Pensando em pessoas comuns, é muito raro que vejamos alguém realizar um grande feito profissional antes dos 20 anos, mas esse é o caso do jovem Joe Landolina. Aos 22 anos de idade, ele é fundador e CEO de uma empresa que pretende produzir comercialmente um item que pode revolucionar a medicina e que foi inventado por ele mesmo cinco anos atrás, no auge de seus 17 anos.

Trata-se de uma substância gelatinosa batizada de VetiGel, que acelera o efeito da coagulação do sangue. Feito com polímeros à base de algas, o produto foi criado por Joe quando ele ainda cursava o Ensino Médio, no laboratório amador de seu avô. Durante a faculdade, o gel foi aprimorado e inscrito em uma competição de negócios, na qual ganhou o segundo lugar, mesmo entre alunos formados e professores.

Agora, o garoto pretende comercializar sua invenção no mercado da medicina veterinária através da Suneris, empresa fundada por ele, para produzir em massa seu medicamento quase milagroso. O VetiGel já está em pré-venda como um kit de cinco seringas de 5 ml cada uma. O preço do conjunto é de US$ 150, cerca de R$ 464.

A ciência por trás do gel

Ao ser aplicado sobre um ferimento, o gel consegue estancar um sangramento em menos de 12 segundos, que é o tempo mínimo que o aparelho medidor de coagulação leva para processar a informação. Ou seja, qualquer hemorragia externa consegue ser bloqueada com rapidez, facilidade e praticidade em tempo recorde.

A substância é formada por polímeros à base de algas fracionados em pedaços menores. Assim que ela é aplicada em um ferimento, esses polímeros se “remontam” e formam uma espécie de malha que fecha a passagem completamente.

Mas não fica só nisso. Além de servir como uma supercola que tapa o escape do sangue, a estrutura formada pelo gel serve como suporte para a produção natural de fibrina do corpo, acelerando a recomposição normal do local ferido. Isso permite que o VetiGel seja removido alguns minutos após a sua aplicação.

Aplicação em humanos

O próximo passo natural do produto criado por Landolina é sua aplicação em seres humanos. Apesar de os principais testes já terem sido realizados, o VetiGel ainda está em observação para verificar se algum efeito colateral será relatado. Com a ajuda de empresas veterinárias, animais que receberem essa aplicação ainda terão atenção redobrada de profissionais em busca de qualquer problema.

O uso em humanos depende apenas de certas aprovações de órgãos reguladores e outras burocracias afins. Segundo Landolina, pode demorar no mínimo um ano para que os primeiros pareceres sejam divulgados. Enquanto isso, o criador juntou-se a companhias europeias para lançar seu medicamento na Europa e na Ásia até o fim do ano.

Assim que aprovado para utilização em humanos, o gel deve ser aplicado primeiramente nas áreas militares e de atendimento emergencial.

Concorrência

Não é apenas o VetiGel que se propõe a tratar hemorragias severas em velocidade recorde. Um de seus concorrentes é o Vitagel, no mercado desde 2006 e usado principalmente em procedimentos cirúrgicos. Seu funcionamento, assim como seu nome, é muito similar ao do VetiGel, à base de proteínas que formam uma barreira física para o sangramento. O produto, porém, é usado apenas em caráter emergencial, quando métodos mais convencionais não dão certo.