal entendido. De acordo com a assessoria de imprensa da própria Motorola, houve um erro de interpretação das palavras de Xudong, que na verdade não quis dizer exatamente aquilo. "O comentário de Xudong à imprensa chinesa foi mal interpretado. Queremos reforçar que o Moto G e o Moto E fazem parte do portfólio global de MBG – Mobile Business Group – para 2016", diz a mensagem da assessoria.

Embora a situação aparentemente tenha se resolvido, o medo ainda permaneceu no ar: será que pode chegar o dia em que a Motorola/Lenovo vai dar um fim às linhas Moto E e Moto G? E qual seria o impacto dessa estratégia para o público e consumidores que compraram esses smartphones? É muito difícil responder essas questões neste momento, mas um aspecto é inquestionável: essas duas linhas, especialmente a Moto G, deixaram um legado eterno na indústria de dispositivos móveis.

O início da empreitada

A história da Motorola é um tema complexo, que envolve uma sucessão de acontecimentos entre a ascensão e queda da marca. Deixando um pouco de lado as histórias que aconteceram no século passado, não há como deixar de mencionar o Motorola V3 que chegou em 2004, aparelho que fez um sucesso gigantesco e vendeu 50 milhões de unidades em seus dois primeiros anos.

Apesar de seu sucesso, essa não foi a ideia que virou o jogo para a Motorola, mas ajudou a pavimentar o caminho para o topo. Nem mesmo o lançamento do Droid em 2009 –, aparelho que veio para competir com o iPhone e rendeu bons lucros para a empresa, serviu para apresentar algo realmente revolucionário para a marca. Foi o Moto G, lançado em 2013, que fez a companhia realmente pular de alegria.

A primeira geração

A chegada da primeira geração do Moto G  em 2013 representou algo que ainda era praticamente inédito no Brasil: um smartphone com uma boa configuração por um preço razoável. O resultado da mistura desses dois fatores não poderia ter sido melhor. Esse aparelho foi considerado o dispositivo mais vendido da história da Motorola, algo que realmente mostra como essa linha merece respeito diante dos concorrentes. O modelo também foi o mais utilizado pelos leitores do TecMundo em 2015.

Com configurações intermediárias para a época, o Moto G foi o primeiro smartphone de muitos consumidores, que deixaram de lado aquele aparelho celular que só fazia ligações e mandava mensagens. Essa opção da Motorola ainda permanece como sendo a ligação de muitas pessoas com o mundo digital móvel, permitindo o acesso às redes sociais, mensageiros e a própria internet através de um dispositivo móvel.

Especificações técnicas do Moto G (2013) de primeira geração

  • Sistema operacional: Android 4.3 (atualizável)
  • Tela: 4,5 polegadas
  • Resolução: 1280x720 pixels (HD)
  • Densidade de pixels: 329 ppi
  • Chipset: Qualcomm Snapdragon 400
  • CPU: quad-core de 1,2 Ghz
  • GPU: Adreno 305
  • Memória RAM: 1 GB
  • Armazenamento interno: 8 GB ou 16 GB
  • Armazenamento externo: não expansível
  • Câmera traseira: 5 megapixels
  • Câmera frontal: 1,2 megapixels
  • Bateria: 2.070 mAh

A segunda geração

O lançamento da segunda geração do Moto G em 2014 foi um passo arriscado. Afinal, como superar o sucesso do antecessor e ainda manter as características que consagraram a linha? Ou seja: devemos mexer em um time que está ganhando? A história mostrou que a nova geração foi uma boa jogada, resolvendo alguns problemas que estiveram presentes no primeiro Moto G.

Apesar da manutenção de aspectos do hardware – como processador, GPU e memória RAM –, o Moto G 2014 trouxe uma câmera aprimorada e melhor que a do antecessor. A tela também aumento, passando de 4,5 para 5 polegadas. A mudança sutil no visual e a presença de alto-falantes estéreo frontais também agradou a maioria. Isso sem falar na presença do suporte ao cartão micro SD.

Especificações técnicas do Moto G (2014) de segunda geração

  • Sistema operacional: Android 4.4.4 (atualizável)
  • Tela: 5 polegadas
  • Resolução: 1280x720 pixels (HD)
  • Densidade de pixels: 294 ppi
  • Chipset: Qualcomm Snapdragon 400
  • CPU: quad-core de 1,2 Ghz
  • GPU: Adreno 305
  • Memória RAM: 1 GB
  • Armazenamento interno: 8 GB ou 16 GB
  • Armazenamento externo: cartão micro SD de até 32 GB
  • Câmera traseira: 8 megapixels
  • Câmera frontal: 2 megapixels
  • Bateria: 2.070 mAh

A terceira geração

A última geração do Moto G lançada pela Motorola chegou com mudanças consideráveis em relação aos antecessores. Contudo, um reajuste foi necessário para compensar a inclusão de novos recursos, detalhe que não agradou muitos consumidores.

Um hardware mais consistente, câmeras melhores, bateria de maior capacidade e o suporte a certificação IPX7 (resistência a água) foram os principais destaques da terceira geração do Moto G. Porém, os novos recursos custaram caro demais para a maioria dos consumidores, que criticaram o posicionamento do novo smartphone que a Motorola lançou no mercado.

Especificações técnicas do Moto G (2015) de terceira geração

  • Sistema operacional: Android 5.1.1
  • Tela: 5 polegadas
  • Resolução: 1280x720 pixels (HD)
  • Densidade de pixels: 294 ppi
  • Chipset: Qualcomm Snapdragon 410
  • CPU: quad-core de 1,4 Ghz
  • GPU: Adreno 306
  • Memória RAM: 1GB ou 2 GB
  • Armazenamento interno: 8 GB ou 16 GB
  • Armazenamento externo: cartão micro SD de até 32 GB
  • Câmera traseira: 13 megapixels
  • Câmera frontal: 5 megapixels
  • Bateria: 2.470 mAh

E se o Moto G acabar?

Se a Lenovo continuar como dona da Motorola, é muito provável que, em algum dia, a linha Moto G – assim como todas as outras séries Moto – deixem de existir em algum momento. Afinal, o objetivo final da empresa chinesa é fortalecer a própria marca, apesar dos discursos sobre a manutenção do legado deixado pela Motorola. Mas, se isso vier a acontecer, provavelmente vai demorar bastante.

Por causa de sua relevância para o mercado, a linha Moto – composta por Moto E, Moto G e Moto X (Play, Style e Force) – vai ser difícil de matar. A manobra poderia ser considerada até mesmo um suicídio, especialmente se consideramos que não faz muito tempo que tivemos lançamentos nessas séries – como o Moto G Edição Turbo. Mas e se mesmo assim o Moto G acabar?

Estratégias

Caso a linha Moto G – ou mesmo qualquer outra linha de qualquer outra fabricante – chegue ao fim, os consumidores não têm muitas alternativas a não ser aceitar o ocorrido. Essas são decisões estratégicas e – muitas delas – pensadas para atender os interesses das próprias empresas.

"Embora, no futuro, ela não seja mais o foco de nosso marketing, a marca Motorola continuará a ser utilizada nas embalagens e em tudo que seja importante para assegurar que essa história nunca seja perdida. O legado que envolve a marca também se perpetuará por meio de nossos produtos licenciados", disse a Lenovo em comunicado. Essa é a promessa da empresa. Será que já está na hora de elegermos o próximo "Moto G" dessa geração?

O que você acha que aconteceria se a marca Moto G deixasse de existir? Comente no Fórum do TecMundo!