Processadores de 32 núcleos, como isso é possível?

A multiplicação dos cores é a nova tendência para a evolução dos processadores, mas onde isto pode chegar?
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Por Rodrigo Prada em 21 de Julho de 2009

Feliz com seu processador dual core ou ainda sonhando com os de 3 ou 4 núcleos? Ambos já têm seu lugar reservado em um museu para daqui alguns anos, pois a arquitetura dos processadores evolui com tamanha velocidade que modelos octo core já estão chegando ao mercado e em pouco tempo os de 12, 16 e até mesmo 32 núcleos estarão à venda. Como isto é possível, o que esta proliferação de cores pode proporcionar e quando estes modelos poderão ser vistos em plena atividade?

Antes de descobrir quais as aplicações destas novas tecnologias de processamento, acompanhe um breve apanhado da evolução dos processadores para que sua projeção se torne mais consistente. Somente então cabe descrever as múltiplas tarefas que tais processadores serão capazes de desempenhar e prever sua chegada ao mercado.

Multicore, o que são?

Já reparou como em poucos anos a tecnologia dos processadores deixou de evoluir a frequência para focar o desenvolvimento dos núcleos múltiplos? O aumento da velocidade resulta sempre no aumento da temperatura, um problema cada vez maior a ser contornado. Um único núcleo funciona ainda como uma espécie de gargalo, obrigando o processador a se concentrar em uma única atividade de cada vez.

Processadores de 4 núcleos já são comuns.

Por outro lado, dividir a central de processamento em vários núcleos resulta em uma queda significativa na temperatura, possibilitando um caminho muito mais amplo para a evolução dos processadores. Também é possível dedicar uma tarefa diferente para cada núcleo, além do evidente ganho em desempenho, isto resulta em uma maior versatilidade da máquina.

À medida que as dimensões de seus componentes diminuem, os processadores caminham para a multiplicação de núcleos. Não se trata de uma projeção, esta é uma tendência real que reflete o rumo de todas as empresas do ramo.

Quantos núcleos seu computador possui?

Processadores de 2 núcleos já se tornaram bastante comuns e os de 3 e 4 núcleos já podem ser adquiridos a preços bastante convidativos. Como isto é possível, se tratando de uma tecnologia de ponta? A resposta é simples: os quad-cores estão prestes a serem superados pelos processadores de 8 núcleos. Isto mesmo, os modelos octonucleares já começam a ser vendidos no final de 2009 ou início de 2010, marcando um novo capítulo para a guerra dos “cores” entre a Intel e a AMD.

i7, o quad core mais moderno atualmenteBaseado na mesma tecnologia empregada na família de processadores i7, o que há de mais robusto atualmente, o Nehalem é o primeiro processador da Intel a trabalhar com 8 unidades de processamento. Já a AMD investe na arquitetura Montreal para abrigar seu primeiro modelo octonuclear e garantir seu lugar na disputa. Ambos contam com processadores de 45 nanômetros, a mesma dimensão empregada nos modelos quad cores atuais.

As duas empresas trabalham ainda no desenvolvimento de processadores de 32 nanômetros ainda em 2010 ou 2011. Já para 2012, os projetos de 22 nm deverão ganhar lugar nas prateleiras e nas primeiras máquinas de usuários. Em plena corrida dos cores, a dimensão dos processadores será reduzida pela metade dentro de poucos anos. Qual o resultado disto?

A multiplicação dos cores

Além dos 8, 12, e até os 16 núcleos em um único processador, antes do seu adiamento, o projeto da Intel conhecido como “32-core Keifer” tinha previsão para 2010. Isso mesmo, 32 núcleos em um único processador! Embora nada tenha sido confirmado pela empresa após a mudança de data, ainda sem previsão, isto mostra que a tecnologia para a elaboração do componente já está bastante próxima, provavelmente a empresa esbarrou na complexidade exigida dos demais componentes.

Processadores de 32 núcleos, como isso é possível?

Assim como um processador quad core não desenvolveria seu potencial ao trabalhar com memórias DDR, jamais seria possível administrar 32 cérebros simultâneos com o padrão atual de hardwares. A forma com que o processamento é lidado pela máquina também precisa evoluir para se tornar compatível, somente então trabalhar com um processador de 32 núcleos se tornará uma realidade.

Para que tantos núcleos?

Fusão CPU-GPU promete um novo padrão de qualidade gráfica

Como dito, o conceito de um processador multicore é ligeiramente diferente de um processador comum, este pode se dedicar a várias tarefas diferentes ao mesmo tempo. Também é fato que após uma grande disputa com a Intel, a AMD acabou comprando a ATI (desenvolvedora de placas gráficas). Consegue imaginar o resultado disto? A resposta está na fusão CPU-GPU (do processador com a placa gráfica), chamado pela empresa de AMD Fusion ou simplesmente Fusion.

Trata-se basicamente em dedicar alguns dos núcleos do processador central para os cálculos e aplicação de efeitos dos vídeos e gráficos em 3D, já que os núcleos “genéricos” desempenham muito mal esta tarefa. Se levarmos em conta que o setor das GPUs é um dos pioneiros em demanda de tecnologia, desenvolver um processador híbrido como este seria capaz de elevar o potencial gráfico a um novo patamar.

Então quando é que eles chegam?

A fusão CPU-GPU é recente demais para se incorporar à geração atual de componentes e a previsão atual para o projeto AMD Fusion é para a segunda metade de 2011. O fato é que esta fusão só deverá sair do papel em estruturas de processamento menores que 45 nm e em processadores de 8 núcleos.

Novos padrões de processamento estão por vir

Aguardam-se para 2012 os processadores de 22 nm, somente então será possível imaginar os 16-cores entrando em ação. Já os processadores de 32 núcleos, previstos inicialmente para 2010, não deverão chegar antes de 2013 ou 2014, mas estas previsões estão longe demais para serem precisas. A Intel afirma que processadores com centenas de cores ainda virão, e que provavelmente chegarão antes do que se imagina.


Há poucos anos atrás, imaginar um processador trabalhando com mais de um núcleo parecia loucura, pois estamos diante dos octo core e aguardando a chegada dos que possuem 12, 16 ou até mesmo 32 núcleos. Além de gráficos estupendos com a fusão gráfica, o que mais tantos processadores poderão nos oferecer no futuro? Será possível dedicar um processador diferente para cada uma das atividades do computador?



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