Já há algum tempo, não basta um bom visual e uma jogatina de primeira para se sentir imerso em um game. Cada vez mais requintado nas produções do segmento, o áudio exerce um papel fundamental na experiência do público com o universo materializado na telinha, a ponto de poder afetar até o desempenho do jogador em títulos multiplayer. Para quem não pode espalhar caixas de som por todo o ambiente ou prefere um pouco mais de privacidade na hora da diversão, a solução é uma só: investir em um bom headset.

Com isso em mente, fomos até o escritório da Kingston em São Paulo, nesta quinta-feira (18), para conferir em primeira mão um pouco das novidades da HyperX nesse setor e saber mais dos planos da empresa para o Brasil em 2016. Apesar de ser relativamente nova nesse cenário de equipamentos de som de alta qualidade para gamers, a marca já se tornou uma espécie de referência para quem leva jogos mais a sério, seja com sua estreia no mercado através do HyperX Cloud ou com o seu robusto sucessor, o Cloud II.

Quem nos recebeu no quartel-general local da companhia foi Tyler Needles, gerente global de periféricos da HyperX. Entre as atribuições do rapaz, que tem cinco anos de casa, estão pesquisas e análises de mercado nas mais diversas regiões, desenvolvimento de estratégias comerciais para a viabilização de produtos nessas áreas e, claro, a decisão sobre quais itens vão para cada local e qual preço os colocaria ao alcance dos consumidores. Felizmente, parece que ele dedicou um bom tempo observando o nosso país.

Depois de explicar como os pedidos do público gamer fizeram com que a marca saísse do seu repertório usual de produtos – pentes de memória, SSDs e pendrives – e se arriscasse no ramo dos headsets, o executivo mostrou alguns itens revelados originalmente durante a CES deste ano, que, desta vez, vieram acompanhados de uma novidade feita sob medida para o bolso do brasileiro. As peças que devem dar as caras por aqui nos próximos meses são o Cloud Revolver, o Cloud Revolver S, o CloudX e o compacto Cloud Drone.

Um dupla de astros do FPS

Os dois primeiros headsets são os destaques da leva, carregando consigo a missão de ficar um patamar acima do aclamado Cloud II e liderar com estilo o plano de expansão da empresa no setor em 2016. Para levar isso adiante, Needles contou que a fabricante pegou tudo que deu certo em seu antigo top de linha e basicamente “aumentou um grau”. A dupla, no entanto, não se limita a superar as especificações do irmão mais velho, já que, diferente dos projetos anteriores – feitos com a QPad –, ela faz parte de uma empreitada solo da HyperX.

Ambos levaram dois anos de bastante pesquisa e polimento para chegarem em seu estágio final: headsets feitos para os aficionados por First Person Shooters. Após desenvolver uma acústica ainda mais elaborada do que a do modelo antecessor, a marca afirma que as duas versões do Cloud Revolver possibilitam que os jogadores consigam escutar barulhos de tiros, explosões ou passos a uma distância bem maior do que usando modelos anteriores e, claro, todos os seus concorrentes.

A diferença entre as duas edições do acessório? Enquanto o Revolver convencional tem saída de som estéreo, o Revolver S tem tecnologia Dolby capaz de emular reproduções 7.1 e traz a tiracolo um dongle semelhante ao do Cloud II – com suporte à conexão USB. Adicionalmente, essa pecinha extra possibilita regulagem do volume do microfone e do áudio e dá acesso a três opções de equalizações pré-programas – uma mais equilibrada, outra voltada para jogos e uma terceira com ajustes para chat via voz.

Segundo o gerente, a ideia é que o HyperX Revolver seja lançado no início de maio, pelo preço de R$ 700, enquanto o Revolver S fica agendado para junho, a um custo um pouco mais elevado pelos seus diferenciais, R$ 800. Needles fez questão de frisar que esses são os valores “cheios” de cada produto, e não necessariamente o que o consumidor vai encontrar sempre estampado nas lojas. “Esperamos fazer promoções na Black Friday, na Volta às Aulas, no Natal... com descontos que podem ir de 10% a 20%”, explicou.

Um Drone que cabe no seu bolso

Se o design arrojado e o consumidor exigente são os alvos dos itens acima, com o Cloud Drone a história muda – mas sem perder a sua essência. Esse produto é fruto da alta demanda por produtos acessíveis da marca em mercados emergentes, eliminando boa parte dos luxos para caber no bolso de públicos de países como Índia, Rússia, China e, claro, Brasil. Com o seletor de volume integrado ao fone, microfone embutido e tamanho bem mais humilde do que o do resto da família, a aparência do headset não empolga em um primeiro momento.

Porém, basta pegar o dispositivo nas mãos ou colocá-lo na cabeça para conferir que muito da alma da HyperX está presente no brinquedinho. O ajuste da haste é suave, a espuma é de primeira qualidade – mantendo o conforto característico da linha – e a mecânica de bloqueio e desbloqueio do microfone é sutil. Leve e versátil – com suporte a PCs, consoles e smartphones –, o Drone oferece um custo-benefício que deve fazer muita gente tirar o escorpião da carteira. O motivo? Preço sugerido de R$ 300, com lançamento esperado para março ou abril.

De olho no joystick

O último representante da nova leva de equipamentos de áudio da Kingston tem um papel um pouco diferente do de seus companheiros, desbravando um território que, até pouco, ficava nas margens do público principal desse hardware especializado. Assim, o CloudX marca o investimento da empresa em se aproximar mais de quem escolhe o video game como sua plataforma principal para jogar.

Mesmo com o grosso de sua produção estando nos PCs, a companhia percebeu que há gamers que levam muito a sério o tempo investido na jogatina de console. Assim, a ideia foi firmar uma parceria com a Microsoft e lançar um headset oficial e tematizado para o Xbox One, oferecendo uma solução simples e prática. O controlador de volume acoplado ao cabo, por exemplo, evita que você tenha que desbravar o sistema para alterar a potência do som – algo que chateava muita gente anteriormente.

Ao preço de R$ 600 e agendado para junho, o item traz uma performance e uma experiência mais semelhantes aos integrantes clássicos da série Cloud do que aos refinados Revolver. Ah, apesar do nome sugestivo, dos acessórios extras na cor “verde Xbox” e do acordo com a dona do Windows, o CloudX também funciona nos PCs e no PlayStation 4. O caso com a Sony é interessante, já que Needles revelou que a HyperX chegou a se aproximar dos japoneses com uma proposta similar, mas eles não tiveram interesse no negócio.

Amplicando o acervo

Questionado sobre como é desafio de superar dois produtos bastante queridos pelo público, como é o caso do Cloud e Cloud II, o norte-americano confessou que é algo um pouco intimidador. No entanto, ele disse confiar na qualidade dos produtos e afirmou que a estratégia de aumentar o escopo de ofertas aos clientes deve se pagar em pouco tempo, principalmente porque uma variedade maior de itens ajuda a lidar com uma pergunta bastante recorrente: afinal, qual é o melhor headset?

A estratégia de aumentar o escopo de ofertas aos clientes deve se pagar em pouco tempo

“É difícil responder a isso. É mais uma questão de gosto e da utilização do hardware”, analisou o executivo. Com mais opções, é possível cobrir tanto camadas diferentes de preço quanto plataformas e gêneros específicos do universo gamer. Tendo os dois primeiros Cloud como base – com configurações e usos bastante abragentes –, o usuário pode decidir para onde seguir. O plano é que, futuramente, o consumidor possa entrar no site da HyperX e marcar filtros para que seja mostrado qual é o fone que se encaixa exatamente na sua necessidade.

O investimento também se baseia nas vendas cada vez mais expressivas desse segmento de hardware para a empresa. Needles afirmou que o desempenho comercial da família Cloud continua a surpreender a Kingston, com a saída de headsets nas primeiras seis semanas de 2016 superando múltiplas vezes os números de 2015. “Só no ano passado, vendemos cerca de 500 mil headsets. Esperamos chegar a 1 milhão, agora”, completou. A performance no Brasil também chamou atenção e revelou dados curiosos sobre os brasileiros.

Brasil e uma nova paixão nacional

Embora a expectativa seja de que um modelo de entrada como o Drone venda mais por aqui quando se fala em volume de unidades, o gerente revelou que o público local muitas vezes prefere economizar para comprar o item que realmente quer. Lojistas nacionais e parceiros da marca por aqui também pediram que a fabricante enviasse muitas peças do modelo mais barato, mas que não esquecesse de despachar uma quantidade igualmente grande das versões mais avançadas dos equipamentos.

Outra análise interessante de Needles diz respeito ao apoio da empresa ao eSport e à influência que os grandes times da modalidade e jogadores profissionais têm sobre os usuários. Apesar de não ter como mostrar percentualmente o quanto a atividade rende em transações, ele acredita que sem o suporte de mais de uma década ao esporte eletrônico a entrada da Kingston no mercado de áudio seria bem difícil. O que isso significa, no fim? Que você deve esperar uma presença ainda maior da marca HyperX no eSport, claro.

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