Previsões mirabolantes: o que o passado acertou e errou sobre o presente da tecnologia

Comércio online, cartas eletrônicas, carros voadores e até aspiradores de pó movidos a energia nuclear. Confira as falhas e sucessos das previsões que fizemos no passado.
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Por Felipe Arruda em 1 de Agosto de 2011

Previsões mirabolantes: o que o passado acertou e errou sobre o presente da tecnologia

Não é novidade que muitas das tecnologias que temos hoje foram imaginadas, no passado, por grandes escritores da literatura de ficção científica. Júlio Verne, por exemplo, previu em seus livros a construção de submarinos, máquinas voadoras e até a viagem do homem à Lua.

Mas é claro que essas previsões não ficam restritas ao campo dos grandes gênios literários. Empresários, publicitários, repórteres, engenheiros e outros profissionais já alimentaram a imaginação humana com máquinas e ideias fantásticas. Algumas dessas tornaram-se realidade. Outras nunca passaram da pura especulação.

Para tornar o seu dia melhor, o Tecmundo preparou uma lista com algumas dessas previsões. Algumas são tão absurdas que chegam a ser engraçadas. Em contrapartida, outras nos surpreendem pela antecipação e perspicácia com que foram pensadas.

Email e comércio online

Para celebrar seu aniversário de 75 anos, a empresa Philco lançou, em 1967, um filme intitulado “1999 AD”, em que demonstrava como os eletrônicos poderiam mudar a vida dos seres humanos dentro de pouco mais de 30 anos.

A película descreve aparelhos que hoje podem ser reconhecidos como sendo protótipos antigos de televisões de plasma e fornos de micro-ondas. Mas o que realmente espanta são as previsões feitas para a área de informática.

No vídeo acima, é possível assistir a como eles imaginavam que seria o comércio eletrônico, com imagens de produtos sendo transmitidos diretamente para a tela do computador pessoal de donas de casa, que poderiam comprar e pagar pelo produto sem precisar sair do conforto de seu lar.

Mais para o final do vídeo, é apresentado um protótipo bem esquisito do que hoje conhecemos como email: uma máquina que permite ao usuário escrever, de punho próprio, cartas para pessoas do mundo todo.

Computadores em casa

Previsões mirabolantes: o que o passado acertou e errou sobre o presente da tecnologia

Dez anos depois do lançamento de “1999 AD”, o presidente da fabricante de mainframes Digital Equipment Corp. (DEC), Ken Olson, argumentou que não existiam razões algumas para que qualquer pessoa tivesse um computador pessoal dentro de casa. Obviamente, Olson estava muito errado.

Só em 2010, os consumidores brasileiros compraram mais de 13,7 milhões de PCs, deixando o Brasil atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão. A estimativa da indústria é de que esse número cresça ainda mais em 2011, atingindo a marca de 36,3 milhões de unidades vendidas.

Jogar video game sem usar as mãos

No filme "De volta Para o Futuro II", o personagem principal, Marty, viaja no tempo e vai parar no ano de 2015. Em um café ambientado com decorações dos anos 80, ele encontra uma máquina de Wild Gunman, título famoso da Nintendo que usava um controle em forma de revólver para aumentar o realismo do game.

Na cena, Marty tenta impressionar duas crianças do futuro com suas habilidades de gamer, mas os meninos estragam tudo: “Você tem que usar as mãos para jogar isso? Parece brinquedo de bebê!”.

Hoje, os consoles mais modernos têm apostado em formas diferentes de interação entre jogador e máquina. Depois dos controles inovadores do Nintendo Wii, a Sony lançou o Move, acessório para o Playstation 3 que lembra o funcionamento do  Wiimote. Mas quem tornou o cenário mais parecido com o filme de Robert Zemeckis foi a Microsoft, que depois de lançar o Kinect livrou os jogadores do fardo de terem que segurar qualquer controle em suas mãos para se divertirem.

Cavalos vs. carros

Previsões mirabolantes: o que o passado acertou e errou sobre o presente da tecnologia

“Os cavalos estão aqui para ficar, mas os automóveis são apenas uma novidade, um capricho”. Essa pérola foi proferida em 1903 pelo presidente do banco de Michigan, Horace Rackham, ao aconselhar o advogado de Henry Ford a não investir na Ford Motor Company.

Ainda hoje, a empresa é uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo e, aparentemente, está mais fácil ver cavalos em extinção do que o fim dos automóveis.

Carros voadores

Previsões mirabolantes: o que o passado acertou e errou sobre o presente da tecnologiaImagens do AVE Mizar, protótipo de carro voador da década de 70 (Fonte da imagem: Curbside Classic)

Bem, devemos admitir que os carros vieram para ficar e que o Sr. Horace Rackham era um péssimo conselheiro. Mas se há uma previsão envolvendo automóveis que nunca foi para frente é a que dá conta dos carros voadores. Apesar de aparecerem em diversas peças de ficção, esses veículos nunca se tornaram realidade.

E não foi por falta de tentativa. Em 1973, a empresa AVE produziu protótipos do que viria a ser o Mizar Air-Car. Porém, durante um dos testes a asa direita do veículo entortou, provocando a queda da aeronave e causando a morte de seu inventor, Henry Smolinski, e do piloto que a conduzia.

Aspirador de pó atômico

Previsões mirabolantes: o que o passado acertou e errou sobre o presente da tecnologiaLewyt e um dos seus modelos de aspirador de pó, ao fundo (Fonte da imagem: Power Nozzles)

Em 1955, o presidente da Lewyt Corp., Alex Lewyt, disse em entrevista ao jornal New York Times que, dentro de dez anos, os aspiradores de pó movido a energia atômica seriam uma realidade. Felizmente, essa previsão não se concretizou. Afinal, ninguém quer ter um acidente nuclear dentro da própria casa, certo?



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