O PlayStation Vita finalmente chegou ao Brasil e, mesmo com o preço exagerado cobrado pela Sony, muita gente não vê a hora de colocar suas mãos no novo portátil. E não é para menos, afinal, o aparelho traz um salto de qualidade impressionante se comparado a seu antecessor, o PSP.

Mas você conhece exatamente o que o console traz de novo, e como é possível manter tudo isso em um video game de bolso? Pois saiba que, apesar de toda a grandiosidade, o segredo por trás do Vita é bem pequeno.

Algumas novidades básicas

Se você faz parte do grupo que está empolgado com o novo portátil, certamente já deve saber quais são as principais novidades que a Sony preparou. É claro que alguns desses componentes, como a adição das câmeras e a de um segundo analógico, eram melhorias já esperadas e certamente vão facilitar a vida dos jogadores.

O caso das câmeras é o maior exemplo disso. Quem tentou jogar Invizimals, para PSP, deve ter sofrido ao acoplar um acessório enorme no console para poder usar a realidade aumentada. Com a adição das lentes, o problema acaba.

Para jogar Invizimals, é preciso de uma câmera externa. (Fonte da imagem: Divulgação/Sony )

Contudo, as maiores inovações estão nos sensores de toque. A tela OLED se destaca não apenas por trazer um recurso multitoque — o primeiro em um portátil —, mas por seu tamanho e qualidade. As cinco polegadas oferecem uma grande área para os jogos, e o contraste de cores é impressionante, deixando tudo muito mais vivo. Isso sem falar na economia de energia dos LEDs orgânicos.

O touchpad na parte de trás do console é algo que muita gente vê como tendência, principalmente em aparelhos de bolso. Apesar de não se diferenciar muito da tecnologia utilizada em notebooks, ele traz novas possibilidades de jogabilidade.

O coração do PlayStation Vita

Encantou-se com o visual dos jogos? Ficou impressionado com as novidades oferecidas? Pois saiba que nada disso seria possível sem uma única peça, que funciona exatamente como o coração e a alma do PlayStation Vita.

(Fonte da imagem: iFixit)

O chip Sony CXD5315GG é o componente que comanda as principais funções do console. É esse pequeno chip que funciona como processador, unidade gráfica e memória — todos eles muito potentes, como você confere no infográfico acima —, economizando espaço.

Esse tipo de tecnologia “tudo em um” é o que chamamos de system on chip ou simplesmente SoC. Como o próprio nome sugere, ela é um pequena peça que integra praticamente todo o sistema, e é exatamente por isso que o Vita consegue trazer uma configuração tão potente e, ainda assim, caber em seu bolso.

O mais curioso é que essa tecnologia não é uma novidade, e muitos de nós já carregamos aparelhos assim para todos os lados. Esse tipo de componente já é usado há um bom tempo pela indústria de smartphones e tablets, e é o que permite que eles tenham o mesmo poderio de um computador — mesmo com suas dimensões diminutas.

Com o CXD5315GG, a Sony deixa o Vita muito mais próximo desses dispositivos móveis do que qualquer outro video game portátil já esteve. Basta comparar seus principais recursos para perceber as semelhanças: o chip integrado, touchscreen de alta qualidade, 3G... Não seria uma surpresa se a empresa usasse o mesmo conceito para nos apresentar um Vita Phone em breve, por exemplo.

E essas não são as únicas semelhanças entre todos esses aparelhos. Sua arquitetura de CPU e GPU — ARM Cortex A9 e PowerVR SGX543MP2, respectivamente — é praticamente a mesma encontrada nos processadores A5 da Apple, presente nos recentes iPhone 4S e iPad 2. Isso mostra que o Vita não só é muito parecido com smartphones e tablets como também divide a mesma essência.

Conflito de gerações

Não é preciso ser um grande especialista para perceber que o salto de qualidade de hardware que Sony fez em relação ao PSP é enorme. Basta olhar algumas das configurações básicas dos dois consoles para ter uma noção do quanto isso é verdadeiro.

Isso é sentido principalmente na quantidade de memória disponível. Para ter uma simples noção, o PlayStation Vita tem oito vezes mais memória RAM do que seu antecessor. Em termos práticos, temos um salto de desempenho impressionante.

A CPU também evoluiu consideravelmente. Embora as diferenças de arquitetura entre os dois portáteis não permita uma comparação direta, basta olhar a frequência dos dois componentes para ver que o processamento melhorou em seis vezes.

Design: Tim Trauer

Ilustração: Tim Trauer e Nick Mancini

Colaboração: Fábio Jordão