Modelo recente do mecanismo Antikythera

Fonte da imagem: Antikythera Mechanism Research Project

Encontrado em meio a destroços submersos próximos à ilha grega de Antikythera por uma tripulação de mergulhadores locais, o conjunto de engrenagens que viria a ser conhecido como mecanismo Antikythera passou quase um século sem ser compreendido. Apenas com técnicas recentes de pesquisa – como os microscópios eletrônicos e imagens por raios-x – o funcionamento e razão de ser do mecanismo puderam ser compreendidos.

Financiado pelo governo grego em parceria com grandes empresas de tecnologia como a HP, o Antikythera Mechanism Research Project (projeto de pesquisa do mecanismo Antikythera) conta com cientistas gregos e britânicos para resolver e identificar todos os detalhes do aparelho datado do século 2 a.C.

Precisão suíça

Ou talvez a expressão devesse ser alterada para precisão grega, já que o mecanismo Antikythera precede os grandes relojoeiros helvéticos em pelo menos mil anos.

Detalhe das engrenagens do mecanismo Antikythera

Fonte da imagem: HP / Antikythera Mechanism Research Project

Acredita-se que o dispositivo, construído em madeira e bronze, tenha sido fruto de um longo processo de desenvolvimento tecnológico que, infelizmente, não resistiu ao passar do tempo. Certamente protótipos menos desenvolvidos existiram até que se chegasse à precisão de construção do mecanismo Antikythera.

Como comparação, a fineza e qualidade do trabalho encontrado no fundo do mar da Grécia só são encontradas novamente em relógios construídos a partir dos anos 1600, já na Idade Moderna.

Calendário celestial

A partir de imagens especiais obtidas pelos grupos da HP e da X-Tek, os pesquisadores do projeto conseguiram identificar vários detalhes nos discos de bronze do mecanismo Antikythera.

A parte traseira do mecanismo Antikythera possuía dois indicadores em espiral. O superior, com 47 divisões, exibia os 235 meses sinódicos que compunham os 19 anos do ciclo metônico. Esse período de 19 anos era utilizado pelos gregos para ajustar seus calendários às observações da abóbada celeste.

Inscrições em grego no bronze do mecanismo Antikythera

Fonte da imagem: HP / Antikythera Mechanism Research Project

Já o painel inferior apresentava as 223 divisões que compunham um segundo ciclo – o ciclo de Saros –  dos caldeus. Este ciclo era baseado no período de 18 anos, 11 dias e 8 horas entre a ocorrência de um eclipse particular.

Combinando a informação de ambas as espirais traseiras do mecanismo Antikythera, tornava-se possível o ajuste de calendários, de maneira semelhante à feita pela inclusão de anos bissextos no nosso calendário atual.

Indicador Olímpico

As inscrições no metal da parte frontal do mecanismo indicam que o aparelho era utilizado como uma espécie de calculadora celeste  – e daí vem a nomenclatura de primeiro computador da história – usada para prever eclipses e outros fenômenos astronômicos.

Além das marcações de data, também existentes na face frontal do mecanismo Antikythera, ponteiros semelhantes aos de um relógio também se colocam em frente ao disco de bronze.

Mecanismo Antikythera

Fonte da imagem: HP / Antikythera Mechanism Research Project

Os ponteiros serviam como marcação de data e da posição de diversos astros – sol, lua e os cinco planetas conhecidos pelos gregos – no zodíaco. Um pequeno modelo esférico da lua também estava presente na parte da frente do mecanismo.

Porém uma marcação secundária no bronze chamou a atenção dos pesquisadores quando encontrada. Em uma pequena área próxima ao centro da escala, uma circunferência dividida em quartos indicava os períodos propícios para a realização de jogos, como as Olimpíadas clássicas.

Funcionamento à manivela

O mecanismo Antikythera é uma obra-prima mecânica, e um dos artefatos mais impressionantes do mundo antigo. Todas as várias engrenagens – formadas por triângulos equiláteros na borda do círculo de bronze – eram ativadas por manivela, como você pode ver no vídeo acima.

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Os estudos sobre o mecanismo Antikythera ainda estão em curso. Ainda há muito a ser descoberto sobre suas funções e também sobre a sua construção. Com o auxílio da tecnologia de ponta em termos de imagem, o projeto está cada vez mais perto de compreender toda a complexidade do aparelho, mesmo sem ter o equipamento completo em seu poder.

O próximo passo será dado na cidade de Atenas, Grécia, em 2011, quando um simpósio será realizado para discutir a informação astronômica e as inscrições existentes na placa frontal do mecanismo. Até lá, o que mais poderá ser encontrado no fundo do mar?