Como duas celebridades levantaram US$ 30 mi para uma startup bem shady

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Imagem: Disney | ABC Television Group / Flickr

Esta é a história de como os perfis no Instagram de um ex-boxeador e de um DJ ajudaram a levantar o ICO de um negócio bem, bem shady.

O contexto

Para quem ainda não sacou o rolê do Initial Coin Offering: é uma maneira de empresas ou ideias levantarem dinheiro, ao emitirem tokens próprios e vendê-los para geral. Se a empresa der certo, o valor do token sobe. Esse tipo de operação ganhou o coração do mercado porque é uma maneira mais simples de conseguir capital do que IPOs ou rodadas de investimento. Só no último ano, 270 ICOs foram realizados no mundo.

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Um deles foi o da Centra Tech.

Os personagens

Centra Tech: uma empresa com sede em Miami que diz desenvolver um cartão de débito de criptomoedas. Ou seja, um cartão que faz pagamentos com a bitcoin e outras moedas digitais.

Floyd Mayweather: ex-boxeador americano, considerado o melhor de sua geração, e instagrammer que posta fotos de diamantes e barras de ouro. Tem mais de 19 milhões de seguidores na rede social, aliás.

DJ Khaled: bem, ele é um DJ. Já gravou esta música com o Justin Bieber e com outra galera famosa. A gente não manja muito do mainstream, mas ele tem mais de oito milhões de fãs no Instagram.

A trama

A Centra conseguiu levantar mais de US$ 30 milhões em seu ICO. Muito disso veio com uma ajudinha de posts feitos por Mayweather e Khaled promovendo a parada em seus perfis no Instagram. Tudo ao estilo "fique rico que nem a gente".  Até aí nada demais: Paris Hilton e Jamie Foxx já fizeram coisa parecida. Acontece que uma matéria do NYTimes aponta que o negócio da Centra parece um golpe. A gente explica:

Para começar, nenhum dos três sócios fundadores têm qualquer experiência com criptomoedas ou no setor bancário (e eles desenvolvem um f#cking cartão de débito de criptomoedas, veja bem). A empresa dizia compensar isso com um CEO chamado Michael Edwards, que havia feito carreira no Bank of America e no Wells Fargo. Tinha perfil no LinkedIn e tudo. Só que alguém descobriu que a "foto" do cara era, na verdade, de um professor de psicologia do Canadá. Quando a polêmica veio à tona, os perfis do sujeito na página da Centra e no LinkedIn foram apagados - junto com os de outros supostos funcionários.

Depois, veio um rolo com a Visa. É que, em todas as fotos nas quais a Centra apresentava seu cartão de débito para o mundo, havia um logo da operadora de cartão. O problema é que esqueceram de avisar a Visa. Daí, quando o NYTimes foi dar aquela checada na informação, as fotos dos cartões também foram deletadas. E a Visa disse que não tinha nada a ver com o negócio. A Centra deu a desculpa de que, na verdade, iria operar com a MasterCard. Mas aí a MasterCard mandou um: ahn? quem é vc?

Então, o NYT foi atrás dos instagrammers. Enquanto os sócios da Centra defendiam que Mayweather estava realmente empolgado com o negócio, o boxeador deletou todos os posts que havia feito no Instagram e no Facebook sobre a empresa, depois de ser contatado pelo jornal. Já o DJ Khaled, estava DJzando e não respondeu à publicação.

O problema é

Como os ICOs ainda estão num território cinzento no mundo da regulamentação de investimentos, a Centra pôde levantar dinheiro sem precisar passar por nenhuma investigação. Só precisou acionar os contatos e conseguir gente influente para divulgar a parada. Até agora, não sabemos se a SEC (a comissão de títulos e câmbios dos EUA) vai intervir. Mas a verdade é que uma checagem bem básica poderia ter apontado os diversos problemas no negócio. E valeria muito mais do que um post no Instagram, isso é certo. A conclusão à que chegamos é aquela de sempre: não confie em instagrammers.

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