Em um mundo cultural cada vez mais diversificado e apreciado por pessoas de todos os gêneros e idades, os games alcançaram praticamente todas as esferas da população e, atualmente, geram discussões acirradas em torno da presença da mulher nesse segmento – em alguns países, a porcentagem até ultrapassa a quantidade de homens que jogam. Esse é um assunto que ainda tem muita lenha para queimar, mas algumas empresas talvez não estejam tão cientes da delicadeza que a questão tem. A Microsoft organizou, nos EUA, uma festa que deu o que falar.

A Game Developers Conference, alcunhada de GDC, é um evento anual que rola em São Francisco e cede espaço para as grandes marcas divulgarem novidades, em sua maioria filtradas às comunidades de desenvolvedores. A Microsoft é uma das gigantes presentes na ocasião e, tradicionalmente, organiza festas fechadas para imprensa e convidados.

A festa da edição deste ano teve garotas vestidas em roupas colegiais dançando para o público, e isso gerou polêmicas em torno de abuso de sexismo, alegando que as mulheres teriam, novamente, a sua imagem associada a um símbolo de sensualidade e objetificação.

Chefão do Xbox tenta se redimir

Arrependida, a empresa se pronunciou em e-mail enviado ao The Verge, no qual Phil Spencer, chefão da marca Xbox, disse que aquilo “não foi consistente ou alinhado com os valores” da Microsoft.

“Em eventos do Xbox durante a GDC na semana passada, representamos a marca Xbox e a Microsoft de uma forma que não foi consistente ou alinhada com nossos valores. Aquilo foi equivocado e não será tolerado. Sei que desapontamos muitas pessoas e estou particularmente comprometido em nos manter em um patamar muito superior. Devemos assegurar que a diversidade e a inclusão sejam centrais em nossos negócios e valores. Faremos melhor no futuro”, escreveu o executivo.

Caso repercutiu em massa no Twitter

O Twitter foi palco de reclamações e manifestações de diversas pessoas. “Vai se fo*er, Xbox, você e suas garotas dançarinas que estão aqui para falar com os meninos”, disse a usuária @spamoir.

Já o internauta Lewie Procter foi irônico. “Meio que impressionante como dentro de 24 horas a Microsoft contratou mulheres e dançarinas colegiais para uma festa”, escreveu.

Até mesmo Aaron Greenberg, chefão de marketing da marca Xbox, se declarou “decepcionado” e disse que vai acompanhar os envolvidos na organização da festa. “Muito decepcionado em ver isso, vou seguir o caso com a equipe”, relatou no microblog.

Eventos como CES, E3 e Tokyo Game Show, entre tantos outros, ainda utilizam garotas para promover produtos divulgados em estandes, as chamadas “booth babies”, mesmo com a representação que as mulheres alcançaram na atualidade. Resta ver até que ponto isso vai continuar e de que forma esse notório caso da Microsoft pode repercutir como lição. O que você acha? Participe da discussão com sua opinião na seção destinada aos comentários logo abaixo.

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